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Carta de Einstein en que culpó a los terroristas judíos por ocasionar una ‘catástrofe’ en Palestina, a la venta

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Ebay está vendiendo una carta escrita por Albert Einstein en el momento de la masacre de Deir Yassin en abril de 1948 a un sionista estadounidense, denunciando las actividades terroristas de las milicias sionistas.

Es interesante que la palabra de Einstein, catástrofe, es también la palabra de los palestinos en árabe, la Nakba. El texto de la carta:

Abril 10,1948
Sr. Shepard Rifkin
Exec.Director
Amigos Americanos de los Luchadores por la Libertad de Israel
149 Segunda Avenida.
Nueva York 3, NY

Estimado señor,

Cuando una catástrofe real y final caiga sobre nosotros en Palestina, el principal responsable por ésta será Gran Bretaña, y el segundo responsable serán las organizaciones terroristas nacidas desde nuestras propias filas.

No me gustaría ver a alguien asociado con esa gente criminal y engañadora

Atentamente, (Firmado, «A.  Einstein»)

Albert Einstein.

A partir de la descripción:

Se está apostando a una carta origina de Albert Einstein al Sr. Shepard Rifkin. Escrita en 1948, donde se advierte que cualquier catástrofe que suceda a la incipiente nación de Israel vendrá de las acciones de cualquiera de sus creadores (Gran Bretaña) o de sus ciudadanos. Casualmente la carta fue escrita la mañana después de que los israelíes llevaran a cabo una masacre no provocada por los civiles palestinos en la aldea de Deir Yassin.

La recaudación se destinará a la organización, Deir Yassin Remembered. Al parecer el precio inicial se ha fijado en 16.000 dólares, y aún no se ha confirmado. Gracias a Abdeen Jabara.

Fuente: Einstein letter, on sale at Ebay, blamed Jewish terrorists for risking ‘catastrophe’ in Palestine

Acerca de Philip Weiss: Philip Weiss es Fundador y Co-Editor de Mondoweiss.net.

Philip Weiss, Mondoweiss.net / Traducción: Palestinalibre.org

Fuente: http://www.palestinalibre.org/articulo.php?a=47187

Repudio a la Shell y al gobierno brasileño

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Los Otros Judíos repudia la apropiación de parte de la riqueza petrolífera brasileña por parte de la Shell, multinacional que participó activamente en el genocidio de la Segunda Guerra Mundial.

 

Parceria entre Brasil e Israel deve financiar empresas que operam em assentamentos ilegais

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Por Marina Castro.

O Brasil pode financiar empresas que operam ilegalmente nos assentamentos israelenses nos Territórios Palestinos Ocupados, segundo um relatório do movimento Stop the Wall e da Felap (Frente Árabe Palestina do Brasil) que deve ser publicado nesta sexta-feira (06/09). A iniciativa é decorrente do projeto de cooperação tecnológica entre Brasil e Israel, em que empresas de ambos os países podem se inscrever para receber financiamento até fevereiro de 2014.

O programa é executado em conjunto pela Secretaria de Inovação do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil) e pelo Matimop, que é o Centro Industrial Israelense de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) do OCS (Escritório do Chefe Cientista, na sigla em inglês) no Ministério de Comércio Industrial e Trabalho de Israel.

Segundo o relatório, intitulado “Cooperação Bilateral em Pesquisa e Desenvolvimento Industrial: cooperação com violações israelenses do direito internacional e dos direitos humanos?”, esse tipo de relação “não só direta ou indiretamente legitima as políticas israelenses atuais, mas também contribui para a sustentabilidade da ocupação, colonização e apartheid israelense”.

Wikicommons

Barreira israelense em rua palestina. Organizações em defesa dos palestinos consideram que o Estado judeu fere direitos humanos 

O texto aponta que, das 22 empresas israelenses inscritas no programa até agora, mais de 40% “representam sérias questões de elegibilidade”: ao menos uma das companhias parece ser sediada em Jerusalém Oriental ocupada, uma presta serviços para empresas dos assentamentos e outra é parcialmente detida por uma estatal israelense que opera nos assentamentos e presta serviços à ocupação militar, por exemplo.

Além disso, pelo menos uma empresa está financiando diretamente o fornecimento de equipamentos para uma estatal que presta serviços nos assentamentos, enquanto outra tem um projeto beneficiando as operações de ocupação nas Colinas de Golã Sírio e há suspeitas de que mantém uma companhia nos territórios ocupados.  

O documento aponta ainda que pelo menos duas empresas são sediadas nos Estados Unidos, o que “não é relevante em termos de violações do direito internacional e dos direitos humanos, mas levanta questões de boa-fé”.

Incoerência

A coordenadora de relações internacionais do Stop the Wall, Maren Mantovani, lamentou que um país como o Brasil, um dos mais proeminentes na luta pelo reconhecimento da Palestina, esteja agora agindo na direção contrária e apoiando, mesmo que indiretamente, os assentamentos israelenses.

“O Brasil deu, a nível político, um papel muito importante à soberania dos palestinos”, afirmou Maren. “Nós pensamos que uma cooperação dessa maneira com Israel é apoiar indiretamente as políticas desse país”, lamentou. Ela considerou a iniciativa “um tanto hipócrita” e lembrou que a própria Constituição brasileira assegura os direitos humanos, que seriam desrespeitados pelo Estado judeu.

Entretanto, não é a primeira vez que o Brasil se compromete a cooperar de alguma maneira com Israel. Em abril deste ano, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, assinou convênio com uma empresa militar israelense chamada Elbit, para uma parceria no polo aeroespacial gaúcho, que deve criar a segunda base nacional para lançamentos de satélites.

Outros países

O documento da Felap e do Stop the Wall lembra que países como Estados Unidos e Alemanha assinaram cláusulas territoriais que os impedem de financiar projetos desenvolvidos em terras sob a jurisdição do Estado de Israel depois de 05 de junho de 1967, data de início da Guerra dos Seis dias.

Para a GIF (Fundação Alemã-Israelense para Pesquisa e Desenvolvimento), os alemães assinaram cláusula assegurando que “a GIF pode apoiar apenas projetos realizados dentro das áreas geográficas sob a jurisdição do Estado de Israel antes de 05 de junho de 1967”. O mesmo ocorreu no âmbito das regras de elegibilidade da Fundação Binacional de Ciência Estados Unidos-Israel.

Wikicommons

Sinagoga em Jerusalém Oriental ocupada, mais uma marca da presença israelense entre os palestinos 

O relatório também comemora que a União Europeia tenha publicado orientações detalhadas para financiamento e apoio financeiro a entidades israelenses, cujas diretrizes são “um passo importante para a aplicação dos requisitos de incorporação de normas de direito internacional e de direito existente das instituições da UE que incorporam a lei internacional”.

Entretanto, o texto diz que “é importante salientar que as diretrizes não são um ato político, mas uma operação técnica de aplicar as obrigações legais existentes”. Ainda assim, as organizações agradecem à União Europeia, “em especial devido ao fato de que alguns governos da UE não estão mesmo reconhecendo a soberania palestina sobre os territórios ocupados em 1967”.

O Itamaraty, segundo o Stop the Wall e a Felap, já sabem do problema, inclusive porque o tema foi abordado durante a mesa de Oriente Médio da Conferência Nacional “2003-2013: uma nova política externa”, realizado em julho deste ano na Universidade Federal do ABC.

Amanhã, uma delegação do BNC (Comitê Nacional Palestino pelo Boicote, Desinvestimento e Sanções), se reunirá com o cônsul brasileiro na cidade palestina de Ramallah, embaixador Paulo França. O grupo deve entregar uma carta conjunta de parabéns ao novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, que ao mesmo tempo insta o Ministério a suspender o projeto de financiamento entre Brasil e Israel pelo risco de serem apoiadas empresas que atuam nos assentamentos israelenses.

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/31049/parceria+entre+brasil+e+israel+deve+financiar+empresas+que+operam+em+assentamentos+ilegais.shtml

https://losotrosjudios.com/ repudia cualquier ataque a Siria

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https://losotrosjudios.com/ repudia cualquier ataque a Siria

Prensa israelí provoca a Obama para atacar Siria

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Premios Nobel de la Paz: Peres y Obama, y Primer Ministro Netanyahu.

El retiro del presidente de EE.UU., Barack Obama de realizar una acción militar contra el Gobierno sirio, demuestra el fin de etapa de Estados Unidos como una potencia internacional, así han declarado este lunes los medios de comunicación israelíes.

Tras la decepción de los israelíes de EE.UU. de hacer una intervención militar en el país árabe, los medios israelíes han iniciado alimentar Washington a realizar una ofensiva belicista contra el pueblo sirio.

La decisión de Obama a esperar la respuesta del Congreso para autorizar un ataque contra Siria, tiene un efecto negativo a los aliados de EE.UU. en la región, especialmente en el régimen de Tel Aviv, ha declarado el diario israelí Yediot Aharonot.

La decisión inesperada del mandatario norteamericano para pedir autorización al Congreso representa una apuesta arriesgada que puede tener efectos devastadores en su credibilidad si al final no hay intervención en el país árabe, ha añadido.

De acuerdo con el diario israelí Maariv, EE.UU. tiene dudas en realizar una operación militar contra Siria, y además los estadounidenses han manifestado su rechazo a cualquier intervención militar de Washington en Damasco.

La disposición del Ejército sirio para enfrentarse a las amenazas de los occidentales por un lado y la oposición de la opinión pública con una nueva guerra por otro lado ha creado una brecha entre los aliados de Estados Unidos.

La advertencia de Bashar al-Asad sobre una guerra regional y la de Irán respecto al peligro que amenaza la seguridad de régimen de Israel, también son unos factores importantes que impiden a EE.UU. a realizar un ataque contra el país árabe.

Los aliados occidentales, en particular EE.UU. y Francia han amenazado con atacar Siria después de que el pasado 21 de agosto, los grupos terroristas que operan en el país árabe acusaran al Ejército sirio de un ataque con armamentos químicos, en el cual unas 1300 personas han perdido la vida.

Sin embargo, gobiernos y pueblos de diferentes países a lo largo y ancho del mundo han protestado durante los últimos días ante esa decisión y han pedido la paz para todas las naciones.

El Ejército sirio después de este anuncio encontró en el barrio de Jobar, en Damasco, barriles de gas tóxico con etiquetas en la que se especificaba que eran de fabricación saudí.

Fuente: HispanTv / OICP y http://www.oicpalestina.org/?p=11792

 

Ondean la bandera palestina en el Teatro Colón de Buenos Aires

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Como el año pasado frente al teatro de Nueva York, siguen las protestas contra estos artistas que no tienen vergüenza de venir a representar al estado terrorista de Israel en Buenos Aires. BDS como remedio antiapartheid, funcionó para Sudáfrica, está funcionando para Palestina, por PALESTINA LIBRE.

Jóvenes israelíes se rebelan en apoyo a Palestina

Vídeo

En el vídeo, publicado en Youtube, el grupo de jóvenes señala que «somos objetores de conciencia israelíes. Eso significa que nos negamos a servir en el Ejército de Israel porque están ocupando a otro pueblo, a los palestinos. Los niños palestinos no pueden ir a la escuela por culpa de los ‘check points’ [controles militares], ni siquiera obtener asistencia médica. Muchos jóvenes palestinos son encarcelados injustamente. Muchos de ellos han sido asesinados o sus casas demolidas. El Gobierno [de Israel] dice que estas políticas nos mantienen a salvo… pero negar a los palestinos sus derechos humanos básicos nos pone a todos en riesgo. Es ilegal. Es incorrecto. Es inmoral. Está en contra de mis principios».

Texto completo en: http://actualidad.rt.com/sociedad/view/102565-jovenes-israelies-rebeldes-defensa-palestina

Obra de arte: Éxodo II (pero del pueblo palestino)

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Obra de arte: Éxodo II (pero del pueblo palestino)

De İbrahim Özdabak.

Emocionante canción de paz palestino-israelí

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Israel: antissemita e colonialista

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Artigo censurado de Joseph Massad.

O holocausto judaico matou a maioria dos judeus que lutaram contra o anti-semitismo europeu, incluindo o sionismo, escreve Joseph Massad. Foto AFP.
Os judeus que se opunham ao sionismo compreenderam, desde o início, que o movimento incorporava o antissemitismo em seu diagnóstico do que os europeus chamavam de “a questão judaica”. O que mais horrorizava os judeus antissionistas, contudo, era que o sionismo também partilhava a “solução” para a Questão Judaica que os antissemitas sempre haviam pregado, a saber: que os judeus tinham de ser expulsos da Europa.
Foi a Reforma Protestante, que fez renascer a Bíblia Hebraica, que ligou os modernos judeus da Europa aos antigos hebreus da Palestina, ligação que os filólogos do século 18 solidificariam mediante a descoberta da família das línguas “semitas”, que incluiriam o hebraico e o árabe. Por um lado, os Protestantes Milenaristas insistiam em que os judeus contemporâneos seriam descendentes dos antigos hebreus e tinham de deixar a Europa e voltar à Palestina, para apressar a segunda vinda de Cristo; por outro lado, as descobertas filológicas levaram a rotular os judeus contemporâneos de “semitas”. O salto que as ciências biológicas de raça e hereditariedade dariam no século 19 e que levaria a definir os judeus europeus contemporâneos como descendentes raciais dos antigos hebreus, nem teve, afinal, de ser salto muito grande.
Baseando-se nas conexões criadas por Protestantes Milenaristas anti-judeus, abundavam, no século 19, europeus seculares que rapidamente perceberam o potencial político de “devolver” os judeus à Palestina. Menos interessados, que os Milenaristas, em apressar alguma segunda vinda de Cristo, esses políticos seculares, de Napoleão Bonaparte e do ministro britânico de Relações Exteriores, Lord Palmerston (1785-1865) a Ernest Laharanne, secretário particular de Napoleão III nos anos 1860s, tinham interesse em expulsar os judeus, da Europa para a Palestina, para instalá-los lá como agentes do imperialismo europeu na Ásia.
Wilhelm Marr
Esse projeto seria abraçado por muitos “antissemitas” – novo rótulo logo divulgado por racistas europeus antijudeus, depois que a palavra foi criada, em 1879, por um obscuro jornalista vienense, Wilhelm Marr, que divulgava uma plataforma-programa político intitulado “A vitória do judaísmo sobre o germanismo.  Marr teve o cuidado de separar bem o antissemitismo e a história do ódio dos cristãos contra judeus, de base religiosa. E enfatizava, na linha da filologia semítica e das teorias raciais do século XIX, que a diferença entre judeus e arianos era estritamente racial.
Assimilar os judeus na cultura europeia
O antissemitismo científico insistia em que os judeus seriam diferentes dos cristãos europeus. Que, de fato, os judeus absolutamente não seriam europeus, e que a presença deles na Europa seria a causa do antissemitismo. A razão pela qual os judeus causariam tantos problemas aos cristãos europeus teria a ver com a sempre repetida “ausência de raízes”, que não tinham pátria e, portanto, nenhuma lealdade a pátria alguma. No período romântico dos nacionalismos europeus, os antissemitas diziam que os judeus não teriam lugar nas novas configurações nacionais, e minariam a pureza racial e nacional essencial na maioria dos nacionalismos europeus. Por isso, se os judeus permanecessem na Europa – argumentavam os antissemitas – só gerariam hostilidade entre os cristãos europeus. A única solução seria os judeus deixarem a Europa e terem pátria própria.
Desnecessário dizer que os judeus religiosos e seculares sempre se opuseram a essa horrenda linha de pensamento antissemita. Judeus ortodoxos e reformistas, judeus socialistas e judeus comunistas, judeus cosmopolitas e judeus Yiddishkeit culturais todos concordavam que aí estava uma perigosa ideologia de hostilização que visava a expulsar os judeus de seus respectivos países europeus.
O Iluminismo Judeu (Haskalah), que também emergiu no século XIX, buscou assimilar os judeus na cultura secular europeia, induzindo-os a abandonar sua cultura judaica. Foi esse Iluminismo Judeu que tentou quebrar a hegemonia dos rabinos judeus ortodoxos no “Ostjuden” do shtetl leste-europeu, propondo um rompimento com o que era visto como uma cultura judaica “medieval”, em favor da moderna cultura secular dos cristãos europeus. A reforma do judaísmo, para convertê-lo em variante assemelhada a um cristianismo-protestantismo judeu, emergiria do fundo do Iluminismo Judeu. Mas esse programa visava a integrar os judeus na modernidade europeia, não a expulsá-los para longe da geografia da Europa.
Quando surgiu o sionismo, 15 anos depois da publicação da plataforma-programa antissemita de Marr, ele incorporaria todas essas ideias anti-judeus, inclusive o antissemitismo científico.
Theodor Herzl
Para o sionismo, os judeus seriam “semitas”, descendentes dos antigos hebreus. No seu panfleto de fundação, O Estado Judeu [Der Judenstaat], Herzl explicava que seriam os judeus, não seus inimigos cristãos, os que “causavam” o antissemitismo; e que “onde [o antissemitismo] não existe, para lá os judeus o levam no curso de suas migrações”. Que “os infortunados judeus estão nesse momento levando as sementes do antissemitismo para a Inglaterra; já o introduziram nos EUA”; que os judeus seriam “uma nação” que devia deixar a Europa, para restaurar a própria “nacionalidade” na Palestina ou na Argentina; que os judeus deveriam copiar os cristãos europeus em termos culturais e abandonar suas línguas e tradições em favor das modernas línguas europeias, ou restaurar a própria antiga língua nacional. Herzl preferia que todos os judeus adotassem o alemão, como idioma; mas os sionistas do leste da Europa preferiram o hebraico. Os sionistas depois de Herzl decidiram e afirmaram que os judeus seriam racialmente diferentes dos arianos. Quanto ao iídiche,  a língua viva da maioria dos judeus europeus, todos os sionistas concordavam que tinha de ser esquecida para sempre.
A maioria dos judeus continuou a resistir contra o sionismo e via seus preceitos como antissemitismo e como continuação do esforço do Iluminismo Judeu para apagar a cultura judaica e assimilar os judeus na cultura laica europeia, com a diferença de que o sionismo queria os judeus longe da Europa, em ponto geograficamente distante, depois de expulsos da Europa.
O Bund – Sindicato Geral do Trabalho Judeu na Lituânia, Polônia, e na Rússia – que foi fundado em Vilna no início de outubro de 1897, poucas semanas depois do 1º Congresso Sionista em Basel, no final de agosto de 1897, viria a ser o mais empenhado inimigo do sionismo. O Bund uniu-se à coalizão já existente de judeus contra o sionismo, de rabinos ortodoxos e reformistas, que já unira forças alguns meses antes para impedir que Herzl realizasse o primeiro congresso sionista em Munique; por isso o congresso foi transferido para Basel. Os judeus antissionistas, e os antissionistas em geral, em toda a Europa e nos EUA, contavam com o apoio da maioria dos judeus, que, já bem entrados os anos 1940s, continuavam a ver o sionismo como movimento anti-judeus.
A coalizão antissemita de entusiastas sionistas
Percebendo que seu plano para o futuro dos judeus europeus seguia de perto os antissemitas, Herzl arquitetou uma precoce aliança estratégica com os antissemitas. Em O Estado Judeu, Herzl diz que “Os governos e todos os países acusados de antissemitismo muito se interessarão por nos ajudar a obter a soberania que desejamos”.
Vyacheslav von Plehve
Acrescentava que todos deviam contribuir, “não apenas os judeus pobres”, para um fundo de imigração para judeus europeus; que devem contribuir também “todos os que querem ver-se livres dos judeus”. No seu Diário, Herzl anotou sem arrependimentos, que “Os antissemitas serão nossos mais confiáveis amigos. Os países antissemitas serão nossos aliados”. Assim, em 1903, Herzl começou a reunir-se com os mais infames antissemitas, como o ministro do Interior da Rússia, Vyacheslav von Plehve, que supervisionou os pogroms contra judeus na Rússia. Herzl procurou ativamente essa aliança. Não foi absolutamente “por coincidência”, que o antissemita Lord Balfour, primeiro-ministro britânico em 1905, tenha feito aprovar em seu governo a “Lei dos Estrangeiros”, que impedia que judeus do leste europeu fugissem dos pogroms russos para a Inglaterra. Balfour declarou que a proibição salvaria a Inglaterra do “mal absoluto” que seria “uma onda de imigração predominantemente de judeus”. A infame declaração de Balfour, de 1917, para criar na Palestina “um lar nacional” para o “povo judeu” visava, dentre outros objetivos, a minar o apoio dos judeus à Revolução Russa e a cortar o fluxo de novas ondas de imigrantes judeus para a Grã-Bretanha.
Os nazistas não seriam exceção nessa cadeia de sionistas antissemitas
Os sionistas também construíram acordo com os nazistas, bem no início da história do sionismo. Em 1933, o infame Acordo de Transferência (Ha’avara) foi assinado entre os sionistas e o governo nazista, para facilitar a transferência de judeus alemães e suas propriedades para a Palestina; esse acordo quebrou o boicote internacional dos judeus, contra a Alemanha Nazista, iniciado por judeus norte-americanos.
E foi nesse espírito também que emissários nazistas foram enviados à Palestina, para relatar os sucessos da colonização judaica do país. Adolf Eichmann retornou de sua viagem à Palestina em 1937, cheio de histórias fantásticas sobre as realizações do  Ashkenazi Kibbutz, racialmente separatista, um dos que visitou no Monte Carmelo, como convidado dos sionistas.
Contra forte oposição da maioria dos judeus alemães, a Federação Sionista da Alemanha foi o único grupo judeu que apoiou as Leis de Nuremberg de 1935. Concordavam com os nazistas: judeus e arianos eram raças separadas e separáveis. Esse apoio nada teve de tático: foi apoio nascido de afinidades e semelhanças ideológicas. A Solução Final dos nazistas foi cerebrada, de início, para expulsar os judeus alemães para Madagascar. O objetivo partilhado de expulsar os judeus para fora da Europa, como raça inassimilável, gerou a afinidade, que sempre existiu, entre os nazistas e os sionistas.
Enquanto a maioria dos judeus continuava a resistir contra a base antissemita do sionismo e suas alianças antissemitas, o genocídio nazista não matava apenas 90% dos judeus europeus. No processo, matou também a maioria dos judeus inimigos do sionismo. Morreram, precisamente, porque se recusaram a obedecer à palavra de ordem dos sionistas, para que abandonassem suas casas e seus países de nascimento.
Depois da Guerra, nem o horror do holocausto de judeus impediu que países europeus continuassem a apoiar o programa antissemita do sionismo. Ao contrário: esses países partilhavam, com os nazistas, uma predileção pelo sionismo. Opuseram-se exclusivamente ao genocídio programado concebido pelos nazistas. Países europeus, tanto quanto os EUA, recusaram-se a receber centenas de milhares de judeus sobreviventes do holocausto. Esses países, até, votaram contra uma resolução da ONU, apresentada pelos Estados árabes, em 1947, que os conclamava a receber judeus sobreviventes. Esses mesmos países apoiariam, em seguida, em novembro de 1947, o Plano de Partição da ONU, para criar um estado judeu na Palestina, para onde pudessem ser descartados aqueles indesejados refugiados judeus
 
As políticas pró-sionistas dos nazistas
Os EUA e países europeus, inclusive a Alemanha, dariam prosseguimento às políticas pró-sionistas dos nazistas. Governos pós-guerra da Alemanha Ocidental que se apresentaram para abrir nova página no relacionamento com os judeus, não fizeram, de fato, coisa alguma nessa direção. Desde que o país foi criado, depois da 2ª Guerra Mundial, todos os governos da Alemanha Ocidental (e, depois, todos os governos alemães a partir da unificação, em 1990) mantiveram, sem qualquer alteração, as políticas nazistas pró-sionistas. Jamais houve qualquer tipo de afastamento, entre os recentes governos alemães e os nazistas pró-sionistas. A única coisa que já não se vê é o ódio declarado aos judeus, com fundamento genocida racial, que o nazismo consagrou. Mas persiste, inalterado, o desejo de ver os judeus em “país próprio”, em algum ponto da Ásia, bem longe da Europa. De fato, os alemães assim explicam a quantidade de dinheiro que enviavam a Israel, para, como diziam, ajudar a pagar os custos de realocar, lá, os refugiados judeus.
Depois da 2ª Guerra Mundial, emergiu um novo consenso nos EUA e na Europa, segundo o qual os judeus teriam de integrar-se postumamente à europeidade branca; o horror do holocausto de judeus já era, então, horror ante o assassinado de europeus brancos. Desde os anos 1960s, os filmes de Hollywood sobre o holocausto de judeus passaram a mostrar os judeus vítimas do nazismo como infalivelmente brancos, como cristãos de classe média, letrados, bem educados, em nada diferentes dos cristãos europeus e norte-americanos os quais deveriam, como aconteceu, identificar-se com eles. Se os filmes mostrassem os judeus religiosos pobres da Europa Ocidental (e muitos judeus do Leste da Europa mortos pelos nazistas eram pobres e muitos eram religiosos), os cristãos brancos dificilmente veriam qualquer traço comum entre aqueles judeus e eles próprios.
Portanto, o horror europeu cristão pós-holocausto e genocídio de judeus europeus não se baseou no horror ante o massacre de milhões de pessoas diferentes dos cristãos europeus, mas, isso sim, se baseou no horror ante o assassinato de pessoas em tudo idênticas aos cristãos europeus.
Só isso explica que nos EUA, país que nada teve a ver com o massacre de judeus europeus, haja mais de 40 memoriais do holocausto de judeus e um grande museu dos judeus assassinados da Europa… mas não haja um único memorial do holocausto de populações nativas da América do Norte, ou do holocausto de afro-norte-americanos, pelos quais os EUA são diretamente responsáveis.
Aimé Césaire compreendeu muito bem esse processo. Em seu famoso discurso sobre o colonialismo, disse que a visão retrospectiva dos cristãos europeus sobre o nazismo é que:
Aimé Césaire
… é barbárie, mas a barbárie suprema, a coroação da barbárie, que soma todas as barbáries e barbarismos diários; é o nazismo, sim, mas porque, antes de tudo, as vítimas foram europeus. Mas antes, de serem suas vítimas, os europeus haviam sido seus cúmplices; e então eles toleraram o nazismo, antes que se virasse contra eles mesmos, eles já o haviam absolvido antes, fecharam os olhos, o legitimaram, porque, até ali, só se aplicara contra povos não europeus. Eles cultivaram o nazismo, responsabilizaram-se pelo nazismo, antes de que o nazismo engolfasse todo o ocidente, as civilizações cristãs, também, no mesmo mar de sangue. O nazismo vaza, estala, ferve em cada fresta do ocidente.
É bem verdade que, para Césaire, as guerras e holocaustos nazistas sempre foram o colonialismo que se atacava, ele mesmo, por dentro. Mas depois que as vítimas do nazismo foram convertidas em europeus brancos sem religião e “reabilitadas”, a Europa e seu cúmplice norte-americano puderam, afinal, dar continuidade à mesma política dos nazistas, de horror praticado contra não brancos em todo o mundo: na Coreia, no Vietnã e na Indochina, na Argélia, na Indonésia, na América Central, na América do Sul, na África do sul e central, na Palestina, no Irã e no Iraque e no Afeganistão.
A reabilitação dos judeus europeus depois da 2ª Guerra Mundial foi parte crucialmente importante da propaganda da Guerra Fria. Com os cientistas sociais e ideólogos norte-americanos ocupados em desenvolver a teoria do “totalitarismo” – segundo a qual o Comunismo Soviético e o Nazismo seriam essencialmente o mesmo tipo de regime – os judeus europeus, vítimas de um regime totalitário, passaram a ser item central do show de atrocidades que, para a propaganda dos EUA e da Europa Ocidental, seriam “provas” das atrocidades que o regime soviético estaria cometendo nos períodos pré e pós guerra. Parte da mesma propaganda foi Israel saltar para o mesmo vagão de propaganda e pôr-se acusar os soviéticos de antissemitismo, porque estariam impedindo judeus soviéticos de se autoexpulsar da própria terra e partir para Israel  
 
Compromisso com o suprematismo branco
Assim se preservou o compromisso de europeus e dos EUA com o suprematismo branco – exceto que passou a incluir os judeus entre os povos “brancos”- e numa civilização que passou a ser chamada “judeu-cristã”. As políticas europeias e norte-americanas depois da 2ª Guerra Mundial, que continuaram inspiradas no racismo e alimentadoras de racismo contra os povos nativos da América do Norte, contra africanos, asiáticos, árabes e muçulmanos continuaram a garantir apoio ao projeto antissemita de “converter” os judeus em brancos, num estado colonial, de ocupação, bem longe da Europa. E ali prosseguiram as políticas antissemitas que prevaleciam na Europa e nos EUA antes da 2ª Guerra.
De diferente, que grande parte do veneno racista antissemita, em Israel, seria dirigido contra árabes e muçulmanos (os mesmos que são cidadãos e imigrantes na Europa e nos EUA, e os que vivem na Ásia e na África). E assim pôde prosseguir, sem qualquer adversário, o apoio dos antissemitas ao sionismo racista.
Na Hungria, 100 mil judeus assustados com racismo
A aliança que uniu a Alemanha Ocidental, o sionismo e Israel, depois da 2ª Guerra Mundial, e que forneceu gigantesca ajuda econômica a Israel nos anos 1950s e ajuda econômica e militar no início dos anos 1960s – inclusive tanques, que Israel usou para matar palestinos e outros árabes – é continuação da aliança que o governo nazista firmara com os sionistas nos anos 1930s.
Ehud Barak
Nos anos 1960s, a Alemanha Ocidental deu até treinamento militar aos soldados israelenses, e desde os anos 1970s também fornece submarinos “nuclearizáveis” produzidos na Alemanha, com os quais Israel contava para matar ainda mais árabes e muçulmanos.
Em anos mais recentes, Israel armou os submarinos mais modernos, que recebe da Alemanha, com mísseis que transportam ogivas nucleares – o que é do pleno conhecimento do atual governo alemão O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse, em entrevista à revista Der Spiegel, que os alemães devem “orgulhar-se” de ter garantido a existência do estado de Israel “durante muitos anos”. Berlim financiou 1/3 do preço dos submarinos, cerca de 135 milhões de euros (168 milhões de dólares) por submarino, com carência até 2015, para que Israel comece a pagar.
Konrad Adenauer
Isso faz da Alemanha cúmplice no ataque-assalto contra os palestinos; e a preocupação que essa cumplicidade geraria aos governos alemães, hoje, não é maior que a que gerava nos anos 1960s ao chanceler Konrad Adenauer, da Alemanha Ocidental, que disse que “a República Federal não tem, nem o direito, nem qualquer responsabilidade de tomar posição no caso dos refugiados palestinos”. Tudo isso se tem de somar aos bilhões, muitos, que a Alemanha pagou ao governo de Israel como compensação pelo holocausto de judeus, como se Israel e o sionismo fossem vítimas do nazismo. Não são. Na verdade, os nazistas assassinaram judeus antissionistas. O atual governo alemão não dá qualquer importância ao fato de que mesmo os judeus alemães que conseguiram fugir dos nazistas e acabaram na Palestina odiavam o sionismo e o projeto sionista; e que os mesmos judeus eram odiados pelos colonizadores sionistas na Palestina.
Como refugiados alemães nos anos 1930s e 1940s na Palestina recusaram-se a aprender língua hebraica e publicavam meia dúzia de jornais em alemão no país, foram furiosamente atacados pela imprensa em hebraico, inclusive pelo jornal Haaretz, que pregou o fechamento dos jornais dos alemães em 1939 e, outra vez, em 1941.
Colonos sionistas atacaram um café de proprietários alemães em Telavive, porque os proprietários recusavam-se a falar hebraico; e a prefeitura de Telavive ameaçou, em junho de 1944, alguns dos moradores judeus alemães, por organizar, na casa onde viviam, n. 21 da rua Allenby, “festas e bailes inteiramente em alemão, inclusive os programas, o que se opõe ao espírito de nossa cidade” e que tal procedimento “não será tolerado em Telavive”.
Judeus alemães, ou Yekkes, como eram conhecidos na [“comunidade original”] Yishuv, até organizaram uma celebração, no aniversário do Kaiser, em 1941 (para esses e outros detalhes sobre os judeus alemães refugiados na Palestina, ver The Seventh Million, livro de Tom Segev).
Acrescente-se a isso o apoio que a Alemanha deu às políticas israelenses na ONU contra os palestinos, e tem-se o quadro completo. Até o novo memorial do holocausto de judeus construído em Berlim, inaugurado em 2005, mantém o mesmo apartheid racial dos nazistas: esse “Memorial dos Judeus Europeus Assassinados” é dedicado só aos judeus vítimas dos nazistas que ainda devem ser mantidos separados, como Hitler ordenou, dos demais milhões de não judeus que também tombaram vítimas do nazismo. Não surpreende, tampouco, que uma subsidiária da empresa alemã Degussa, que colaborou com os nazistas e produziu o gás Zyklon B que foi usado para matar pessoas nas câmaras de gás, tenha sido contratada para construir o Memorial de 2005: apenas confirma que os que assassinaram judeus na Alemanha no final dos anos 1930s e nos anos 1940s lamentam hoje o que fizeram, porque hoje entendem que judeus são brancos europeus a serem homenageados, e jamais deveriam ter sido mortos, para começar, porque eram brancos.
A política alemã de apoiar Israel na matança de árabes é, sim, profundamente conectada ao antissemitismo, que prossegue e avança, conduzido pelo racismo alemão antimuçulmanos, hoje predominante, que ataca imigrantes muçulmanos.
A tradição euro-norte-americana anti-judeus
O holocausto de judeus matou a maioria dos judeus que combateram e lutaram contra o antissemitismo europeu, e contra um de seus ramos, o sionismo. Mortos aqueles judeus combatentes, os únicos “semitas” sobreviventes que continuam a combater contra o sionismo e seu antissemitismo são os palestinos.
Enquanto Israel ainda insiste que judeus europeus não seriam europeus, não teriam lugar na Europa e devem embarcar para a Palestina, os palestinos sempre disseram e insistiram que o lar e a terra dos judeus europeus são seus respectivos países natais, não a Palestina; e que o colonialismo sionista brota diretamente do antissemitismo dos sionistas colonialistas.
Enquanto o sionismo insiste em que os judeus seriam raça separada dos cristãos europeus, os palestinos insistem que os judeus europeus são europeus e nada têm a ver com a Palestina, o povo palestino ou a cultura palestina. Israel e seus aliados norte-americanos e europeus têm tentado ininterruptamente ao longo dos últimos 65 anos convencer os palestinos de que eles também devem tornar-se antissemitas e acreditar, como os nazistas, Israel e seus aliados antissemitas acreditam, que os judeus seriam raça diferente de todos os povos europeus, que sua “pátria” seria a Palestina e – o mais importante – que Israel falaria por todos os judeus.
A evidência de que, hoje, os maiores blocos de eleitores norte-americanos pró-Israel são os protestantes milenaristas e os imperialistas seculares, demonstra bem claramente a continuidade da mesma tradição euro-norte-americana de perseguição aos judeus, que se estende, no passado, até a Reforma Protestante e o imperialismo do século IXX.
Mas os palestinos jamais se deixaram convencer pelos sionistas e continuam a resistir firmemente contra o antissemitismo.
Os judeus europeus foram transformados em instrumentos de agressão: tornaram-se ferramentas do colonialismo dos colonos israelenses, intimamente associado à discriminação racista…
Israel e seus aliados antissemitas afirmam que Israel seria “o povo judeu”; que as políticas de Israel seriam “judaicas”; que as realizações de Israel seriam realizações “dos judeus” e que quem se atrever a criticar Israel estará criticando “os judeus” e, portanto, estará falando como antissemita.
Só o povo palestino organizou e combate luta incansável contra esse incitamento ao antissemitismo. Os palestinos continuam a afirmar que:
… o governo de Israel não fala por todos os judeus, que não representa todos os judeus e que os crimes coloniais que comete contra o povo palestino são crimes do governo de Israel, não são crimes “do povo judeu.
Por isso o governo de Israel tem de ser criticado, acusado, processado e condenado por crimes de guerra, que comete repetidamente contra o povo palestino.
Não é alguma nova posição palestina: é a mesma posição que os palestinos abraçaram desde a virada do século 20, e continuou ao longo da luta palestina antes da 2ª Guerra Mundial, contra o sionismo. Em discurso que fez na ONU, em 1974, Yasser Arafat destacou todos esses aspectos, com veemência:
Yasser Arafat
Assim como o colonialismo usou impiedosamente os desgraçados, os pobres, os explorados, como mera matéria inerte com a qual construir e levar adiante o colonialismo, assim os judeus europeus, também despossuídos, oprimidos, foram usados a favor do imperialismo mundial e da liderança sionista. Os judeus europeus foram transformados em instrumentos de agressão; tornaram-se ferramentas do colonialismo israelense, intimamente aliado à discriminação racial (…).
A teologia sionista foi usada contra nosso povo palestino: o objetivo não foi só o estabelecimento de um colonialismo de estilo ocidental, mas também o de separar os judeus de suas várias pátrias naturais e produzir, assim, que se tornassem estrangeiros nas suas próprias nações. O sionismo está unido ao antissemitismo nesses objetivos retrógrados e é, quando já tudo se disse e se fez, o verso da mesma moeda de base.
Porque, quando se propõe que os judeus de fé, independente de onde tenham nascido e vivido e habitem, devem abandonar a própria terra nacional, impedidos de viver como iguais com os próprios parceiros de destino e cidadãos não judeus, quando se ouvem essas propostas, o que se está ouvindo é o antissemitismo proposto aos próprios judeus. Quando se propõe que a única solução para o problema judeu seria que os judeus se alienassem das próprias comunidades originais ou nações, das quais foram parte histórica, quando se propõe que os judeus resolvam o problema judeu imigrando de onde nasceram para ocupar, à força, terras que pertencem a outros – quando isso acontece, o que se vê é que aí está exatamente a mesma posição pregada, com insistência, com urgência, contra os judeus, pelos antissemitas.
A reação de Israel, para quem todos os seus críticos seriam antissemitas, pressupõe que os críticos devam crer, necessariamente, que Israel representaria “o povo judeu”. Mas essa alegação, que Israel não se cansa de repetir, de que representaria e falaria por todos os judeus, é, ela mesma, o argumento mais antissemita de todos.
Hoje, Israel e as potências ocidentais obram para elevar o antissemitismo ao plano de princípio internacional, em todos do qual tentam estabelecer pleno consenso. Insistem em que, para que haja paz no Oriente Médio, os palestinos, os árabes e os muçulmanos devem tornar-se, todos, como todo o ocidente branco, também antissemitas; que devem esposar o sionismo e reconhecer todas as condições antissemitas que Israel impõe aos judeus de todo o mundo.
Exceto os regimes árabes ditatoriais e a Autoridade Palestina e sua corte, nesse 65º aniversário da conquista antissemita da Palestina pelos sionistas, que os palestinos chamam de Nakba, o povo palestino e alguns poucos judeus antissionistas ainda resistem e recusam-se a aceitar o incitamento internacional a favor do antissemitismo.
Lembrando a Nakba
Dizem que são, como últimos semitas resistentes, herdeiros das lutas pré-2ª Guerra Mundial, quando judeus e palestinos combateram lado a lado contra o antissemitismo e sua manifestação sionista colonial. Hoje, é essa a resistência, ainda viva, que impede o avanço, até a vitória no Oriente Médio e em todo o mundo, do antissemitismo europeu.

Notas dos tradutores
[1] Sobre isso, há documento impressionante, de 1947, publicado nos EUA: uma carta do rei Abdullah da Jordânia, que deve ser lida nos termos em que o autor expõe a questão, naquele momento histórico. Foi traduzido em 2010, seguindo indicação do Embaixador Arnaldo Carrilho do Brasil.  

[2] Sobre judeus, em todo o mundo, que foram empurrados à força, pelos sionistas, para povoar Israel, ver a “Carta aos norte-americanos”, de 1947, do Rei Abdullah da Jordânia. Ver nota [1] acima.

Joseph Massad, Al-Jazeera, Qatar
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu