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Como é ser um palestino invisível?: 65º aniversário da Nakba

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Faysal Mikdadi

Faysal Mikdadi

Por Faysal Mikdadi.*

“Alguém devia ter caluniado a Josef K., pois sem que ele tivesse feito qualquer mal foi detido certa manhã.”

Assim começa um dos romances ícone do século vinte. Kafka captura de forma maravilhosa o ambiente de seu tempo numa narrativa agônica.

O presidente de Israel e Nobel da Paz Shimon Peres é igualmente brilhante quando cria uma ficção que captura a atmosfera dos últimos sessenta e cinco anos. Numa entrevista recente, falando sobre o aniversário número 65 de Israel, ele falou o seguinte:

“Lembro de como tudo começou. O Estado de Israel inteiro é só um milímetro de todo Oriente Médio. Um erro estatístico, terra estéril e decepcionante, pântanos no norte, deserto no sul, duas lagoas, uma morta e a outra, um rio superestimado. Não havia recursos naturais, além da malária. Não havia nada. E agora temos a melhor agricultura do mundo. Isto é um milagre: uma terra construída por gente”.  (Maariv, 14 de abril de 2013).

Eu, também celebrando meu aniversário sessenta e cinco, fiquei muito surpreso quando descobri que, junto com uns doze milhões de palestinos, nunca tinha existido.

Estou contente por ter ouvido que Palestina era “uma terra sem povo que foi dada a um povo sem terra”.

Estou contente porque tudo o que deu errado na minha vida agora pode ser apagado num ato de mágica, porque cada um dos palestinos que conheci foi, presumivelmente, uma invenção da minha imaginação. O que eu não sabia era que sendo eu palestino também não existo.

É maravilhoso ser invisível. Quando minha esposa casou comigo, se casou com uma imagem. Quando meus filhos nasceram, se relacionaram com um personagem de ficção. Minha educação espantosa e horrível em Beirute tornou-se agradável de repente porque nunca estive ali como para me sentir tão aflito.

Essa época da minha adolescência, quando criticava fortemente o coitado do meu pai por nunca entender meu ponto de vista, devo tê-la imaginado porque nunca existiu.

Em 1967, quando chorei pela morte de amigos palestinos, derramei lágrimas sem sentido porque estes amigos, segundo o senhor, Mr. Presidente, nunca existiram – a não ser que fossem parte da única vida existente na Palestina: parasitas protozoários de malária.

Tantos e tantos rostos que passam por mim enquanto evoco os sessenta e cinco anos foram um grande invento da minha não existente e criativa mente palestina. Minha primeira namorada palestina foi um belo fantasma com uma grande capacidade de amar.

Todas essas histórias de criança, que parecem vagamente familiares, devem ter acontecido em Chicago ou Argentina, já que Nablus, Tulkarem, Jerusalém, Haifa, Yafa, Belém, Nazaré, Netânia e outros lugares, ficção pura, habitados por não pessoas, aparte, obviamente de uns poucos doentes de malária que  por ali passavam – não palestinos – mas protozoários.

Me lembro de ter lido poesia palestina –ou estou imaginando essas melífluas linhas que nunca existiram?

Lógico que minhas perguntas não fazem sentido e são uma perda de tempo, porque por  ter vindo de um país vazio, fica claro que não estou escrevendo este texto.

Teve que ser um judeu de cultura germânica, que morava numa cidade tcheca, quem escrevesse o romance agônico do século passado.

Teve que ser um judeu polonês – nascido em Wolozyn, Polônia  (agora Valozhyn, Bielorrúsia) que mora na Palestina, quem nos dissesse que ele se lembra da sua chegada a uma terra vazia transformada num paraíso através do trabalho árduo. Bela história! Nem sequer Shimon Peres existia de verdade quando nasceu porque o bebê polonês era Shimon Perski.

Não é raro que os assentamentos judeus possam seguir sendo construídos em terras palestinas.  Qual é o problema? Não tem ninguém além de umas poucas pedras, algumas plantas selvagens e lembranças fabricadas.

E, Mr. Presidente, precisa-se de um escritor palestino educado numa cidade que seu exército quase arrasou e que agora mora numa cidade britânica, para mostrar as suas desculpas esfarrapadas por ter se apoderado de terras palestinas de palestinos não existentes.

E seu governo nos diz, Mr. Presidente, que o senhor quer fazer a paz conosco palestinos. Como?  Nós não existimos… O senhor até disse que estaria disposto a trocar terra por paz. Que pedaço? O pântano?  A lagoa morta?  A área infectada pela malária? O deserto?

Tenhamos uma conversa invisível sobre a paz. Estou disposto a conviver com o senhor. Juntos podemos transformar o pântano agoniado pela malária palestina no paraíso bíblico que nunca foi.

Feliz aniversário, Mr. Presidente.

Caminhada pela praia, do não existente palestino Faysal Mikdadi.

Caminhada pela praia, do não existente palestino Faysal Mikdadi.

 Tradução: América Latina Palavra Viva

*Faysal Mikdadi é escritor.

¿Cómo es ser un palestino invisible?: 65º aniversario de la Nakba

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Faysal Mikdadi

Faysal Mikdadi

Por Faysal Mikdadi.*

“Alguien tenía que haber calumniado a Josef K., pues fue detenido una mañana sin haber hecho nada malo”.

Así empieza una de las novelas ícono del siglo veinte. Kafka captura maravillosamente el ambiente de su tiempo en una narrativa agónica.

El presidente de Israel y Nobel de la Paz Shimon Peres es igualmente brillante al crear una ficción que captura la atmósfera de los últimos sesenta y cinco años. En una entrevista reciente, hablando sobre el cumpleaños número 65 de Israel, dijo lo siguiente:

“Me acuerdo de cómo empezó todo. El Estado de Israel entero es sólo un milímetro de Oriente Medio. Un error estadístico, tierra estéril y decepcionante, pantanos en el norte, desierto en el sur, dos lagos, uno muerto y el otro, un río sobreestimado. No había recursos naturales, aparte de la malaria. No había nada. Y ahora tenemos la mejor agricultura del mundo. Esto es un milagro: una tierra construida por gente”.  (Maariv, 14 de abril de 2013).

Yo, también celebrando mi aniversario sesenta y cinco, quedé muy sorprendido al descubrir que, junto con unos doce millones de palestinos, nunca había existido.

Estoy contento por haber escuchado que Palestina era “una tierra sin pueblo que fue dada a un pueblo sin tierra”.

Estoy contento porque todo lo que salió mal en mi vida ahora puede ser borrado en un pase de magia, porque cada uno de los palestinos que he conocido fue, presumiblemente, una invención de mi imaginación. Lo que yo no sabía era que siendo yo palestino tampoco he existido.

Es maravilloso ser invisible. Cuando mi esposa se casó conmigo, se casó con una imagen. Cuando mis hijos nacieron, se relacionaron con un personaje de ficción. Mi educación espantosa y horripilante en Beirut se tornó agradable de repente porque nunca estuve allí como para sentirme tan abatido.

Esa época de mi adolescencia, cuando despotricaba y criticaba a mi pobre padre por no entender nunca mi punto de vista, me la debo haber imaginado porque nunca existió.

En 1967, cuando lloré por la muerte de amigos palestinos, derramé lágrimas sin sentido porque estos amigos, según usted, Mr. Presidente, nunca existieron – a no ser que fueran parte de la única vida existente en Palestina: parásitos protozoos de malaria.

Tantos y tantos rostros que pasan por mí mientras repaso los sesenta y cinco años fueron un gran invento de mi no existente y creativa mente palestina. Mi primera novia palestina fue un bello fantasma con una gran capacidad de amar.

Todos esos cuentos de niños, que suenan vagamente familiares, deben haber sucedido en Chicago o Argentina, ya que Nablus, Tulkarem, Jerusalén, Haifa, Yafa, Belén, Nazaré, Netania y otros lugares, ficción pura, habitados por no personas, aparte, por supuesto de unos pocos enfermos de malaria que pasaban por ahí – no palestinos sino protozoos.

Me acuerdo de haber leído poesía palestina – ¿o me estoy imaginando esas melifluas líneas que nunca existieron?

Lógico que mis preguntas no tienen sentido y son una pérdida de tiempo, porque por haber venido de un país vacío, queda claro que no estoy escribiendo este texto.

Tuvo que ser un judío de cultura germánica, que vivía en una ciudad checa, quien escribiera la novela agónica del siglo pasado.

Tuvo que ser un judío polaco – nacido en Wolozyn, Polonia  (ahora Valozhyn en Bielorrusia) que vive en Palestina, quien nos dijera que él recuerda su llegada a una tierra vacía transformada en un paraíso a través de un arduo trabajo. ¡Bella historia! Ni siquiera Shimon Peres existía de verdad cuando nació, porque el bebé polaco era Shimon Perski.

No es de extrañarse que los asentamientos judíos puedan seguir siendo construidos en tierras palestinas. ¿Cuál es el problema? No hay nadie además de unas pocas piedras, algunas plantas salvajes y recuerdos fabricados.

Y, Mr. Presidente, se necesita un escritor palestino educado en una ciudad que su ejército casi arrasó y que ahora vive en una ciudad británica,  para mostrar sus excusas prefabricadas por haberse apoderado de tierras palestinas de palestinos no existentes.

Y su gobierno nos dice, Mr. Presidente, que usted quiere hacer la paz con nosotros palestinos. ¿Cómo?  Nosotros no existimos… Usted hasta dijo que estaría dispuesto a cambiar tierra por paz. ¿Qué pedazo? ¿El pantano? ¿El lago muerto? ¿El área infectada por malaria? ¿El desierto?

Tengamos una conversación invisible sobre la paz. Estoy dispuesto a convivir con usted. Juntos podemos transformar el pantano agobiado de malaria palestina en el paraíso bíblico que nunca fue.

Feliz cumpleaños, Mr. Presidente.

Caminata por la playa, del no existente palestino Faysal Mikdadi.

Caminata por la playa, del no existente palestino Faysal Mikdadi.

 Traducción: América Latina Palabra Viva

* Faysal Mikdadi es escritor.

Florianópolis: Dia do Nakba – Solidariedade com o povo palestino

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Filme ´Ocupação 101-A Voz da Maioria Silenciada´

Terça-feira 14 de maio 2013
19:00-22:00
Mini auditório, Sala 328, Bloco B
CFH – UFSC
Florianópolis

No próximo 14 de maio (terça-feira), convidamos a todos para lembrar o “Dia de Nakba” (catástrofe), do povo Palestino e assistir ao documentário ´Ocupação 101-A Voz da Maioria Silenciada´, que será seguido de um debate sobre a causa palestina.

O dia 15 de maio 2013 marcará o 65º aniversario da criação do estado do Israel, que significou a expulsão de 700 mil palestinos, que foram feitos refugiados, além da destruição e confiscação de 500 aldeias e povoados e a ocupação de toda a Palestina histórica (menos a faixa de Gaza e Cisjordânia que foram subsequentemente ocupados por Israel em 1967). Para lembrar desse dia trágico para o povo palestino, convidamos a todos para assistir Ocupação 101, filme premiado, que explora o contexto histórico da causa palestina e demonstra a situação terrível deste povo hoje em dia.

Jornalista israelense: atirar pedras é o direito de qualquer um submetido à dominação estrangeira

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Por Amira Hass.*

Faria perfeito sentido se as escolas palestinas dessem aulas de Resistência: como construir vilas tipo “torre e ataque” (orig. “tower and stockage” [1]) na Área C; como agir quando soldados armados invadem sua casa; como identificar soldados, quando jogam você de barriga no fundo do jipe, mãos algemadas às costas, para acusá-lo de qualquer coisa.

Atirar pedras é direito, por nascimento e por dever, de qualquer ser humano submetido a governo ocupante. Atirar pedras é ação, tanto quanto é também metáfora, da Resistência. Perseguir atiradores de pedras de oito anos de idade é parte constitutiva – embora ninguém diga – da violência que se deve esperar de potência ocupante, tanto quanto o assassinato, a tortura, o roubo de terras, restrições ao ir e vir e distribuição desigual das fontes de água.

A violência de soldados de 19 anos, de seus comandantes de 45, dos burocratas, juízes e advogados de Israel é ditada pela realidade. O trabalho deles é proteger os frutos da violência que chega com a própria ocupação de terra alheia: seus recursos, lucros, poder e privilégios.

Handala por Naji Al Ali.

Handala por Naji Al Ali.

O Fincar-pé (Sumud) e a Resistência contra a violência física e ainda mais contra a violência sistêmica, institucionalizada, é a palavra-de-ordem núcleo na sintaxe interna dos palestinos em sua terra.

Vê-se no dia a dia, a toda hora, a cada momento, sem pausa. Infelizmente, é verdade não só na Cisjordânia (incluindo Jerusalém Leste) e em Gaza, mas também dentro das “fronteiras” fantasiadas de Israel, embora a violência e a resistência contra a violência manifestem-se sob formas diferentes. Mas dos dois lados da Linha Verde, os níveis de desespero, sufocação, amargura, ansiedade e ira só fazem subir, como também sobe a certeza de que é infinita a cegueira dos israelenses que creem que a própria violência permaneceria para sempre sob controle e sem revide.

Não raras vezes, jogam-se pedras por tédio, por excesso de hormônios juvenis, para imitar outros, para “aparecer”, para competir. Mas na sintaxe interna do relacionamento entre ocupante e ocupado, jogar-pedras é adjetivo que sempre acompanha o sujeito de “Basta! Basta de vocês, ocupantes de terra roubada”.

Afinal, adolescentes sempre poderiam encontrar outros meios para dar vazão ao calor dos próprios hormônios, sem arriscarem-se a ser presos, multados, mutilados e mortos.

Ainda que seja direito e dever, várias modalidades de fincar-pé e resistir contra estado ocupante, além das regras e limitações dessa luta, bem poderiam ser ensinadas em escolas e aprimoradas.

Dentre as limitações, ensinar a distinguir ocupantes armados e civis desarmados; distinguir entre crianças e soldados. E também se deveria ensinar que nunca, em nenhum caso, se deve empunhar armas contra outros seres humanos. Mas pedras, sim, em circunstâncias desesperadas de ocupação.

Estudar comparativamente diferentes lutas em diferentes países contra o colonialismo; como usar uma câmera de vídeo para documentar a violência do estado ocupante e de seus representantes; métodos para cansar o sistema militar e seus representantes; um dia de trabalho nas terras além do muro da vergonha; treinamento para observar e não esquecer detalhes que permitam identificar os soldados que jogam você de barriga no fundo do jipe, mãos algemadas às costas; conhecer os direitos dos prisioneiros e saber que é indispensável agarrar-se a eles e repeti-los sem parar em tempo real; treinamento para não se intimidar ante o interrogador; e aulas de organização de massa para fazer-ser o direito de andar por onde cada um deseje andar na própria terra. De fato, também os palestinos adultos teriam a ganhar com aulas desse tipo, que substituiriam com vantagem as manifestações; em vez de convocar protestos, aulas para aprender a fazer correr e dispersar soldados. E muito treinamento em análise e identificação de postados no Facebook.

Quando, há dois anos, alunos de ginásio na Palestina passaram a receber treinamento para promover a campanha de boicote aos produtos das colônias, chegou a parecer que se andava afinal em direção produtiva. Mas parou ali, sem ampliar o conceito e a ideia. Lições desse tipo estariam em perfeita harmonia com as táticas que a ONU aceita e prestigia em populações sob ataque – desobediência civil em campo e oposição diplomática à potência ocupante.

Por tudo isso, por que essas aulas não existem no currículo das escolas palestinas? Parte da explicação está na oposição dos estados que doam fundos para manter as escolas, e nas medidas de punição violenta do governo israelense. Mas há muito de inércia, de preguiça, de raciocínio desviante, de falta de compreensão; e, afinal de contas, também há palestinos que lucram com o status quo.

O pior efeito da existência da Autoridade Palestina é que gerou uma regra básica, a única imperante nos últimos 20 anos: os palestinos têm de adaptar-se à atual situação.

Assim, precisamente, se criou uma contradição e o choque, entre a sintaxe interna da Autoridade Palestina e a sintaxe interna do povo palestino.

Nota dos tradutores

[1] Acampamentos fortificados, construções de campanha, que os terroristas sionistas construíam, no assalto à Palestina, entre 1936 e 1939. Há um museu dedicado a essas construções sionistas, em Haifa. Imagens em: “The Tower and Stockade Museum in Hanita”.

*Amira Hass é jornalista. Nasceu em Israel, trabalha e mora na Cisjordânia.

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu.

Fonte: http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/05/a-sintaxe-interna-da-pedrada-como.html

Periodista israelí: lanzar piedras es el derecho de cualquiera sometido a una dominación extranjera

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piedrasPor Amira Hass.*

El lanzamiento de piedras es el derecho básico y el deber de cualquier persona sometida por un régimen extranjero. El lanzamiento de piedras es una metáfora de resistencia. La persecución de lanzadores de piedras, incluidos niños de 8 años, es una parte inseparable –aunque no siempre se dice claramente– de los requisitos laborales del régimen extranjero, no menos que los disparos, la tortura, el robo de tierras, las restricciones de movimientos y la distribución desigual de los recursos acuáticos.

La violencia de soldados de 19 años, de sus comandantes de 45 años y de los burócratas, juristas y abogados es dictada por la realidad. Su tarea es proteger los frutos de la violencia representados por la ocupación extranjera, recursos, beneficios, poder y privilegios.

Firmeza (sumud) y resistencia contra la violencia física, y aún más la sistémica, institucionalizada, es la expresión central de la sintaxis interior de los palestinos en este país. Esto se refleja cada día, cada hora, cada momento, sin pausa. Por desgracia, esto vale no solo en Cisjordania (incluido Jerusalén Este) y Gaza, sino también dentro de las fronteras reconocidas de Israel, aunque la violencia y la resistencia contra el ocupante se expresan de formas diferentes. Pero a ambos lados de la Línea Verde, los niveles de angustia, asfixia, amargura, ansiedad e ira aumentan continuamente, como la sorpresa ante la ceguera de los israelíes al creer que su violencia puede mantener su control para siempre.

A menudo el lanzamiento de piedras resulta del aburrimiento, hormonas excesivas, imitación, bravatas y competencia. Pero en la sintaxis interior de la relación entre el ocupante y los ocupados, el lanzamiento de piedras es el adjetivo agregado al sujeto de “Ya estamos hartos de ustedes, ocupantes”.

Después de todo, los adolescentes podrían encontrar otras formas de dar rienda suelta a sus hormonas sin arriesgar arrestos, multas, heridas y muerte.

Aunque sea un derecho y un deber, las diversas formas de firmeza y de resistencia contra el régimen extranjero, así como sus reglas y limitaciones, deberían enseñarse y desarrollarse. Las limitaciones podrían incluir la distinción entre civiles y los que portan armas, entre niños y uniformados, así como las fallas y estrechez de miras del uso de las armas.

Tendría sentido que las escuelas palestinas introdujeran clases básicas de resistencia: cómo construir múltiples aldeas de “torres y recintos cerrados” en el Área C; cómo comportarse cuando las tropas del ejército entran en las casas; comparación de diferentes luchas contra el colonialismo en diferentes países; cómo utilizar una cámara de vídeo para documentar la violencia de los representantes del régimen; métodos para agotar el sistema militar y a sus representantes; un día de trabajo semanal en las tierras más allá de la barrera de separación; cómo recordar detalles identificadores de soldados que te lanzan esposado al piso del jeep, a fin de presentar una queja; los derechos de los detenidos y cómo insistir en ellos en tiempo real; cómo superar el temor a los interrogadores; y esfuerzos de masas para ejercer el derecho de movimiento. Pensándolo bien, los adultos palestinos también podrían aprovechar esas lecciones, tal vez en lugar de sus ejercicios, entrenamiento en la dispersión de manifestaciones y prácticas de espionaje de publicaciones en Facebook.

Cuando hace dos años alistaron a estudiantes de secundaria para la campaña de boicot de productos de las colonias, parecía una acción en la dirección correcta. Pero se detuvo allí, sin ir más lejos, sin ampliar el contexto. Semejantes lecciones habrían estado perfectamente ajustadas a las tácticas de apelar a las Naciones Unidas, desobediencia civil en el terreno y desafío al poder en la diplomacia.

¿Por qué entonces no existen clases semejantes en el currículo palestino? Parte de la explicación tiene que ver con la oposición de los Estados donantes y las medidas punitivas de Israel. Pero también se debe a inercia, pereza, razonamiento deficiente, malentendidos y ventajas personales para algunas partes de la sociedad. De hecho, la justificación de la existencia de la Autoridad Palestina engendró una regla básica en las últimas dos décadas, adaptación a la situación existente. Por lo tanto se han creado una contradicción y un choque entre la sintaxis interior de la Autoridad Palestina y la del pueblo palestino.

* Amira Hass, periodista, es israelí, vive y trabaja en Cisjordania hace varios años. Ya residió en Gaza y ha sido detenida varias veces por la policía israelí.

Traducción: Germán Leyens.

Publicación original: http://www.haaretz.com/opinion/the-inner-syntax-of-palestinian-stone-throwing.premium-1.513131

Impactante poeta palestina: Nosotros enseñamos vida

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Rafeef Ziadah es la autora e intérprete.

Traducción: Patricia Bobillo Rodríguez.

Gracias a Vanessa Rivera por presentarla.


rafeef
Las tonalidades de la Ira

Traducción: Jorge Sánchez Jiménez y Patricia Bobillo Rodríguez.
Colaboración: José Luis Regojo.

Movimentos sociais pedem a suspensão do acordo com a israelense Elbit Systems e estado brasileiro de RS

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Coordenação dos Movimentos Sociais – CMS do Brasil pede a suspensão do acordo com a Elbit Systemsassinados pelo governo do Rio Grande do Sul e exige um embargo militar imediato a Israel.

CMS em nota divulgada em 02-05-2013 se diz “chocada” com a assinatura do  acordo e pede o fim imediato das relações militares com Israel.

Eis a nota.

Estamos chocados ao ver que o Rio Grande do Sul, que foi apenas há alguns meses a sede do Fórum Social Mundial Palestina Livre, tenha na segunda-feira 29 de abril assinado um acordo para um grande pólo tecnológico baseado nas empresas militares israelenses Elbit Systems e sua subsidiária AEL, já instalada em Porto Alegre. O pólo militar essencialmente israelense vai envolver nossas universidades, institutos de pesquisa governamentais e empresas, ligando todos os elos em cumplicidade com a empresa israelense responsável por crimes de guerra.

Elbit Systems é um símbolo para a ocupação e apartheid israelense, que vive de e abastece a guerra e sistemas de repressão e controle na Palestina e em todo o mundo. Ela produz os drones usados nos ataques contra Gaza e noLíbano e fornece equipamentos para os tanques Merkava israelenses. O Muro do Apartheid de Israel, que isola as comunidades palestinas em guetos murados, tem proporcionado uma enorme fonte de rendas para Elbit e alguns dos assentamentos israelenses ilegais são «segurados» pela tecnologia Elbit. Por isto, tem um apelo ao boicote deElbit na Asamblea da ONUElbit exporta sua tecnologia da repressão, da exclusão e do racismo em todo o mundo, como por exemplo nos EUA, onde está construindo o Muro da Morte ao longo da fronteira para o México.

Apoiamos o chamado palestino por um embargo militar imediato e denunciamos os crescentes laços militares entre Brasil e Israel, acordo após acordo, a nível regional e federal. O Brasil já se tornou o quinto mais importante importador de armas e tecnologia militar israelenses; quase o dobro da quantidade das exportações israelenses para os EUA. A relação privilegiada do Brasil com o complexo militar-industrial de Israel permite a sustentabilidade econômica para a indústria de guerra de Israel, que vive para até 80% sobre das exportações e de investimentos externos.

Este projeto de Rio Grande do Sul leva as relações militares com Israel a um nível completamente novo: se não for parado, irá mover o complexo militar israelense no centro do desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul e da pesquisa e indústria de defesa brasileira. O acordo permite a Elbit de explorar nossos trabalhadores e estudantes e o crescente mercado de armas na América do Sul e contribui ainda mais para a desnacionalização da indústria brasileira e para a dependência de interesses políticos israelenses.

Portanto, apelamos para a interrupção imediata de quaisquer negociações ou ações que implementam este Memorando de Entendimento assinado por Rio Grande do Sul. Defendemos a soberania dos povos e acreditamos que o único desenvolvimento econômico sustentável é aquele que respeita os direitos humanos e justiça social e política. Para atingir este exigimos o fim imediato das relações militares com Israel.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/519969-cms-pede-a-suspensao-do-acordo-com-a-elbit-systems-assinado-pelo-governo-do-rs

Israel socorre Obama, o “Mujahid”

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Obama-bin-ladenPor Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye.

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu.
Bem quanto a encenação da linha vermelha entrava em convulsão febril – mas sempre enterrada na areia – e ele teve de escolher entre os EUA “exercitarem a contenção” ou “envolverem-se diretamente” na guerra síria, o presidente Obama foi salvo pelo governo israelense de Bibi Netanyahu.
 
A tentação de Obama era – oh, que tentação, tão grande – re-representar Ronald Reagan e desfilar gloriosamente sob o manto de Obama, o “Mujahid”, exatamente como Reagan fez nos anos 1980s com seus amados combatentes da liberdade da jihad afegã. Isso terá de esperar – talvez não muito.
 
Os motivos de Israel
Encurtemos a coisa. As bombas de Israel contra instalações do Exército Sírio em Jamraya perto de Damasco são provocação e ato de guerra. Israel agiu como avatar de Washington – que pode ter fornecido a lista de alvos. E Washington – para nem falar daqueles fantoches inúteis em Bruxelas – não condenará o bombardeio, o qual, pela infinitésima vez zomba da lei internacional.
 
Israel insiste que os alvos eram mísseis terra-terra iranianos Fateh-110 que estariam sendo enviados ao Hezbollah. Damasco diz que os alvos foram um instituto militar de tecnologia e áreas de treinamento de tropas; vivem ali vários inquilinos que a CIA muito gostaria de recrutar e pôr a seu serviço. Não há armas químicas em Jamraya. Fontes médicas sírias denunciaram que 42 soldados podem ter sido assassinados no ataque.
 
A ideia de envolver o Hezbollah, como tenta fazer Israel, é fraca. Não há qualquer confirmação de que o Hezbollah tenha comprado Fateh-110’s. Desde 2009, o Hezbollah já tem versões sírias do Fateh-110 – o M600 – com alcance de cerca de 250 km e sistema decente de orientação.
 
A macacada anônima de sempre, citada como “fontes em Washington” insiste que o próprio exército sírio precisa desses mísseis contra as gangues de mercenários armados que se autodescrevem como Exército Sírio Livre. Não faria sentido algum despachar os mísseis para o Líbano.
 
Mas para Israel faz sentido destruir um suprimento de Fateh 110’s – e até de M600’s. 
 
 
Assim, Israel ajuda diretamente o “exército sírio livre”; um de seus porta-vozes, por falar nisso, real ou fake, foi à televisão israelense para elogiar os bombardeios. E Israel, no mínimo, consegue impedir, por hora, que mais mísseis cheguem ao Hezbollah.
 
Fato visível através do denso nevoeiro é que Israel tem um punhado de sérios motivos para, mais uma vez, agir como estado-bandido.
 
Israel anseia por uma Síria fraca, caótica – sem qualquer tecnologia militar avançada. Anseia sobretudo por uma total somalização da Síria – uma distopia de sectarismos. Que melhor pretexto para Israel passar a atacar 24 horas por dia, sete dias da semana, que o terrorismo wahhabi linha duríssima bem ali, próximo às fronteiras (nunca delimitadas) israelenses? Além do mais, Israel sonha com arrastar a Síria, o Hezbollah e afinal o Irã, para a guerra total. Quer o pacote completo – e quanto antes, melhor.
 
Mas Damasco pode jogar xadrez – e não responder. Pelo menos por hora. Ou deixar a resposta por conta do Hezbollah – em futuro próximo.
 
Não é acaso que o bombardeio tenha acontecido depois que:
 
(1) o chefe do Pentágono, Chuck Hagel passou por Israel e pelas petromonarquias do Golfo; depois
(2) que o Exército Sírio avançou nas duas últimas semanas pelo corredor de Homs, contra os mercenários e jihadis financiados por estrangeiros; e depois também
(3) que Hassan Nasrallah, do  Hezbollah, fez viagem “secreta: a Teerã; Nasrallah, que tem aguçada mente geopolítica, disse e repetiu [a toda acomunidade islâmica reunida] que o que “eles” realmente querem é destruir a infraestrutura, a economia e o tecido social da Síria – “destruir a Síria como povo, como exército, como nação”.
 
Se houver outros ataques – e bem pode haver – para destruir os arsenais do exército sírio, virão como presente dos céus para os mercenários/jihadis. Nasrallah está absolutamente correto: o objetivo chave da coalizão “de vontades” CCGOTAN (Conselho de Cooperação do Golfo e OTAN) é tentar arrastar a Síria para guerra total. Ante alguma eventual resposta síria, a “solução” seria arrasar a Síria, à bomba, pelo padrão usado no Iraque.
 
As opções de Obama, o “Mujahid”
Ainda não se sabe se o gambito EUA/Israel dará o resultado esperado. Até aqui, o que fez foi adiar a coroação de Obama, o “Mujahid”.
 
Os mundos abismais da Think-tank-elândia norte-americana ficaram muito, tão OH! TÃO EXCITADOS, com a perspectiva de Obama burlar o Conselho de Segurança (e Rússia e China) ao estilo bushesco e impor uma zona aérea de exclusão sobre a Síria – de modo que os EUA pudessem engajar-se na sempre desejada “campanha de supressão da defesa aérea do inimigo”.
 
Bobagem, embora britânicos e franceses não tenham desistido, dentro da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, onde, de fato, já tentam empurram a OTAN para impor uma zona aérea de exclusão.
 
A zona aérea de exclusão foi introduzida pela imprensa em Washington como meio para neutralizar as armas químicas sírias. O problema é que Washington tem rala ‘inteligência’ sobre onde de fato estão as tais armas químicas. E, para complicar, o mais provável é que as armas químicas tenham sido usadas não pelo governo sírio, mas pelos “rebeldes” – segundo Carla del Ponte, muito conceituada investigadora da ONU.
O governo Obama flerta também com “ajuda letal direta” para os “rebeldes” – mísseis teleguiados antitanques e mísseis terra-ar.
 
Washington crê em seu próprio mito de que já não estaria “indiretamente” envolvida no movimento para armar grupos de oposição na Síria. Desde 2011, as gangues de mercenários ejihadis recebem armas através do mercado negro, arsenais na Líbia e na Croácia. A CIA trabalha mergulhada nisso até o pescoço. Muitas dessas armas já estão em mãos dos jihadis linha duríssima do tipo dos que compõem a [Frente] Jabhat al-Nusra.
 
A noção segundo a qual a CIA tem capacidade para manter armados e sob controle aquelas gangues de mercenários/jihadis a serviço de Washington depois de derrubado o governo do presidente Bashar al-Assad é A PIADA dos primeiros anos do século 21. Basta percorrer a trilha da memória, até o Afeganistão [orig. Just take a trip down memory lane to Afghanistan.  [1]
 
Ou imaginem aqueles McJihadis sírios, ou os mujahidin de YouTube, equipados ao ombro com disparadores portáteis de mísseis termoguiados, espalhando o inferno por todo o sudoeste da Ásia.
 
Assim, depois de muito suar, Obama acabou ficando com coisa bem mais confortável que uma zona aérea de exclusão: ataques a alvos predefinidos – ou com jatos ou com mísseis, e levados a efeito pelos israelenses. O esquemão original poderia ser a Operação Raposa do Deserto [orig. Operation Desert Fox] (o bombardeio ordenado por Bill Clinton contra o Iraque, em 1998.) O objetivo, mandar “mensagem bem clara” à Síria.
 
Os próximos bombardeios visarão aeroportos e pistas de pouso e decolagem, concentrações de aeronaves, mais depósitos de armas, tanques e artilharia. O dano colateral aumentará furiosamente, inevitavelmente, proporcionalmente ao nível da provocação.
 
Bill Richardson, ex-embaixador dos EUA à ONU, íntimo do clã Clinton, já apostou, pela rede ABC News, que Obama “mostra tendência para os ataques aéreos”. Sim. É só o começo. Mini-choques & pavores aguardam.
 
Basta seguir o mapa do caminho
 
A questão é por que demorou tanto. A destruição da Síria – como Nasrallah a conceituou – com o ocidente mais uma vez em colaboração com gangues jihadis, está escrita nas cartas há anos. Vejam como Seymour Hersh delineou-a em 2007. E vejam o quão ansiosamente o establishment bipartidário em Washington espera pela mudança de regime.  
E Damasco, é claro, é só mais uma parada rumo a Teerã. As proverbiais fontes anônimas já vazaram para o Sunday Times de Rupert Murdoch em Londres, que umCrescente de Defesa já se vai tornando realidade.
 
É o mesmo elemento CCG-Israel na coalizão de vontades na Síria, nesse caso organizando a gangue para “conter as ambições nucleares do Irã”. Turquia, a Casa de Saud, os Emirados Árabes Unidos e Israel alegremente festejam em centros de controle e comando conjuntos, para detectar os mísseis balísticos iranianos do mal.
 
Não sei muito de história. Mas que mundo maravilhoso teríamos. Presidente? Obama, o “Mujahid”.
 

 
Nota dos tradutores
[1] A Trip Down Memory Lane é título de um filme canadense, de 1965, 12’40”, categoria “experimental”, uma colagem de imagens e clips de som, só material jornalístico, de mais de 50 anos.

Fonte: http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/05/pepe-escobar-israel-socorre-obama-o.html

Israel rescata al «muyahidín Obama»

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Obama-bin-ladenPor Pepe Escobar.

Precisamente cuando la patraña de la línea roja se ponía al rojo vivo –pero seguía enterrada en la arena– y tenía que escoger entre “ejercer control” o “involucrarse directamente” en la guerra siria, (vea El show de la línea roja Siria-Irán , 3 de mayo de 2013) el presidente fue salvado por el gobierno israelí de Bibi Netanyahu.

La tentación fue irresistible para que Obama copiara a Ronald Reagan y se pusiera gloriosamente el manto de «Obama el muyahidín sirio», como hizo Reagan en los años 80 con sus adorados combatientes por la libertad de la yihad afgana. El asunto tendrá que esperar, tal vez no demasiado.

Los motivos de Israel

Vayamos al grano. El bombardeo israelí de instalaciones del ejército sirio en Jamraya cerca de Damasco es una provocación y un acto de guerra. Israel actuó como testaferro de Washington, que incluso podría haber suministrado la lista de objetivos. Y Washington –no vale la pena hablar de esos inútiles títeres de Bruselas– no condena los bombardeos y por enésima vez se burla del derecho internacional.

Israel insiste en que los objetivos eran misiles tierra a tierra iraníes Fateh-110 de camino a Hizbulá. Damasco dice que los objetivos fueron un instituto de tecnología militar así como campos de entrenamiento de tropas; hay muchos apartamentos cerca, a cuyos habitantes la CIA siempre ha querido reclutar como agentes. No hay armas químicas en Jamraya. Según las fuentes médicas sirias es posible que hayan muerto 42 soldados.

El argumento de Israel con respecto a Hizbulá es tenebroso. No existe confirmación en ningún sitio de que Hizbulá haya comprado misiles Fateh 110. Desde 2009, Hizbulá tiene versiones sirias del Fateh 110, el M600, con un alcance de unos 250 kilómetros y un sistema de guía aceptable.

El cacareo usual de “fuentes” anónimas de Washington insiste en que el propio Ejército Sirio necesita esos misiles contra las tendencias mercenarias armadas del autodenominado Ejército Libre Sirio (ELS). Por lo tanto no tendría sentido enviarlos al Líbano.

Pero para Israel tiene sentido destruir un suministro de Fateh 110, o incluso de M600. Por lo tanto Israel ayuda directamente al ELS; a propósito uno de sus voceros, verdadero o falso, se presentó en la televisión israelí para elogiar a los bombarderos. E Israel impide por lo menos por el momento que lleguen más misiles a Hizbulá.

Cortando a través de la niebla existe el hecho de que Israel tiene muchos motivos serios para volver a delinquir. Ansía una Siria débil, caótica y privada de tecnología militar avanzada. Ansía ante todo una somalización total de Siria, una distopía sectaria. ¿Qué mejor justificación para un Israel en armas siete días a la semana que el terrorismo wahabí de la línea dura al otro lado de sus fronteras (no delimitadas)? Además, Israel quiere arrastrar a Siria, Hizbulá, y en última instancia a Irán a una guerra hecha y derecha. Lo quiere todo y mejor temprano que tarde.

Damasco por su parte puede jugar ajedrez y no reaccionar. Por lo menos de momento. O dejar que Hizbulá responda en el futuro cercano.

No es por accidente que el bombardeo haya tenido lugar después de: 1) El tour del jefe del Pentágono, Chuck Hagel, por Israel y las petromonarquías del Golfo; 2) Los progresos del Ejército Sirio durante las últimas semanas en el corredor de Homs contra los mercenarios/yihadistas patrocinados por el extranjero; 3) el viaje “secreto” a Teherán del Jeque Nasralá de Hizbulá. Posteriormente Nasralá, una refinada mente política, subrayó que lo que “ellos” quieren en realidad es la destrucción de la infraestructura, la economía y el tejido social de Siria para “destruir Siria como pueblo, como ejército, como toda una nación”.

Si hay más ataques –y es muy posible que los haya– para vaciar los arsenales del ejército sirio, serán un regalo providencial para los mercenarios/yihadistas. Nasralá tiene toda la razón cuando dice que el objetivo clave de la coalición de los dispuestos de OTAN-CCG–Israel es arrastrar a Siria a una guerra total. Después de una eventual reacción siria, la “solución” sería someterla a bombardeos masivos como sucedió en Irak.

Las opiniones de «Obama el muyahidín»

Queda por ver si la estrategia estadounidense/israelí tendrá éxito. Lo que logró fue postergar la coronación de Obama el muyahidín.

Los inframundos del EE.UU. de los think-tanks estaban tremendamente excitados ante la perspectiva de que Obama soslayara al Consejo de Seguridad de la ONU (a Rusia y China) al estilo de Bush e impusiera unilateralmente una zona de exclusión aérea en Siria para que EE.UU. pueda involucrarse en la requerida “supresión de la campaña de defensa aérea del enemigo”.

No tiene sentido, aunque los británicos y Francia no han cedido en la Unión Europea y en la OTAN, incluso tratando de hecho de soslayar a la OTAN imponiendo una zona de exclusión aérea.

La zona de exclusión aéresa se presentó en Washington como un medio de controlar las armas químicas de Siria. El problema es que Washington tiene una información pésima de donde se almacenan realmente esas armas químicas. Y para colmo es probable que las armas químicas no hayan sido utilizadas por el gobierno sino por los “rebeldes” – según la investigadora de la ONU Carla del Ponte.

El gobierno de Obama también estaba flirteando con la idea de “ayuda letal directa” a los rebeldes con misiles guiados antitanques y misiles tierra-aire, por ejemplo.

Washington cree su propio mito de que “indirectamente” está involucrado en examinar y armar grupos opositores en Siria. Desde 2011, el armamento de bandas mercenarias/yihadistas sirias se ha contratado a través de arsenales del mercado negro en Libia y en Croacia. La CIA ha estado metida en el asunto hasta el cuello. Muchas de esas armas están ahora en manos de yihadistas de la línea dura del tipo de Jabhat al-Nusra.

La idea de que la CIA es capaz de examinar y armar a esas bandas mercenarias yihadistas en beneficio de Washington después del colapso del gobierno de Bacher el-Asad es «el chiste» de principios del Siglo XXI. Basta recordar el pasado en Afganistán.

O imaginad a esos McYihadistas sirios, o muyahidines de You Tube, equipados con algunos excelentes misiles portátiles guiados por calor, causando estragos en todo el Sudoeste Asiático.

Por lo tanto, después de muchos quejidos, Obama terminó con algo mucho más confortable que una zona de exclusión aérea: ataques selectivos, con jets y/o misiles, perpetrados por los israelíes. El modelo podría ser la «Operación Zorro del Desierto» (el bombardeo de Irak ordenado por Bill Clinton en 1998). El objetivo: “enviar un claro mensaje” a Siria.

Los próximos bombardeos pueden ser contra aeródromos, concentraciones de aviones, depósitos de armas, tanques y artillería. El daño colateral, inevitablemente, aumentará en proporción al nivel de la provocación.

El exembajador de EE.UU. en la ONU, Bill Richardson, muy cercano al clan Clinton, ya ha declarado en ABC News que Obama “se orienta hacia ataques aéreos”. Sí, es solo el comienzo. Y después vendrán los «mini-Conmoción y Pavor.

Seguir la hoja de ruta

La pregunta es por qué tardó tanto. La destrucción de Siria -como señaló el Jeque Nasralá– en la cual Occidente volverá colaborar con bandas yihadistas, está prevista desde hace años. Ved cómoSeymour Hersh la previó en 2007. Y ved con qué ansias el establishment de Washington espera el cambio de régimen .

Y Damasco, por cierto, es solo una parada antes de Teherán. Las proverbiales fuentes anónimas han filtrado al Sunday Times de Londres, propiedad de Rupert Murdoch, que una “Media Luna de la Defensa” se está convirtiendo en realidad.

Es el mismo elemento CCG-Israel en la coalición de los dispuestos en Siria, en este caso confabulado para “contrarrestar las ambiciones nucleares de Irán”. Turquía, la Casa de Saud, los Emiratos Árabes Unidos, Jordania e Israel celebrando alegremente en centros conjuntos de comando y control para detectar malvados misiles balísticos iraníes.

No sé mucho de historia. Pero qué mundo tan maravilloso sería. Presidido por «Obama el muyahidín».

Pepe Escobar es autor de Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War (Nimble Books, 2007) y de Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge. Su libro más reciente es Obama does Globalistan (Nimble Books, 2009). Contacto: pepeasia@yahoo.com

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Fuente: http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MID-01-070513.html

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