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A questão palestina: Cem anos da 1ª Guerra Mundial e da Declaração de Balfour

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Walid Khalidi – Centre for Palestine Studies, SOAS, University of London Primeira Conferência Anual, 6/3/2014 (vídeo 1h 10’ 39” − em inglês) “One Century after WorldWar I and the Balfour Declaration” Traduzido da transcrição pelo pessoal da Vila Vudu a partir de ~ 15’45”.

Há cem anos, que se completam em 2014, abriram-se as comportas da Iª Guerra Mundial e desencadeou-se a sequência de eventos que levou à Declaração de Balfour. Quando foi assinada, em 1917, já se passavam quase 40 anos desde o início da colonização sionista, e 20 desde o 1º Congresso Sionista em Basel. Apesar do fervor dos primeiros colonos, o movimento das massas de judeus que fugiam do governo czarista não tomou o rumo sul, partindo do Levante, mas leste, atravessando a Europa na direção das costas, que os atraíam como ímãs, da América do Norte. Pouquíssimos chegaram à Palestina; uma vasta maré humana cruzou o Atlântico.
Muitas autoridades rabínicas dentro da Diáspora eram hostis ao sionismo, pela apropriação do Messias judeu; e a burguesia judaica norte-americana e europeia sentia-se embaraçada ante a ideia sionista, e temerosa ante acusações de dupla lealdade.
Tudo isso mudou, quando a Grã-Bretanha deu suas bênçãos à aventura sionista, na Declaração de Balfour. E não deu só bênçãos: também concordou em transformar essa declaração unilateral em obrigação autoimposta garantida pela lei internacional, no sistema do Mandato da Liga das Nações recém estabelecida.
Só nessa governança como poder imperial a Grã-Bretanha concordou com levar avante essa parceria com um corpo privado estrangeiro (a Organização Sionista Mundial), então elevado, sob o disfarce de Agência Judaica internacional, ao status de ator independente reconhecido pela Liga das Nações para o objetivo específico de criar o Lar Nacional Judeu na Palestina.
Uma questão surge imediatamente à mente. Como é possível que Londres, com toda sua vasta experiência pró-consular amadurecida durante séculos de contatos e negociações com incontáveis raças e fés em todo o mundo, tenha-se deixado prender e tombado a favor do plano sionista?
A resposta curta tem duas sílabas: húbris. Ao final da Iª Guerra Mundial, com os EUA fechados num paredão de isolacionismo e com os impérios otomano, Romanov, Habsburg e Hohenzollern em ruínas, o poder britânico não tinha adversários. Só o reino do rei Clóvis, do outro lado do canal, podia ameaçar a Grã-Bretanha. Mas não era grande coisa, porque Sir Mark Sykes já tinha à mão a fórmula para conquistar a aquiescência dos franceses: dividir o butim!
*****
Há, é claro, resposta mais longa e é aí que entram nossos centros de pesquisa. Deixando de lado as árvores e as muitas folhas dos “White Papers”, “Blue Books” e “Comissões de Inquérito” do período do Mandato, nossos especialistas se dedicariam a olhar mais profundamente e a examinar o modo como e as razões por que a Londres imperial, entre as duas guerras mundiais, cevou um imperium in império rival sob sua governança. A charada só aumenta, quando se considera que esse imperium não seria só local. Ele tinha uma dimensão externa, um imperium ex imperio, na Agência Judaica, cujas principais instituições centrais e outras fontes de poder eram em larga medida norte-americanas, o que o punha além do alcance do controle por Londres.
Assim, quando, em 1939, Ben Gurion, o destacado líder do Yishuv, decidiu trocar de montaria, abandonando o cavalo britânico (preferido de seu rival político Chaim Weizmann), por cavalo norte-americano, ele o fez num cálculo deliberado: o potencial dos EUA como contrapeso e sucessor da Grã-Bretanha.
A estória é velha como a velha história: a revolta do cliente contra o patrão metropolitano. Mas a erosão do acordo anglo-sionista ao final dos anos 1930s, também ilustra uma lei de ferro da política. Não há duas entidades políticas que permaneçam em sincronia eterna. Há “moral da história” aqui, que se aplica à atual relação entre a Washington de Obama e a Telavive de Bibi.
II
Os eventos de 1948 geraram mais controvérsia que qualquer outra fase do Problema Palestino, eventualmente dando origem a uma nova escola de historiografia pós-sionista em Israel. Esses autores têm sido designados os “Novos Historiadores”, para diferençá-los dos “Velhos Historiadores” que articularam uma narrativa fundacional sionista mítica.
A velha narrativa mostrava um Davi Yishuv ante um Golias Árabe, com a Pérfida Albion decidida a estrangular o estado recém-nascido. Também envolveu centenas de milhares de palestinos terem deixado suas casas, plantações e negócios, obedecendo ordens dos seus próprios líderes, para dar lugar aos exércitos árabes invasores, dia 15/5/1948.
Dado o papel que nosso Instituto de Estudos Palestinos e também o meu papel, na articulação da contranarrativa palestina em oposição àqueles Velhos Historiadores, talvez seja útil, para efeitos de documentação histórica, partilhar com vocês alguns elementos de como o processo desenvolveu-se.
Um dos primeiros relatos de autoridade, que contestou versão oficial do mito da ordem israelense foi apresentado pelo historiador palestino Arif al-Arif. Arif vivia em Ramallah como comissário distrital assistente durante os últimos anos do Mandato, e os jordanianos o mantiveram como um governador civil de facto.

Em meados de julho de 1948, as forças israelenses lançaram ataque massivo contra as cidades palestinas de Lydda e Ramla, com os exércitos árabes, ali bem próximos, que não moveram uma palha. Toda a população das duas cidades, cerca de 60 mil pessoas, foram forçadas a uma longa viagem até Ramallah. Chegaram em condições lastimáveis; várias centenas morreram no caminho.
O conde Bernadotte, mediador da ONU, chegou a Ramallah na terceira semana de julho de 1948. Arif, destacado para acompanhá-lo, ficou boquiaberto quando Bernadotte lhe contou que altos oficiais israelenses que acabava de encontrar lhe haviam “assegurado” que os moradores de Lydda e Ramla haviam saído de suas casas obedecendo ordens que teriam sido dadas por líderes da próprias comunidades.
Imediatamente Arif providenciou para que Bernadotte se encontrasse com aqueles líderes palestinos, que ainda viviam em cavernas e sob pontes, depois da expulsão: clérigos muçulmanos e cristãos, conselheiros municipais, juízes, profissionais de todos os tipos.
Não tenho, eu, pessoalmente, dúvida alguma de que esse encontro contribuiu para que Bernadotte recomendasse à ONU que ordenasse o imediato retorno dos refugiados, resolução que a Assembleia Geral aprovou, depois de Bernadotte ter sido assassinado pela organização terrorista judia,  Stern Gangde Yitzhak Shamir.
Nos anos 1950s, a imprensa-empresa britânica já estava sob estrito controle da narrativa do mito. Naquele momento, predominava a versão israelense, de que as ordens para abandonar as casas haviam partido da liderança palestina, não de líderes locais. O expoente mais agressivo dessa versão era o jornalista britânico Jon Kimche, então editor do semanário Jewish Observer, órgão da Federação Sionista Britânica.
O principal líder palestino, Haj Amin al-Husseini, vivia então exilado no Líbano. Conhecia-o desde menino e ele sempre foi extremamente gentil comigo. Quando lhe falei do impacto da mentira sobre as tais ordens, no Ocidente, Haj Amin imediatamente me franqueou acesso irrestrito aos seus arquivos (que foram destruídos pelas forças da Falange, durante a guerra civil libanesa, nos anos 1970s).
Antes, eu já tivera acesso às gravações de monitoramento, pela BBC, de rádios árabes, de 1948, conservadas no Museu Britânico em Londres.
Somei os dados que obtivera de Haj Amin e o que encontrara nas gravações da BBC, e escrevi o artigo “Why Did the Palestinians Leave?” [Por que os palestinos partiram?”], publicado em 1959 no periódico  East Forum dos alunos da American University em Beirute.
Entra Erskine B. Childers. Pouco depois de publicado esse artigo, recebi em Beirute a visita desse jovem jornalista irlandês, que se mostrou muito interessado nas gravações da BBC e disse que as examinaria ele mesmo, quando voltasse a Londres.
No início dos anos 1960s, entra Ian Gilmour, proprietário de Spectator, prestigiosa revista semanal britânica. Acabava de visitar Israel, onde ouvira a mentira das tais ordens, de altos funcionários israelenses. Conhecia também o artigo do Middle East Forum; fez muitas perguntas e partiu.
Dia 12/5/1961, a revista Spectator publicou artigo de Childers, intitulado “O outro êxodo” e que concluía: jamais houve ordem alguma.
Seguiu-se então uma torrente de cartas de leitores que durou quase três meses nas colunas de Spectator e graças à qual, graças a Gilmour, a contranarrativa, de oposição à versão israelense, ganhou exposição que jamais antes tivera.
Um dos primeiros a responder foi Jon Kimche, que opinou: “Novas mentiras (…) para substituir as velhas. Os israelenses contribuíram, mas mais recentemente apareceram mentiras dos propagandistas árabes (Walid Khalidi e Erskine Childers)”.
Naquele momento eu estava em afastamento sabático da Universidade Americana em Beirute, e estava em Princeton, examinando as gravações de monitoramento feito pela CIA, de transmissões de rádios árabes, em 1948, na Firestone Library. De lá, escrevi à revista Spectator dizendo que não conhecia Childers (o que não era verdade), mas manifestando enorme prazer ao constatar que, por pesquisa independente, ele chegara às mesmas conclusões que eu (o que era verdade). Escrevi também que minhas novas pesquisas e o que encontrara em gravações feitas pela CIA confirmavam o que as gravações da BBC já haviam revelado.
Enquanto permaneci em Princeton, examinei também fontes em hebraico, com a ajuda de uma simpática professora idosa, sefardita.
O resultado dessa pesquisa foi “Plan Dalet: The Zionist Master Plan for the Conquest of Palestina” [Plano Dalet: o grande plano sionista para a conquista da Palestina], que seria publicado em 1961, também no Middle East Forum. Como a correspondência de leitores da Spectator cada vez mais envolvia o êxodo palestino em termos mais gerais, contribuí com um resumo das minhas descobertas. Na carta, escrevi, inter alia:
Um amplo plano sionista, chamado “Plano Dalet”, para ocupação à força de áreas árabes dentro e fora de terras do Estado Judeu ‘dadas’ pela ONU aos sionistas foi posto em operação. O plano visava à desarabização de todas as áreas sob controle dos sionistas.
O Plano Dalet visava a quebrar a espinha da resistência palestina árabe e a desafiar a ONU, os EUA e os países árabes, impondo-lhes um fato consumado, militar e político, no menor tempo possível – daí os ataques massivos e impiedosos contra centros de população árabe.
Com o Plano Dalet em andamento, e dezenas de milhares de civis árabes em pânico nos países árabes vizinhos, a opinião pública árabe forçou seus vacilantes governos a enviar seus exércitos regulares para a Palestina.
Na refletida e pesquisada opinião desse autor, só a entrada de exércitos árabes na região frustrou os objetivos mais ambiciosos do Plano Dalet, que consistiam em nada menos que obter o controle militar de toda a Palestina a oeste do rio Jordão.
Tanto quanto sei, foi a primeira vez que se mencionou o Plano Dalet, no Ocidente.
III
Assim como a Iª Guerra Mundial fez nascer a Declaração de Balfour, a guerra de 1967 fez nascer outro documento provocativo: a Resolução 232 do Conselho de Segurança.
E assim como a Declaração de Balfour é, num sentido, a nascente de todos os desenvolvimentos do Problema Palestino/conflito árabes/israelenses no resto do século 20 e incluindo a guerra de 1967, assim também a Res. 242-CS é, em certo sentido, a vertente básica de todos os desenvolvimentos no conflito, do final do século 20 até hoje.
Estranhamente, muitos observadores têm opinião positiva sobre a Res. 242, em grande parte porque o preâmbulo fala sobre a “inadmissibilidade da aquisição de território mediante guerra”. Mas nos parágrafos operacionais, a Res. 242 faz exatamente o oposto.
É verdade que fala da “retirada de forças armadas israelenses dos territórios ocupados”, mas não especifica prazo para o início da retirada; não diz até onde Israel terá de retroceder, nem por quanto tempo poderá estender-se a retirada. Nem lista, por nome, os territórios dos quais Israel teria de retirar-se.
A Resolução clama por paz e “fronteiras seguras e reconhecidas” entre os protagonistas, mas não nomeia quem decide sobre a segurança e a localização das tais fronteiras. Nem uma palavra sobre as linhas do Armistício.
A resolução afirma a necessidade de uma “justa solução para o problema dos refugiados”, mas não nomeia que decide sobre a justiça da solução nem quem são esses refugiados. A palavra “palestinos” está completamente ausente; e não há referência à aplicabilidade das Convenções de Genebra aos territórios ocupados.
Esse texto espantoso tem de ser visto sobre o pano de fundo das decisões tomadas pelo gabinete israelense nos dias 18-19 de junho, logo depois do fim das hostilidades.
Em forma resumida, o gabinete israelense firmou consenso sobre os seguintes pontos:
(1) retirada, só sob condições de acordos de paz; (2) tratados de paz com Egito e Síria, “consideradas” as fronteiras internacionais e as necessidades da segurança de Israel; (3) anexação da Faixa de Gaza; e (4) o Rio Jordão como “fronteira de segurança” de Israel, o que implica controle sobre a Cisjordânia.
Ninguém precisa ser especialista em decifração de códigos secretos para ver que a Resolução 242 está em perfeita harmonia com essas especificações – melhor dizendo, instruções – do Gabinete israelense.
O foco nos tratados de paz com Egito e Síria com exclusão da Jordânia é, claro, planejado para separar esses dois países – Síria e Egito – do problema palestino e isolar ambos, os palestinos e a Jordânia.
Dia 28/6/1967, dez dias depois dessa reunião do Gabinete, Israel revelou suas verdadeiras intenções, anexando as 2,5 milhas quadradas de Jerusalém Leste, e mais 22,5 milhas quadradas de território adjacente da Cisjordânia, com uma configuração territorial obscena logo ao norte, em Ramallah.
A Res. 242 foi vitória diplomática e política israelense não menos importante que a vitória no campo de batalha. Mas só foi possível por causa do presidente Lyndon B. Johnson. O que realmente motivou LBJ permanece como objeto e campo de estudos para todos os centros de estudos palestinos. Como senador em 1956, Johnson havia-se oposto fortemente à decisão de Eisenhower de forçar Israel a restaurar o status quo anterior e a devolver seus “territórios obtidos mediante guerra”.
Depois da guerra de 1967, o Ministro do Exterior de Israel, Abba Eban, trabalhou muito próximo do círculo mais íntimo de LBJ, inclusive do embaixador dos EUA na ONU, Arthur Goldberg. (Como membro de uma delegação iraquiana pré-Sadam à Assembleia Geral da ONU logo após a guerra, tive de ouvir Eban tecer sua rede de falsidades, mas também tive a chance de retrucar).
Eban revela em suas memórias que insistiu com seus contrapartes norte-americanos para que “erradicassem” da mente até o conceito de “armistício” e para que ligassem a retirada de Israel das atuais linhas de cessar-fogo a “negociações nas quais os limites seriam fixados por acordos”.
Significa que o ponto de partida das negociações seriam os mais distantes buracos aos quais a Israel blindada tivesse chegado em território árabe. Também significa que Israel poderia – como de fato pôde – usar todo o peso de suas ocupações e sua superioridade militar para ditar, a hora, o ritmo, a sequência e a extensão de sua retirada.
O “regime” estabelecido pela Res. 242 foi consentido, se não estimulado, por sucessivos governo dos EUA desde Johnson. A opacidade e a permissividade da Resolução permitiu a política da colonização (chamada “de assentamento”) que prossegue até esse exato instante. Aquele regime enviou Sadat a Jerusalém e Arafat, a Oslo.
A guerra de 1967 assestou o golpe de misericórdia ao panarabismo secular, que já estava em agonia terminal.
Mas catapultou o movimento palestino de guerrilhas para as linhas de frente, porque ele simbolizava a resistência de todo o mundo árabe, depois da humilhante derrota dos exércitos árabes.
Mas o impacto mais profundo e potencialmente mais catastrófico da guerra, contudo, está na inspiração que deu ao messianismo neossionista fundamentalista religioso, e na criação, por ele, de condições que levaram à disputa pelos locais sagrados de Jerusalém, entre jihadistas judeus e evangélicos cristãos, de um lado; e jihadistas muçulmanos, de outro.
IV
Quando se olha a cena palestina hoje, vê-se um povo pendurado pelas pontas das unhas às ruínas de sua terra ancestral.
Nessa situação de dificuldade extrema, a absoluta prioridade dos palestinos deveria ser, é claro, cerrar fileiras, ombro a ombro.
Por isso a rixa Fatah/Hamas é tão absolutamente escandalosa. Precisa-se dos dois punhos, quando a luta é de sobrevivência. Cabe culpa aos dois lados. Os dois lados devem ser instados, incansavelmente, sem parar, a se reconciliar.
Claro que o simples ato de reconciliação entre eles será atacado, por Netanyahu, como ato de guerra. Mas não há dúvidas de que Israel sabe que a intrarreconciliação palestina é indispensável para qualquer paz palestinos-Israel.
A distância que separa Fatah e Hamas no quesito forma de luta é muito grande. Abbas está comprometido com a não violência. Não é compromisso filosófico: adepto da violência em seus dias de guerrilheiro, Abbas há muito tempo absorve o custo e as consequências da violência. Não é coincidência que tenha sido o primeiro dos líderes do Fatah a propor um diálogo com interlocutores israelenses sensíveis.
O compromisso de Abbas com a não violência é estratégia, não tática. Tenho certeza disso, depois de ouvi-lo e aos três que o antecederam: Arafat, Shuqairi e Haj Amin.
Em vários sentidos, Abbas é figura trágica. É líder guerrilheiro, convertido em “colaboracionista”. Todas as noites suas forças de segurança recolhem-se aos alojamentos, enquanto comandos israelenses circulam livremente pelos Kasbahs, pelos campos de refugiados e por vilas da Cisjordânia, à caça de jovens militantes. É preço terrível a pagar, por uma posição moral.
Por quanto tempo Abbas pode manter sua política sem qualquer avanço real rumo à paz? Por quanto tempo os palestinos acompanharão sua liderança?
Mesmo assim, não se pode esquecer que o movimento “Boicote, Desinvestimento, Sanções” (BDS) jamais teria avançado tanto quanto avançou, sem Abbas.
Por maior que seja a distância que separa Abbas e Hamas na questão da luta armada, não é distância infranqueável. Há sinais de pragmatismo na liderança do Hamas. E, se pensa teologicamente, pode também conceber saída teológica estratégica de seu declarado compromisso com a luta armada.
Em todos os casos, o compromisso de Abbas com a não violência não impede a desobediência civil. Esse pode ser o campo de encontro, depois que se estabelecer a dinâmica da reconciliação, e chegar o tempo da desobediência civil.
Se a disputa Fatah/Hamas é perigosa, em detrimento da causa palestina, o desacordo quanto ao objetivo político também o é. Não é segredo que a questão dois-estados/um-estado é tema de grande debate, não só no campo palestino como também num círculo muito mais amplo de aliados e apoiadores.
Como muitos de vocês sabem, são sou advogado eterno da divisão da Palestina, vale dizer, da solução “Dois Estados”. De fato, abracei esse lado da disputa já bem tarde. Aconteceu em 1978, em artigo publicado em Foreign Affairs, intitulado “Pensando o impensável” [orig. “Thinking the Unthinkable: A Sovereign  Palestinian State”].
Continuo adepto de “Dois Estados” e explico por quê: a solução Dois Estados tem apoio global – com exceção, talvez, dos Estados Federados da Micronésia. Seria leviano desperdiçar esse patrimônio inestimável.
Já tentamos o modelo “um estado” durante os 30 anos do Mandato britânico, e sabemos o que acontece, ainda que o equilíbrio de poder tenha pendido, de início, massivamente a favor dos palestinos.
Hoje, o equilíbrio de poder está esmagadoramente do lado oposto. Israel é a superpotência do Leste [orig. Mashriq] árabe, graças à podridão do sistema dos estados árabes e suas elites no poder. Em contexto de solução um-estado, Israel teria o álibi ideal para remover quaisquer impedimentos que restem aos “assentamentos”. Num piscar de olhos, os palestinos teriam sorte se conservassem canteiros de terra para plantar cebolas no quintal e para enterrar os mortos, logo ao lado.
A Declaração de Independência de Israel, de 1948, promete garantir “completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os habitantes, sem diferenças de religião, raça ou sexo”.
Agora, Netanyahu vive a insistir na exigência de que se reconheça o caráter judeu de Israel, exigência absoluta para qualquer acordo de paz.
Dos 37 signatários da Declaração de Independência de Israel de 1948, só um nasceu na Palestina. Todos os demais vieram, a maioria, da Polônia e do Império Russo: de  Plonsk, Poltava & Pinsk, de Lodz e Kaunas. Esses homens eram de esquerda ou do centro, mas não viajaram até a Palestina para, lá chegados, dividir a casa nova com outros moradores.
Quando Netanyahu fala de um estado judeu, fala em nome de um vasta e crescente eleitorado nacionalista fundamentalista de direita – que racha a sociedade israelense judaica pelo meio, de alto a baixo.
Hoje, a divisão da população de judeus em Israel já não se dá entre Esquerda e Direita, mas entre secularistas e religiosos. Muitos secularistas são liberais e pós-sionistas, mas não estão em crescimento.
O que está em crescimento é um movimento de colonos neo-sionista messiânico da direita religiosa, aliado ao evangelismo cristão norte-americano apocalíptico, incendiado em 1967 pelo furor da conquista de toda a Eretz Israel e pela volta do “Monte do Templo” à posse militar dos judeus.
Essa coalizão considera os palestinos canaanitas, cuja desgraça está biblicamente predestinada. Não vê com olhos muito mais benevolentes os israelenses judeus seculares. Em Israel já não há consenso sobre quem é judeu. Talvez possam pedir a Bibi que forneça uma definição de “judeu”.
Muitos proponentes de BDS são defensores de um-estado, interessados no sucesso das sanções contra a África do Sul do apartheid, mas entre o início das sanções contra a África do Sul no início dos anos 1960s e a eleição de Mandela em 1994 passaram-se 30 anos. O tempo não corre a favor dos palestinos num contexto de um-estado, apesar do fator demográfico.
Não sou contrário ao movimento BDS. Quero que tenha sucesso. Para que tenha sucesso, precisa dos judeus pós-sionistas e dos sionistas liberais. Mas deslegitimem a ocupação, que suas chances aumentam. Delegitimar a própria Israel lhes custará a maioria dos seus aliados judeus e muitas das capitais aliadas em todo o mundo.
Organizemos duas campanhas BDS: BDS-1, pelo fim da ocupação; BDS-2, para implementar a promessa de Israel aos seus cidadãos árabes na Declaração de Independência de Israel – nessa sequência.
Abraçar a própria identidade nacional numa era de globalização é fenômeno global ao qual se assiste na divisão de estados e em movimentos de devolução, em todo o mundo. Os pregadores da solução “um-estado” caminham contra essa tendência.
É imperativo que haja um estado palestino. Os palestinos têm de preservar o laço que os une ao que resta de sua terra ancestral. Precisam de um cordão umbilical que os conecte às lembranças coletivas de pais e avós.
Precisam de uma tribuna da qual falar por eles e pelos deles que restarão da diáspora deles. Precisam transferir sua herança aos netos e bisnetos. Precisam de um ponto sob o sol de Deus, onde não sejam fantasmas estrangeiros ou sem estado, nem sejam cidadãos de segunda classe.
V
O estado lastimável em que está a “Nação Árabe” pode ser aferido pelo fato de que o futuro da Palestina depende hoje mais dos “desejos e preconceitos” de Benjamin Ben Zion Nathan Netanyahu, que de qualquer dos governantes das orgulhosas capitais árabes, na Damasco Umayyad, na Bagdá abássida, na Cairo ayyubida ou na Riad wahhabista.
Mesmo assim, a atual conversa tripartite entre Netanyahu, Kerry e Abbas é, na realidade, apenas uma fachada para encobrir a maratona de luta-livre em curso entre Bibi e Obama, já há cinco anos.
Tenho ouvido atentamente a conversa de Bibi. O modelão ideológico foi forjado e incorporado dos ensinamentos do avô dele, rabino Nathan e do pai dele, professor Ben Zion.
O rabino Nathan, contemporâneo de Herzl, foi Sionista Nacional Religioso (espécime raro naquele tempo).
Foi ardente seguidor de Vladimir Jabotinsky, fundador do Movimento Sionista Revisionista, assim denominado porque, no início dos anos 1920s, queria “revisar” a estratégia gradualista de Chaim Weizmann e Ben Gurion.
JABOTINSKY insistia em que se afirmasse, sem meias medidas e sem meias palavras, que o objetivo era o Lar Nacional Judeu – um estado judeu – pelo meio do qual corre o Rio Jordão, não um pedaço disso, com o Jordão numa das fronteiras.
Esse objetivo deveria ser alcançado no menor tempo possível, por imigração massiva, protegida por uma “Cortina de Ferro”, significando “estupenda força militar”. Ben Gurion referia-se rotineiramente a Jabotinsky como “Vladimir Hitler”.
O ardor de Ben Zion por Jabotinsky não era menos intenso que o de Nathan. Uniu-se ao Partido Revisionista aos 18 anos e mais tarde editou um diário revisionista, intitulado Jordan, pelo qual criticou incansavelmente Weizmann e Ben Gurion.
Ben Zion, pai de Bibi, acompanhou Jabotinsky aos EUA, onde se tornou seu secretário. Lá ficou por dez anos, espalhando a ideologia revisionista, mas retornou a Israel para atacar Begin por seu tratado de paz com o Egito.
Recentemente, pouco antes de morrer, Ben Zion disse a um jornal israelense que “corte a comida das cidades árabes, acabe com as escolas, a energia elétrica e tudo mais, e os árabes não conseguirão existir e fugirão para bem longe daqui”.
Biógrafos israelenses de Bibi contam que Ben Zion dava aulas aos filhos de história e judaísmo, e que os filhos manifestavam ao pai “santa reverência”. Menino, Bibi seguidamente queria discutir “as duas margens do Jordão”.
Se o avô e o pai foram influências ideológicas, o personagem modelo da vida de Bibi foi seu irmão mais velho, Jonathan, herói de Entebbe, onde foi morto em ação. A insolência de Bibi vem daí.
A morte de Jonathan traumatizou pai e filho. Em homenagem a ele, criaram o Instituto Jonathan em Jerusalém, dedicado ao estudo do “terrorismo internacional”.
Bem adequadamente, uma das conferências desse Instituto ficou a cargo do primeiro-ministro Menachem Begin, o qual, contudo, não contou sobre a organização da qual foi membro, Deir Yasin, nem informou que seu grupo terrorista, Irgun, introduziu no Oriente Médio a carta-bomba, o pacote-bomba, o mercado-bomba e o carro-bomba.
Para Bibi, os EUA são pátria mãe, como Israel. Viveu lá desde os sete anos: escola primária, ginásio, MIT, uma empresa de consultoria em Boston. Lá ganhou sotaque da Filadélfia e aprendeu o vocabulário do beisebol. Pelo menos três de seus tios emigraram para os EUA, onde se tornaram magnatas do aço e alumínio.
Depois da invasão de Israel ao Líbano em 1982, Yitzhak Shamir, então ministro do Exterior, mandou Bibi como attaché para a embaixada em Washington, com a missão de reparar a imagem de Israel.
Bibi foi sucesso instantâneo: estava em todos os jornais, endeusado pelas grandes organizações de judeus. Como embaixador à ONU de 1984 a1988, consolidou seu estrelato com o público pró-Israel nos EUA.
Em 1991, Shamir, então primeiro-ministro, fez Bibi seu vice-primeiro-ministro, fazendo-o salivar ainda, naquele seu apetite político himalaico. Em 1993 Bibi era líder do Likud e, em 1996, primeiro-ministro.
Interessante fonte de insights sobre as relações entre Washington e Telavive, são as memórias e autobiografias de presidentes e secretários de estado. O espaço dedicado ao conflito árabe-israelense nesses escritos cresceu enormemente nas últimas décadas. Curiosamente, até agora não se viu interesse em reunir essas informações às de outras fontes – mais um campo de estudo para centros de pesquisa palestinos.
Desde os dias de embaixada em Washington, Bibi teve contato, em cargos diferentes, com cinco presidentes dos EUA. Considera a arena política nos EUA legitimamente sua. Permanece convencido, até hoje, de que seus escritos sobre terrorismo convenceram o Presidente Reagan a alterar a política dos EUA sobre o tema.
Vangloria-se de ter feito bem-sucedido lobby no Congresso para pôr fim às tentativas do secretário Baker, que queria abrir diálogo com a OLP. Explica que: “Tudo que fiz foi forçá-lo (Baker) a mudar de política, aplicando-lhe um pouco de pressão diplomática. Esse é o nome do jogo…”
Na primeira visita aos EUA como primeiro-ministro, em 1996, Bibi falou ao Congresso e foi ovacionado pelos dois partidos. Um tio magnata que ele convidara a ouvi-lo disse a um jornal norte-americano que seu sobrinho poderia facilmente derrotar Bob Dole e Bill Clinton na eleição presidencial.
O presidente Clinton reclamou que, numa das visitas de Bibi à Casa Branca, o “pastor Jerry Falwell gritava na calçada, “reunindo uma multidão, que elogiava a resistência do governo de Israel contra a retirada em etapas dos Territórios Ocupados”. Clinton também reclamou que “agentes do Likud nos EUA uniram-se aos Republicanos nos EUA, para espalhar desconfianças contra a diplomacia [do EUA] para o Oriente Médio”. Clinton acreditava que “no fundo do coração”, Bibi “resistia contra o processo de paz”. Sua tática favorita era “obstruir”; quando desafiado, punha-se a gritar “insulto nacional”.
E entra Barack Obama. Bibi, nascido em 1949, é 12 anos mais velho. Quando Obama concorreu ao Senado, em 2003, Bibi já fora embaixador à ONU, líder do Likud, primeiro-ministro, ministro do Exterior e, então, era ministro interino das Finanças.
É provável que Obama só tenha começado a aparecer no radar político de Bibi depois do discurso de 2004 na Convenção Nacional dos Democratas. De onde saiu esse sujeito? E com esse nome?! É tentador especular se Bibi sentiu que Obama estivesse metendo o nariz em “território de Bibi”.
Não há tempo aqui para listar todos os vários rounds da queda-de-braço entre Obama-Bibi – congelamento dos ‘assentamentos’, ambições nucleares do Irã, as fronteiras de 1967, reconhecimento na ONU, acordo Hamas-Fatah. Alguns observadores entendem que Bibi “eclipsou” Obama. Pessoalmente, vejo um empate.
Senhoras e senhores,
Nos últimos cem anos, desde 1914, o sionismo andou montado às costas da Pax Britannica, depois da Pax Americana para estabelecer uma Pax Israeliana à custa do povo palestino. Por quanto tempo mais pode persistir na recusa a encarar o que foi feito aos palestinos?
Meu palpite é que Bibi concordará com o geral das propostas de Kerry, mas só porque tem já a intenção de brecar tudo. Bibi acredita que possa fazer sempre a mesma coisa. Vê-se como mais do que apenas primeiro-ministro de Israel. Em 2010 e 2012, o jornal Jerusalem Post apresentou-o no primeiro lugar da lista dos Judeus mais Influentes do Mundo.
Para Bibi, o Atlântico atravessa Eretz Israel. Bibi sabe que sobreviverá politicamente a Obama. Em Israel, uma vez primeiro-ministro, primeiro-ministro para sempre. Em menos de três anos, Obama será passado. Bibi sabe que, até lá, também pode derrotar Obama no Congresso. Com certeza tem mais votos nos dois partidos, que o atual inquilino do Salão Oval.
Todos os demais protagonistas estão comprometidos com uma solução pacífica. Kerry fala a voz do patrão, e Obama tem compreensão muito mais ampla da questão palestina que qualquer dos que o antecederam no cargo. O compromisso de Abbas com a paz é genuíno. Na idade em que está, a paz seria o coroamento de sua vida política. As dinastias do Golfo babam por uma solução na Palestina, que lhes permita concentrar-se no inimigo real: Teerã, panislamista e antimonarquista.
Bibi jamais dividirá Jerusalém. Ocupação e colonização (“assentamentos”) continuadas continuarão a apertar a corda em torno de Jerusalém Leste, o que é receita garantida para catástrofe apocalíptica mais cedo ou mais tarde, contra os lugares sagrados dos muçulmanos na Cidade Antiga. Com levantes repetidos de fanatismo religioso dos dois lados, a estrada para o Armageddon começa em Jerusalém.
Eis por que, senhores e senhoras, Benjamin Ben Zion Ben Nathan Nethanyahu é o mais perigoso líder político em atividade no mundo, hoje.

[*] Professor Walid Khalidi nasceu em Jerusalém, Palestina, em 1925. Estudou em Oxford e lecionou nessa universidade, na American University de Beirute, em Harvard e em Princeton. Co-fundador e secretário-geral desde 1963 do Instituto de Estudos Palestinos, com sede em Beirute, é atualmente diretor do afiliado Instituto de Estudos Palestinos (EUA), com sede em Washington DC, e membro da Academia Norte-Americana de Artes e Ciências.

Fonte: http://redecastorphoto.blogspot.com/2014/04/a-questao-palestina-cem-anos-da-1.html

El milagro del agua de Israel que no fue tal

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agua

Por Charlotte Silver.

Al principio era impresionante: enormes extensiones aparentemente estériles, granjas abundantemente fértiles salpicadas de colinas de color beige, sembradas de naranjas que crecen, dátiles y sandías apareciendo por primera vez en el sur de Israel a mediados del siglo XX. A diferencia de los lagos, falsas fuentes llamativas que brotan en Las Vegas y se estrellan en el medio del desierto de Mojave, esta prodigiosa producción agrícola no estaba destinada a señalar la decadencia; más bien, fue un testimonio de la prudente labranza de la tierra de Israel , una inteligencia y conocimientos que no sólo enriqueció la región, sino que legitimó la presencia de Israel y la expulsión de los palestinos.

Israel atribuye el uso de las plantas de desalinización y de riego por goteo lo que permite al desierto florecer, la imagen icónica que refuerza la idea que aún persiste de que la tierra de la Palestina histórica era seca, así se impresiona más a la audiencia mundial de Israel con la magia del joven país con agua.

Se presta menos atención al informe de la comisión de la Knesset en 2002, casi cuatro décadas después de que el transportador nacional de agua de Israel empezara a desviar el río Jordán a los huertos de cítricos de Israel en la región del Negev. El informe concluyó que la continua crisis del agua en la región – un río Jordán desecado y la reducción del mar Muerto- era «principalmente producida por el hombre» .

En diciembre de 2011, Ben Ehrenreich informó del costo irrecuperable de esa opulencia agrícola. Se requiere la mitad del agua de Israel al tiempo que se proporciona sólo el 3% del PBI del país. No obstante, la comisión consideró necesaria tal extravagancia, ya que determinó un «valor-sionista político-estratégico, que va más allá de su contribución económica».

Pero hay otro motivo detrás de la venta del mito de la eterna escasez de agua en Palestina: si usted sostiene que va a producir agua potable donde no existe, ya ha logrado esconder en las sombras lo que robó.

De hecho los palestinos, históricamente, no han reclamado el agua. Sin embargo, la caracterización de Palestina como una tierra desesperadamente árida, como Clemens Messerschmid escribió en 2011, «naturalizó» la crisis del agua que los palestinos experimentan todos los días. Gaza, que actualmente subsiste consumiendo de una fuente de agua que en el 95% es no potable, sirvió durante mucho tiempo de oaisis a los viajeros que cruzan de El Cairo a Damasco. Esta historia -y más- es importante tenerla en cuenta en medio del reciente clamor entusiasta del milagroso excedente de agua que Israel promete ofrecer como una luz de esperanza para la paz y la cooperación y es, en verdad, un útil encubrimiento de su robo y explotación continuos.

El mito está actualmente en un renacimiento.

A principios del mes de marzo, Netanyahu hizo una visita a California -que ha experimentado un record de lluvias mínimas este año- y firmó un acuerdo con el gobernador Jerry Brown que prometía vagamente una colaboración en proyectos futuros, en especial los relativos a la conservación y producción de agua. Para los alterados californianos, Netanyahu cacareaba, «¡Israel no tiene problemas de agua!», esperando, sin duda, deslumbrar a su público con este milagro antes de sacar a relucir las virtudes de la innovación y la industria de su país.

La declaración fue un espectáculo impresionante de arrogancia y mendacidad a la luz del hecho de que el país de Netanyahu, a lo largo de toda su existencia, ha privado a los palestinos de su propia agua.

Su visita -y el mensaje que traía- es sólo el último de los trucos de relaciones públicas llamado acertadamente «visión distorsionada». Israel no tiene un «problema de agua», ya que roba el agua de los palestinos.

El robo

El ejército israelí controla todas las fuentes de agua de Cisjordania y Gaza desde 1967 y 1974, respectivamente. Originalmente ganado por conquista militar, su control se ha confirmado posteriormente a través de los Acuerdos de Oslo y se acrecentó con la labor  de la Autoridad Palestina y las organizaciones no gubernamentales internacionales.

Una breve revisión del dominio del Estado sobre los recursos de agua muestra que Israel desvía el río Jordán hacia el lago Tiberíades, lo mismo que Jordania, Siria y Líbano en sus respectivos territorios, dejando el mar Muerto en un nivel deficitario. Haciendo burla de las leyes internacionales contra el saqueo de las tierras ocupadas, Israel controla el acuífero de la montaña -el 80% del cual se encuentra debajo de Cisjordania- y extrae en exceso para la agricultura, así como para las piscinas de los colonos y sus zonas verdes. En 2009, el acuífero de la montaña cubría el 40% de las necesidades agrícolas de Israel y el 50% del agua potable de la población.

Israel también tomó su parte, más de lo que lo comparte, del acuífero costero que se encuentra debajo de Gaza y desvía el Wadi Gaza en el desierto del Negev de Israel, justo antes de que llegue a Gaza. Por último, el muro de Israel envuelve convenientemente pozos y manantiales que se encuentran al este de la Línea Verde.

Con todas estas fuentes de agua, no es ningún milagro que los israelíes puedan consumir cómodamente alrededor de cinco veces más agua que los palestinos.

En 1982 el ministerio de Defensa -entonces liderado por Ariel Sharon- vendió la totalidad de la infraestructura del agua de Cisjordania a la empresa semiprivada Mekorot por el simbólico precio de un shekel. Lo que antes era una adquisición militar pasó a ser de una empresa de propiedad estatal; hoy los palestinos de Cisjordania compran más de la mitad de su agua a Mekorot, a menudo a un precio más alto que los pobladores colonos vecinos.

Fundada en 1937, la compañía de agua de Israel Mekorot ha sido crucial para el proyecto de construcción del Estado sionista, y para ello ha ayudado en el borrado de los límites originales de Israel. Mekorot funciona como un grupo de vigilancia de la ocupación israelí, que se beneficia, según afirma Who Profits de que en el mapa de Mekorot de su Sistema Nacional de Aguas, no hay línea verde.

El control del agua de Mekorot asegura que los palestinos permanezcan de rodillas ante la dependencia de Israel, que les prohíbe el uso del agua que fluye bajo sus pies o desarrollar su propia infraestructura de agua. En los años inmediatamente posteriores a la usurpación de los recursos hídricos de Palestina por parte de Israel, se produjo un descenso brusco del 20% en la producción agrícola de Palestina. Casi 200.000 palestinos de Cisjordania no tienen acceso al agua corriente ni pueden recoger el agua por sí mismos sin el permiso explícito, que se otorga rara vez.

Mekorot ejecuta este delito de robo a la vez que Israel afirma que tiene las soluciones a la escasez de lluvias y la escasez de agua, y que Mekorot proporciona asistencia humanitaria a los palestinos resecos y necesitados.

El 22 de marzo se celebró el Día Mundial del Agua, un día que se conmemora a nivel mundial cada año desde 1993. Este año, el día fue intencionalmente elegido para comenzar una protesta de una semana contra Mekorot -conocida como la Semana Internacional Contra Mekorot- que terminó el 30 de marzo, Día de la Tierra de Palestina. La campaña es crucial en medio de la ampliación continua de Israel pregonando su poderío tecnológico del agua.

Mekorot comenzó su expansión internacional en 2005; un año que también vio el lanzamiento de Brand Israel Group , una iniciativa de varios millones de dólares para mejorar la imagen del país en el extranjero, en el que la exportación de los productos básicos desempeña un papel útil. Israel se presenta como el país que proporciona una respuesta a las amenazas más siniestras del mundo, el calentamiento global, la sequía y la escasez de agua.

«Israel aceptó el desafío de la escasez de agua y construyó una industria de exportación de tecnología del agua». Will Sarni de Deloitte Consulting, escribió recientemente, señalando que la industria registró un 170% de aumento de las exportaciones en seis años. McKinsey ha estimado que el mercado global del agua es el tercer o cuarto mayor mercado de productos básicos en el mundo.

Y mientras la Autoridad Palestina se resistió a muchos proyectos de desalinización como un sustitutos de la restauración de los derechos de agua de los palestinos, hoy ha adoptado estas soluciones técnicas, un indicio más de su impotencia como entidad política.

Sin embargo, a pesar de todo esto, no todo el mundo acepta la campaña de bravatas y fanfarronadas de Israel. Los defensores del BDS, un movimiento que pide boicot y sanciones a Israel, ya han logrado victorias significativas contra Mekorot: los Países Bajos y Argentina han cancelado recientemente contratos con Mekorot, citando la violación que hace Mekorot del derecho internacional.

La importancia de estos éxitos no puede ser exagerada: Una clara indicación de que la convocatoria de BDS está llegando a los oídos de los líderes del gobierno y, quizás más importante, que los sionistas están fallando en su búsqueda incesante de hacer olvidar al mundo sus crímenes contra los palestinos.

Charlotte Silver es una periodista independiente en San Francisco. Estuvo formalmente destinada en la ocupada Cisjordania, Palestina.

Fuente: http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/israel-water-miracle-palestine-20143247252981587.html

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Traducido del inglés para Rebelión por J. M.

¿Vamos a la playa?

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¿Qué le pasa a quien vive en Cisjordania? Por ejemplo, alguien de Hebrón quiere ir a la playa en Tel Aviv, a casi 100 km de distancia. El gráfico siguiente lo explica.

ir al mar Cisjordania

La historia de los judíos de izquierda en Chile y en Argentina

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Entrevista a Valeria Navarro-Rosenblatt: En las profundidades de la historiografía judía

Por Michelle Hafemann.

De paso por Chile, la Licenciada en Historia y Magíster en Estudios Internacionales, actualmente estudiante de Doctorado en Historia de América Latina de la Universidad de Wisconsin-Madison, Valeria Navarro-Rosenblatt (30 años, casada con el periodista Jorge Zeballos), dedica casi el 100% de su tiempo al trabajo de su investigación doctoral, que tiene como objetivo la historia de los judíos de izquierda en Chile entre 1960 y 1990. Ya en su maestría, y guiada por el profesor Isaac Caro, Valeria desarrolló en su tesis una investigación comparativa sobre qué pasó con las comunidades judías en Chile, entre 1973 y 1989, y Argentina, entre 1976 y 1983.

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¿Cuáles fueron las principales conclusiones a las que llegaste?

-En Argentina las dimensiones de la represión al mundo judío fue mucho mayor que en Chile, había un antisemitismo abierto en la represión y un 10% de las víctimas totales, de Detenidos Desaparecidos, fueron judíos (3.000 de 30.000). Esto habla de un “target” especial. Una de las cosas que me llamó la atención –que no es una conclusión mía sino que es parte de investigaciones sobre judíos detenidos desaparecidos en Argentina- es que si tú eras judío tenías menos posibilidades de salir vivo de los centros de detención, es decir, la tortura “normal” que se aplicó  a los detenidos, para los judíos fue “especial”. También  hubo una tortura sicológica, desde que poner los discursos de Hitler y marchas nazis en los centros de tortura, a que  tatuar una svástica en el cuerpo.

Al parecer esa idea del judío como “extranjero” en todos los países, en el sentido del mito antisemita que dice que los judíos respondemos a otra autoridad más que la nacional, era el principal motivo de los represores para ensañarse.

-La influencia del nazismo en Argentina fue muy fuerte en las Fuerzas Armadas, entonces estaba muy presente  este tema de que al judío se le consideraba como representante de la sinarquía internacional y que no era leal a Argentina. Entonces la persona podía ser argentina de tercera o cuarta generación, con sus abuelos llegados a las colonias, e igual lo iban a considerar como extranjero por ser judío. Esta idea de que los judíos no solamente son extranjeros sino que están manipulando cosas en contra de lo nacional es muy fuerte en Argentina, donde los grupos nacionalistas tuvieron mucho más espacio en el gobierno y en los agentes represores. Lo cual no significa que no haya habido antisemitismo en la represión en Chile, sino que no tomó la misma forma ni tuvo las mismas dimensiones que en Argentina.

¿Crees que hubo un antisemitismo a nivel transversal entre los represores en Chile o sólo  en algunos casos, como el de Miguel Krassnoff Martchenko?

– No he encontrado antecedentes de que haya habido una política antisemita de parte de la dictadura. Están los casos particulares como el de Krassnoff, y Sí sospecho que hay muchas más instancias de las que uno cree. Por ejemplo, en un testimonio que  revisé el año pasado, una persona no judía contaba que estando en un lugar de detención un guardia se le había acercado y le dijo “¿Por qué no lees este libro que es tan interesante?” y el libro era “Mi lucha”, de Adolf Hitler.

Valeria y Jorge, esperando escuchar a Barak Obama en su universidad, en el marco de su segunda campaña presidencial.

¿Cuál es tu tema de investigación para el Doctorado?

-Mi tema de investigación es sobre los judíos de izquierda, que está muy relacionado con mi tema de investigación en el Magíster. En este trabajo mis conclusiones fueron que en Chile se habló mucho de la neutralidad de la comunidad judía, pero hablar de neutralidad en el período de Allende era muy distinto que hablar de neutralidad en el período de Pinochet, involucró cosas distintas e implicó omisiones muy distintas que a mi juicio estaban en contra de los propios valores del ser judío. Lo que me llamó la atención es que en Argentina el tema de los judíos Detenidos Desaparecidos se hablaba abiertamente en la comunidad, pero en Chile -hasta hace cinco años que yo terminé mi tesis de Magíster- el tema de los DD.DD judíos era tabú, recién de a poco se ha empezado a hablar. Por ejemplo, según supe el año 2007, en un monumento a los alumnos fallecidos del colegio, se incorporaron los nombres de Diana Arón, Luis Guendelman y David Silberman, pero no fue fácil lograrlo.

¿Y por qué se da esto, en tu opinión?

-Yo creo que eso todavía está en línea con cómo se planteó la comunidad a sí misma y cómo evolucionó la comunidad durante el régimen de Pinochet y después de la dictadura. Si hablamos de que se planteaban como neutrales, después no podían salir defendiendo a las víctimas, porque eso podía ponerlos en una posición frágil frente al gobierno y eso es lo que no querían. Pero tampoco hubo por el otro lado una actitud más movilizada, sí estuvo el rabino Ángel Kreiman en el Comité Pro Paz, pero fue una acción que fue cuestionada por algunas personas de la comunidad. Al mismo tiempo no hablar de las víctimas de judías es no reconocer el espacio de izquierda que hay en el mundo judío y de eso aún no se habla. Por eso mismo decidí hacer mi tesis sobre los judíos de izquierda.

¿Puede ser que para muchos la idea de un régimen marxista, debido a la experiencia que habían vivido ellos en sus países de origen (como Rumania o Hungría) o sus familias, les haya infundido pánico y por eso se identificaron con la oposición gobierno de Allende?

-Me tocó conversar con personas de la comunidad que provenían de Hungría y que sí, por la experiencia en sus países de origen, eran fuertemente antimarxistas, pero esos casos son los menos, el grueso de la comunidad judía de Chile ya estaba asentada para 1945. Yo creo que tuvo que ver más con el hecho de que como el gobierno de Allende era socialista, tenía una posición más crítica y de izquierda, en un momento en que la izquierda ya no estaba alineada con la creación del Estado de Israel sino que era crítica, entonces vieron que después, durante el gobierno de Pinochet iba a apoyar a Israel y por eso vemos que las pocas veces que levantan la voz en contra del gobierno es cuando el régimen  apoya medidas en contra de Israel, en 1975, 1982 o 1985.

¿Crees que esto tiene que ver con la poca figuración de los judíos de izquierda en el establishment comunitario actual?

-Bueno, como toda pregunta, esta tiene varias respuestas. Yo creo que a muchas personas de izquierda les choca mucho la posición que tuvo la comunidad durante la dictadura, entonces eso los distancia. Y también hay que considerar que muchos de los judíos de izquierda no se sienten representado por los espacios religiosos y culturales de la comunidad. Además, la comunidad, por este mismo exitismo que vivió durante la dictadura y en especial los primeros años de la democracia, se desconectó mucho de la realidad chilena,  y hay muchos judíos de izquierda que están más preocupados por los temas sociales y públicos chilenos que por los que se tratan dentro de los espacios comunitarios. Pero eso no significa que sean “judíos invisibles”, porque ¿son judíos invisibles para quién? Eso sería si pensáramos que “lo judío” solamente se reduce y se define según el establishment comunitario.

Steve Stern, tu profesor guía del Doctorado, trabajó una trilogía sobre la historia chilena reciente en base a entrevistas,  testimonios y revisión de documentos. En esta línea, ¿crees que con esta metodología es posible escribir una historia sobre la historia?

-Bueno, esa es una discusión historiográfica sobre la historia positivista que se dio hasta mediados del Siglo XX, basada solamente en reyes y en políticos importantes, y eso ya no es lo que se hace en historia. Especialmente lo que estoy haciendo yo es una historia mucho más social, mi base es la historia oral pero también la complemento con otras fuentes. Tampoco es tomar inocentemente las entrevistas, porque se trata de revisar, volver a preguntar, porque la forma en que se recuerda va cambiando y eso es lo que propone justamente mi profesor , Steve Stern. Se trata de entender por qué una persona está recordando algo distinto, porque recordar distinto también tiene un porqué.

¿Crees que en base a esta misma metodología de investigación podrías en algún momento emprender la tarea de escribir la historia de la comunidad judía de Chile?

-Es una de mis metas a futuro. Obviamente no  es una tarea que yo pueda hacer sola, dada la cantidad de fuentes y la metodología que yo ocupo. Ya no es posible hacer un trabajo como el de Moisés Senderey, sino sería más una historia temática y en coordinación con las personas que están trabajando en esto, porque no soy la única. Se podrían complementar los trabajos y cada uno puede aportar visiones distintas, creo que esa sería una forma mucho más rica e interesante de hacer la historia judía, además de apropiada para el Siglo XXI.

¿Y qué pasa con los documentos que están en la Universidad Hebrea de Jerusalem?

-Son documentos que llegaron en los 70s al Archivo Central del Pueblo Judío, mediante una iniciativa individual de conservación. Ahora estos documentos han sido catalogados y resguardados ante el paso del tiempo.  En principio no hay reparo, pues están bien preservados; el problema fue que la comunidad judía se quedó sin memoria. Si hablamos de por qué hay judíos invisibles o no hay espacio para los judíos de izquierda, es porque la comunidad judía en Chile vuelve a contarse la misma historia una y otra vez, con los mismos actores. Porque no sabe qué pasó antes, no hay una construcción en base a las acciones, instancias y organizaciones anteriores. Y eso ni hablar de la pérdida del patrimonio arquitectónico de la comunidad que ha tenido en los últimos años.

Fuente: http://comunicacionesantropologia.wordpress.com/2014/02/24/la-historia-de-los-judios-de-izquierda-en-chile-y-en-argentina-tesis-valeria-navarro-rosenblatt/

 

Agua en los Territorios Ocupados: Estado de calamidad

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agua palestina

En Cisjordania, Israel restringe drásticamente el acceso palestino al agua desviando las fuentes de agua de las comunidades palestinas a los asentamientos y plantaciones israelíes. Los palestinos tienen prohibido cavar pozos sin un permiso, que raramente es otorgado. Es más, sacar agua de los pozos autorizados se restringe a las aguas poco profundas, lo que resulta en tasas de contaminación más altas.

En Gaza, se estima que un 95 % del agua no sea apta para el consumo humano. Israel destruyó las plantas y servicios públicos de agua durante la Operación Plomo Fundido. El agua del acuífero de Gaza es salina debido a la extracción excesiva y está contaminada por la filtración de aguas cloacales.

Fuente: http://remikanazi.tumblr.com/post/80389491486/brilliant-infographic-on-water-consumption-for

Las conversaciones del Estado-nación de Israel implican el retorno de la estrella amarilla

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Foto: AP

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Por Gideon Levy (Haaretz).

Este tipo de conversación sólo puede tener lugar en la sombra, en las bodegas de cerveza, en violentas manifestaciones marginales o en las sedes de las organizaciones ilegales. Sólo la extrema derecha fascista neonazi, antisemita y xenófoba se atrevería a decir una palabra sobre el tema. Sólo los cabezas rapadas y sus amos se atreverían a hablar de la pureza nacional y de la definición de su país basado en la etnia, la religión, la raza, la nacionalidad o la herencia.

Nadie se atrevería a decir Francia para los franceses, América solo para los americanos, Alemania es un estado alemán o Italia es un país católico. Cualquier persona que hablara de esto, no se consideraría creíble. Estos países son democracias de todos sus ciudadanos, su carácter está determinado por los componentes de toda la población. Viven en ellos minorías, su número es cada vez mayor en esta era de globalización y migración. Nadie habla de un Estado-nación, de un estado de una sola religión o de un grupo racial.

Pero este tipo de conversación es moda en Israel. Es legítimo e incluso sionista: un Estado judío. Sólo en Israel los derechos individuales y el carácter del estado esta determinado por el origen, como por ejemplo tener una bisabuela judía. Al diablo con los miembros de los grupos minoritarios, la mayoría de los cuales nacieron aquí.

Este tipo de conversación también se ha convertido en una condición básica para las negociaciones con los palestinos. Es sólo una excusa barata, por supuesto, un obstáculo más en el camino de llegar a un acuerdo de paz, el cielo no lo permita. Pero los malignos síntomas de la enfermedad están profundamente grabados en el ADN de Israel.

Israel vuelve al gueto, construyendo su propio neogueto con sus propias manos. Bienvenido al gueto de Israel, construyó los muros y vallas que lo rodean hace mucho tiempo, y los muros mentales y culturales están en camino. Lo que se les hizo a los judíos durante generaciones, los judíos se lo están haciendo a sí mismos: juzgar a la gente por sus antepasados ​​ y encerrarse en un Estado-gueto cuya naturaleza será determinada por su grado de pureza.

Esta vez no es culpa de los goyim, es Israel, que anhela vivir en un gueto. Es una vieja-nueva obsesión, y la historia se ríe en una risa amarga. Los nuevos judíos, los israelíes, abrazan los métodos y las normas de los nazis, se su nombre y memoria sean borrados. Los israelíes comprueban sus líneas de sangre y luego los ponen en un gueto.

Lo único que falta es la estrella amarilla, tal vez también volverá. Después de todo, ¿cómo vamos a saber quién es judío en el Estado judío? Tiene que haber una manera de identificar quién es (y lo más importante, quién no lo es) judío. El identificador más evidente es la cruel vieja estrella de David amarilla cosida en la ropa.

Sí, es un tiempo nuevo de color amarillo en la que los judíos se están aislando nuevamente en el ghetto. Israel está haciendo todo lo posible por no ser aceptado en su entorno – la «mansión en la selva», como Ehud Barak llamó a Israel, y el esfuerzo va más allá de la seguridad y la política.

Es la manera de «no entrada» a la cultura de Oriente Medio, al arte y la historia árabes, a los solicitantes de asilo africanos, a cualquier persona que no es un judío. Cada israelí conoce el mantra «un Estado judío», pero es dudoso que alguien sepa lo que significa. ¿Es un paso hacia un Estado de acuerdo con la ley judía? ¿Es una teocracia sin matrimonios civiles, sin transporte público en el día de reposo y una mezuzá en casi cada jamba de la puerta?

Eso es un estado judío. ¿Y sería Israel no judío sin estas tradiciones? ¿Sería no judío con 50.000 solicitantes de asilo y judío sin ellos? Todavía no hemos decidido si el judaísmo es una religión o una nacionalidad, o incluso qué es un judío. Lo principal es que queremos un estado judío, el que el presidente palestino, Mahmoud Abbas deberá reconocer para siempre.

Pero el carácter de Israel se determinará de otras maneras – no por la sangre que corre por las venas de sus habitantes, sino por su sistema de gobierno, la cultura y la sociedad. Un árabe de Taibeh no es menos israelí que un miembro de Bnei Menashé, que una comunidad de Birmania y la India, que fue llevada al asentamiento de Kiryat Arba, cerca de Hebrón.

El hijo de refugiados de África que nació y creció en Israel, cuyo idioma es el hebreo, cuyo cantante favorito es Eyal Golan y cuyo equipo de fútbol es Hapoel (o Maccabi) Tel Aviv no es menos israelí de un estudiante de la yeshivá Ateret Cohanim. Si ha de haber una estrella amarilla, debe ser para todos. Para todos los israelíes.

Traducido para Rebelión por J. M.

Fuente: http://www.haaretz.com/opinion/.premium-1.580021 

Palestinos deben pagar a israelíes por demolición de sus propias casas

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Un tribunal del régimen israelí ha ordenado este miércoles la demolición de varias viviendas palestinas, y los propietarios deben pagar los costos de la destrucción de sus hogares.

La corte del régimen de Tel Aviv ha decretado que los dueños de las viviendas deben pagar 20.000 shekels israelíes (6.000 dólares) a las autoridades del citado régimen, a modo de indemnización por la demolición de sus hogares.

Ante esta situación, las familias palestinas han pedido la congelación de esta ley, además de solicitar a los palestinos residentes en Haifa, Ramallah y Lod que protesten contra los planes racistas del régimen usurpador.

Con fecha anterior, las fuerzas del régimen de Israel demolieron decenas de viviendas palestinas en la aldea beduina de Al-Zaarura, en el desierto del Néguev, situado en el sur de los territorios ocupados palestinos.

Estas medidas racistas del régimen israelí se realizan en el marco del plan discriminatorio ‘Prawer-Begin’, que supone la confiscación de más tierras palestinas y la destrucción de sus viviendas.

En ‘Prawer-Begin’ se prevé la expropiación forzosa de 40.000 beduinos, la demolición de unos cuarenta pueblos y la confiscación de más de 7000 hectáreas de tierras en el Néguev.

El pasado 7 de febrero, 25 organizaciones humanitarias internacionales, que trabajan en zonas ocupadas de Cisjordania y Jerusalén Este (Al-Quds), denunciaron el enorme incremento de las demoliciones de viviendas palestinas en los últimos meses y urgieron al régimen de Tel Aviv a cesar esta práctica.

Fuente: HispanTv / OICP

Atentado contra la Embajada de Israel: Relato, confesiones y dudas de un cronista. TOC…TOC…TOC

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Las dudas que aún nos quedan a quienes escuchamos lo que no se informó y vimos lo que no se mostró ¿Existió un coche-bomba? ¿Dejó un cráter sobre el asfalto de la calle Arroyo? ¿Por qué el embajador israelí suspendió las tareas de rescate cuando aún se presumía que había sobrevivientes en los subsuelos?

Por Dante López Foresi.

El 17 de marzo de 1992 quien firma este artículo trabajaba como cronista del programa “Despertar al país”, que se emitía todas las mañanas por el entonces llamado ATC y era conducido por el recordado y extrañado Daniel Mendoza.

A las 14:47 hs, momento exacto de la explosión, me encontraba en el estacionamiento subterráneo ubicado sobre Avenida Corrientes esquina San Martín. A pocas cuadras del lugar. Debo reconocer que mi primera impresión fue que se había iniciado un temblor o terremoto. Hay que tener en cuenta que en Argentina fue la primera vez que sufrimos un atentado terrorista con explosivos de tan alto poder. En ese momento solamente tenía mi grabador de mano, ya que también trabajaba en Radio del Plata por la mañana. No recuerdo exactamente por qué ese día no estaba en el canal. Ah sí, empezaba mi turno en un par de horas. Corrí todas las cuadras que separan el garage mencionado con lo que quedaba de la Embajada de Israel.

Decenas de personas, de cronistas, de argentinos solo atinábamos a mirar con una infantil cara de asombro y de terror y a caminar en círculos levantado trozos de vidrio, de cemento, de ladrillos. Jamás habíamos visto semejante calamidad. Todos recuerdan la conmovedora aparición espontánea de los ciudadanos que –luego de enterarse a través de los medios de comunicación del espantoso atentado- se acercaron a la calle Arroyo para colaborar en lo que fuera necesario. Se les colocó una pechera amarilla pocas horas después. Fue la primera vez que percibí esa extraña mezcla entre aroma y sensación indescriptible de la muerte por asesinato. Allí comprobé que esa muerte despierta un sexto sentido profundo en todos los que sobrevivimos ¿Miedo? ¿Espanto? ¿Aturdimiento? Sí…todo eso y algo que es inexorablemente inexplicable. Pero sigamos con el relato. Esa noche casi no dormí, y a la mañana siguiente se me encomendó el desafío de transmitir en vivo y directo para todo el país y el mundo desde el lugar del atentado entre las 7 y las 9 de la mañana, cumpliendo mis funciones de cronista en el programa del querido Daniel Mendoza. Fue una sensación de honor y de un profundo temor.

Todo lo que había aprendido mal o bien del oficio hasta esa mañana quedaba entre paréntesis. Nada servía. Todo se volvía a inventar. Aunque resulte doloroso y sin medir las consecuencias, creo que luego de 15 años siento el deseo y la obligación de contar ciertas cosas que hasta hoy callé, un poco por no lastimar a familiares de las víctimas y otro poco por ese temor que se siente al revivir recuerdos e imágenes tan escalofriantes. Y –sobre todo– no conté nada durante 15 años porque no poseo una sola prueba de lo que voy a relatar a continuación, pero tengo todas las certezas. Todo lo que usted pueda imaginar como morboso y escalofriante es poco: trozos de cuero cabelludo, un ojo, un antebrazo. Me cuesta aún contarlo. Pero lo más doloroso no fue ver eso mientras realizaba mis varias salidas al aire informando sobre la mañana más conmovedora por lo espantosa de la historia argentina, siendo conciente de que en todo el país estaban pendientes de lo que decía con extrema avidez de noticias, sino lo que voy a relatar a continuación y que es, justamente, el único silencio del cual me culpo luego de tantos años de ejercer mi oficio. Recién terminábamos de informar que el embajador israelí había ordenado que se suspendieran las tareas de remoción de escombros. El argumento que se nos brindó fue que “puede provocar más desmoronamientos y si hay sobrevivientes, aplastarlos”. Personalmente, no creí en la excusa. Y recuerdo no haber sido el único.

Un voluntario se acercó a mí en uno de los cortes y cuando ya no estaba en el aire de ATC y mientras esperaba mi próxima salida. En su mano tenía un palo… un trozo de madera. Me llevó hasta el supuesto cráter que la supuesta camioneta-bomba Ford F-100 había dejado. “¿¿Eso te parece un cráter??”- me preguntó de manera airada. Aunque sea materia opinable y la Justicia haya determinado que tenía 1 metro y medio de profundidad, debo decir que el sentido común me sigue indicando –a quince años del atentado- que lo que vi no era un cráter. Semejante explosión no pudo haber dejado una marca en el asfalto de tan escasa profundidad. Lo que vi no era un metro y medio ni mucho menos. Lo vimos todos los cronistas, pero me hago responsable por lo que personalmente observé. Pensé en esa costumbre tan argentina de convertirnos en especialistas de lo que fuere con tal de “tener la posta” y esa tendencia a ser peritos en materias supinamente desconocidas por nosotros, y decidí no ahondar sobre la cuestión.

Además, estábamos realmente desbordados por versiones, evidencias y hechos que debían ser informados y nunca opinados. Todo era realmente caótico y no había tiempo ni espacio para detenerse en «detalles». Solo habían pasado unas pocas horas desde la explosión. Una pregunta que aún me hago, quizás por ignorante y desinformado: ¿alguna vez se publicaron fotografías de los restos de esa supuesta camioneta que la Justicia dijo haber hallado?. Lo pregunto solamente de puro desinformado. Sigo. Este voluntario –de quién no sé su nombre y a quien jamás volví a ver- no era el “cráter” lo único que quería mostrarme. Había visto y escuchado mi último informe por ATC y se acercó a mi decidido a presentarme pruebas. Me tomó del brazo pidiéndome “acompañame por favor”.

Me llevó hasta donde –según se decía- se encontraban los primeros subsuelos de la  embajada. Se encontraba en sentido opuesto a la pequeña sala que había sido improvisada como “centro de operaciones” de los amateurs rescatistas voluntarios en una edificación lindera con la embajada. Me llevaba del brazo hacia la zona de la embajada más cercana a la calle Suipacha. Una versión circulaba insistentemente: debajo del sitio exacto donde nos dirigíamos habría algo que el gobierno israelí no estaría dispuesto a mostrar al público y que deseaba esconder celosamente. Y recordemos que el terreno de una embajada es considerado diplomáticamente como territorio del país al cual representa. ESE LUGAR puntual era territorio israelí.  Una guardia numerosa de la Policía Federal nos impedía a los periodistas o voluntarios llegar hasta la zona. Recordemos que las labores de rescate estaban suspendidas por órdenes del embajador Itzhak Sheffi ¡a pocas horas de ocurrido el atentado!.Los agentes del Mossad (servicio de inteligencia de Israel) ya estaban en el país.

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Todo era terriblemente desconcertante y confuso y, reitero, era la primera experiencia argentina en atentados de semejante magnitud. El muchacho que me guió, que no llegaba a los 30 años, golpeó 3 veces en el suelo (suelo argentino… a centímetros del suelo considerado como israelí) con ese trozo de madera. Y escuchamos, solo él y yo, como desde las profundidades nos devolvían el mismo código de comunicación: “TOC..TOC…TOC…”. Era la prueba de que aún quedaban sobrevivientes. Inmediatamente corrí al móvil de exteriores de ATC y pedí que me dejaran salir al aire de manera urgente. Mi intención era hacer público mi descubrimiento o, mejor dicho, el descubrimiento de ese voluntario anónimo. Es más. Todos los voluntarios insistían ante los cronistas que había sobrevivientes y era un verdadero crimen suspender las tareas de rescate. Desde el canal me dijeron: “Esperá Dante…ya viene Daniel (Mendoza) y contale a él”.

La respuesta de Daniel fue: “Todavía no digas nada… esperá”. Esperé una eternidad. Seguramente fueron pocos minutos, ya que Daniel estaba aprovechando una tanda publicitaria para… ¿para qué?. Pero sentí esos minutos como una vida entera cargada de ansiedad. Y lo noté a Daniel tan ansioso como yo por dar a conocer esa información lo antes posible. No olvidemos que Daniel Mendoza fue uno de los mejores (si no el mejor) cronista de Argentina. La distancia de los años me impide recordar detalles, como el tiempo que demoró una voz desde el canal a través del móvil de exteriores en decirme: “Dante… ni se te ocurra decir todavía lo que viste o escuchaste… después Daniel te va a explicar”. “¡¡Pero van a dejar morir a personas… no sean hijos de puta!!”- grité. La respuesta fue un “quedate tranquilo”, y después… el silencio. Así ocurrió, palabras más, palabras menos. Ninguna prueba. Ofrecí acercarme al lugar con cámara y micrófono y que se escuche en vivo y directo lo que yo había escuchado. Fue en vano.

Lo que acabo de relatar es una confesión cargada de culpa que me persigue desde aquel fatídico marzo de 1992 ¿Por qué no lo dije antes? Para decir algo debe haber alguien dispuesto a escuchar y resolver. Era 1992. Siempre me inspiré en decir solo lo que pudiera probar. Y así lo hice, hasta hoy. Nunca hablamos con Daniel Mendoza sobre el episodio. Nunca pregunté. Sabía las respuestas. ¿Para qué preguntar? Presiento que Daniel quedó -hasta su trágica muerte- con la misma frustración que yo por no poder investigar más a fondo y permitirme salir al aire cuando lo supliqué. Solo lo presiento. El presidente era Carlos Menem. Si mal no recuerdo el Ministro del Interior era José Luis Manzano ¿O Carlos Corach? No recuerdo ni tengo ganas de buscar esa información ahora… ¿qué más da?. Eran lo mismo y simbolizaban lo mismo. Trabajaba para un programa independiente, pero en el canal oficial. No fui empleado de ATC jamás. La Corte Suprema era abiertamente menemista.

Horas después, miles de almas se habían concentrado en la avenida 9 de Julio aplaudiendo a rabiar al embajador Itzhak Aviran, quién reemplazó a Itzhak Sheffi a pocos días del atentado por orden del gobierno israelí.  Esas miles de almas aplaudían al nuevo embajador que mantuvo la suspensión de la remoción de escombros y el cerco perimetral que nos impidió volver a acceder a la zona de desastre. La solidaridad argentina estallaba, y me recuerdo mirando a la multitud pensando «si supieran». Las tareas de remoción de escombros se reiniciaron uno o dos días después, nuevamente sin permitirnos el acceso a periodistas.

Un par de años más tarde un atentado aún más brutal como el perpetrado contra la AMIA hizo que aquel 17 de marzo de 1992 quedara sepultado en la memoria de los argentinos como un episodio difuso y difícil de recordar en detalle. Sepultado. Es una palabra que para mi cambió de significado desde aquel marzo de 1992 ¿Dejaron morir a personas para que no se descubriera algo que había en los sótanos de la embajada? ¿Habrán sido ciertas esas versiones? ¿No es demasiada coincidencia que la orden del embajador fuera casi simultánea con la llegada al país de los primeros agentes del Mossad? ¿Por qué el gobierno israelí decidió cambiar su embajador en Argentina a pocas horas del atentado? ¿Porqué ese voluntario me eligió únicamente a mi para presentarme esa prueba? ¿Solo porque desde el único televisor que tenían en su “búnker” los voluntarios estaban sintonizando ATC? ¿Será cierta la «pista israelí» de la que tanto se habla? ¿Matar a su propia gente? Esos sonidos que escuché… ¿habrá sido pura sugestión causada por el horror? Respuestas que jamás conoceré.

Recuerdo que hasta pasado mucho tiempo luego del episodio, nuestros diálogos entre cronistas que habíamos cubierto el atentado giraba siempre en torno de esas dudas. Por mi parte, solo una vez conté a un grupo de compañeros lo que ese voluntario me mostró. Noté gestos incrédulos. Opté por no repetir la historia. El único capital que poseemos los periodistas es la credibilidad. Ellos, optaron por lo mismo que yo: seguir trabajando y cubriendo las noticias que desde las redacciones nos ordenaban. Hasta que en 1995 decidí no volver a trabajar en relación de dependencia, cosa que sigo haciendo. Recién hoy confieso los motivos de mi renuncia a una de las mejores radios del país en 1995 para lanzarme a tientas a buscar hasta hoy un espacio propio. No puedo acusar a nadie.

Como dije, no tengo pruebas. Jamás fui un fabulador y lo demostré hasta ante la Justicia en otras circunstancias. Pero ese episodio no es una anécdota más. Ya no espero que algún día se confirme judicialmente y luego de investigaciones profundas lo que personalmente vi y escuché. ¿Acaso el crimen fue esclarecido? ¿Hubo voluntad del gobierno y la Justicia de los `90 por esclarecer semejante aberración? ¿Hubo voluntad de Israel por hacer Justicia?

Hoy en la AMIA ciertos objetos son conservados como recuerdos y símbolos de ese horror, en memoria de las víctimas. No conozco que haya ocurrido lo mismo con los restos de la Embajada. Y menos, con lo que haya permanecido en los subsuelos. Es una incógnita que jamás se develará.

Concluido este artículo no crea que me siento más desahogado. Hay tres sonidos que vienen a mi cada 17 de marzo. Y otros días también. Casi todos los días: TOC – TOC – TOC.

Fuente: http://www.agenciaelvigia.com.ar/toc_toc_toc.htm

Jóvenes israelíes rechazan ir a un Ejército que comete crímenes de guerra

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soldados

Roni Lax y Dafna Rotstein

Unos cincuenta adolescentes israelíes expresaron en una misiva remitida al primer ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, su rechazo a servir por razones morales en un Ejército de ocupación que «comete crímenes de guerra».

En la carta, citada por la agencia EFE, los firmantes aseguran que no realizarán el servicio militar obligatorio en protesta por la «continua ocupación y la invasión del Ejército en la vida civil, que profundiza en las nociones de chovinismo, militarismo, violencia, desigualdad y racismo en la sociedad» israelí.

El escrito exhorta asimismo a otros jóvenes que se acercan a la edad de 18 años, en la que los israelíes, hombres y mujeres, son llamados a filas, a reconsiderar «el sentido del servicio militar».

«Los palestinos en los territorios ocupados viven bajo el control del Gobierno israelí, a pesar de que no lo han elegido y no pueden influir en las decisiones de ninguna manera legal. La situación es injusta y desigual», reza la misma.

Las acciones del Ejército nos distancian de la paz, la justicia y la seguridad

Los adolescentes lamentan las continuadas «violaciones de los derechos humanos» y «actos que son considerados crímenes de guerra de acuerdo al derecho internacional» en los territorios palestinos.

Entre estas violaciones, enumeran «las ejecuciones extrajudiciales, la construcción de asentamientos en territorios ocupados, detenciones administrativas, torturas, castigos colectivos y un reparto desigual de recursos como el agua y la electricidad».

Los autores de la carta subrayan que las Fuerzas Armadas israelíes perpetúan la actual situación y en virtud de la misma y «siguiendo nuestra conciencia, no podemos tomar parte en un sistema que comete los mencionados actos».

Aducen que la institución militar también repercute en la vida civil, define la educación, las oportunidades de empleo y «lleva al racismo y la violencia en el seno de la sociedad y a la discriminación basada en el origen étnico, nacionalidad o género».

«Las acciones del Ejército nos distancian de la paz, la justicia y la seguridad». La institución militar «sirve a los poderosos en la sociedad y no a los ciudadanos, que solo son una herramienta. Rechazamos servir de carne de cañón», manifiestan los autores de la carta.

Información de  http://actualidad.rt.com/actualidad/view/121896-jovenes-israel-ejercito-crimenes-guerra-palestina y http://972mag.com/israeli-teens-tell-netanyahu-we-will-not-take-part-in-occupation/88159/

Foto: Activestills.org

Sahar Vardi y Micha Kurz: Resistirse a la complacencia en un país insensibilizado con la ocupación

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Sahar Vardi y M. A. Moreno

Resistirse a la complacencia en un país militarizado e insensibilizado con la ocupación por décadas del territorio que pertenece a otro pueblo. Esa es la decisión que, por caminos muy distintos, han escogido los jóvenes israelíes Sahar Vardi y Micha Kurz, activistas de Jerusalén, que describen la sociedad israelí como “militarizada” y reconocen cierta insensibilidad en sus compatriotas, que viven “en una burbuja” y toman el conflicto palestino-israelí más como un aspecto teórico que como algo “personal”.

“La sociedad israelí ha sido capaz de ‘despolitizarse’ a sí misma –explica la activista respecto a la ocupación de territorios palestinos-. La gente puede estar de acuerdo o no, apoyarte o rebatirte, pero nunca es un gran problema, no tiene mucha trascendencia. No sentimos el conflicto como propio, en el lado israelí”, agrega Sahar Vardi, activista de 24 años que estuvo encarcelada durante tres meses por haber objetado de hacer el servicio militar, obligatorio para los jóvenes que cumplen 18 años en el país hebreo.

Esa falta de preocupación por el conflicto en general y por las penalidades de la población palestina, que depende para ir al colegio, al trabajo o al hospital de los soldados israelíes que vigilan los puntos de control fronterizos o checkpoints, es una percepción compartida por el exsoldado israelí Micha Kurz, ahora activista pro palestino en la organización Grassroots Al-Quds (Jerusalén de base, por el nombre árabe de la ciudad), un grupo de activismo de base que se dedica a fortalecer los lazos entre los distintos barrios de población palestina en la ciudad.

“Cuando terminé el servicio militar creo que hubo dos cosas verdaderamente cruciales que yo quería que mi familia entendiera. Teníamos discusiones políticas, hablábamos de lo que pasaba, pero lo que era obvio para mí era que mi madre no tenía las claves para saber realmente lo qué estaba pasando realmente en Ramala, que está a 20 minutos en coche de donde crecí. O en Hebrón, que está a apenas una hora conduciendo de Jerusalén”, explica Kurz, cofundador además de la organización ‘ Breaking the silence‘ [Rompiendo el silencio], dedicada a recopilar testimonios de soldados israelíes que sirvieron en Cisjordania.

La vida desde un puesto de control

Micha Kurz entró en el ejército a los 18 años como parte del servicio militar obligatorio y con una clara vocación castrense. “Crecí en los scouts, que en Israel no tratan tanto de entrenar el liderazgo , sino de prepararte para el Ejército (…) Quería estar en una unidad de élite, ser piloto o soldado de combate”, recuerda. Ingresó en 1999, durante la Segunda Intifada, y fue enviado a un puesto de control, donde con apenas 19 años pasó a controlar una población de 900 palestinos que tenían que pasar por su puesto de control para poder acudir al trabajo o a la escuela.

“Yo controlaba toda una población civil, una sociedad entera. Tenía que decidir si la gente podía ir al trabajo, si podía ir a comprar, si los niños iban a ir al colegio ese día”, dice Kurz, que recuerda cómo comenzó a darse cuenta de que la realidad del ejército no era como la había imaginado.

“El entrenamiento está basado en cómo seguir las órdenes, y no cuestionar lo que dice el sargento (…) Durante mi servicio en el Ejército estuve en Hebrón, en Ramala y necesité mucho tiempo para entender lo que pasaba. Me di cuenta de que estábamos protegiendo no solo las fronteras, sino también los asentamientos, y no solo protegiendo a los colonos, sino permitiendo y apoyando su expansión”, explica Kurz. El ex soldado hoy ejerce de activista junto a la población palestina de Jerusalén, la mayor área urbana del pueblo palestino, partida por el muro de separación levantado por Israel en 2002 y “capital futura de Palestina” en palabras del joven israelí.

“Israel es una sociedad militarizada, comenzando por el servicio militar obligatorio, lo cual es una cosa básica. Pero incluso la forma de la que somos educados, la normalidad de ver pistolas en cualquier lugar en la calle. Es algo normal para nosotros, no las vemos, son transparentes. Si te fijas en la publicidad, la mejor forma de vender algo es poner un soldado en el anuncio”, explica Vardi, que desde muy pequeña tuvo una visión del conflicto completamente distinta a la de Micha Kurz, al haber visitado desde los 13 años los territorios ocupados y haber tenido relación con los palestinos.

“Descubrí una realidad muy diferente, en la que mis amigos eran ilegales en sus propias casas”

El caso de Vardi era particular en su contexto cercano en Jerusalén no solo por haber conocido a palestinos desde adolescente –“Hablábamos sobre cosas normales, que odiábamos las matemáticas, pero también descubrí una realidad muy diferente, en la que mis amigos eran ilegales en sus propias casas, o nos llamaban para que fuéramos a recogerlos de la comisaría o de un checkpoint”, explica— , sino también por pensar distinto en una sociedad en la que se educa a los más jóvenes para permanecer a la espalda de la ocupación de un territorio.

“En el sistema educativo la ocupación prácticamente no existe. La palabra ‘palestinos’ no existe. Son árabes, no palestinos”, dice Sahar Vardi, que cuando iba a cumplir los 18 años, edad del servicio militar obligatorio en Israel, decidió objetar públicamente junto a unos compañeros, llegando a escribir al primer ministro del momento, Ehud Olmert.

“Es bastante fácil no ir al ejército si sabes cómo. El recurso de enfermedad mental es la puerta de atrás para librarse del servicio militar, hay un 12% de la población israelí que lo hace cada año”, explica la activista israelí, que tuvo que sufrir tres meses de cárcel y dos de detención por haber decidido objetar públicamente.

Tomar esta decisión le ha acarreado consecuencias más de rechazo social que legales, aunque Vardi explica que recientemente se ha aprobado una ley que permite priorizar a los que hayan servido en el ejército en prestaciones sociales como sanidad, empleo público o vivienda, discriminando a aquellos que no hayan realizado la conscripción militar.

“Las consecuencias políticas y sociales están aumentando. Una de las leyes que se ha aprobado con este propósito es la llamada ‘ Ley de ONG’, que pretende establecer más impuestos a las organizaciones no gubernamentales de tipo político. Entre ellas, hay un grupo de organizaciones que no van a tener ninguna financiación de entidades extranjeras, aquellas que apoyan la resistencia armada contra Israel, las que apoyan el boicot contra Israel, o las que apoyan la objeción al servicio militar”, explica Sahar, que entiende estas legislaciones como una forma de amedrentar a aquellos que no quieran ir al ejército.

“El pacto se ha roto”

Por su parte, Micha Kurz expone también otra realidad, ya mostrada en 2011 con los movimientos de protesta que se produjeron en varias ciudades israelíes, de que el “pacto” que vinculaba a los israelíes con su ejército a cambio de beneficios estatales está “roto”. “El movimiento sionista se construyó como un sueño socialista de la nacionalidad judía. Mis padres se hicieron sionistas porque se les hizo una promesa. Se ofrecieron servicios públicos, vivienda pública, sanidad, trabajo, pensiones… Lo único que tenías que hacer era servir en el ejército y continuar en la reserva hasta los 45 años”, explica. Ahora, con servicios sociales privatizados y prestaciones disminuidas, la situación es distinta.

“En los checkpoints y en las fronteras no verás soldados de clase media, solo de clases trabajadoras”, agrega Vardi, que asegura que cada vez hay más jóvenes que dejan de hacer el servicio militar obligatorio por motivos económicos, muchos de ellos utilizando la vía de la enfermedad mental, pero otros rehusando de forma pública. “Ahora mismo hay dos objetores públicos en prisión y hay otro que se unirá a ellos el próximo mes”, explica Vardi, que trabaja apoyando a los objetores y denunciando la militarización de su país.

Como activistas, Micha Kurz y Sahar Vardi son críticos con los procesos de negociación actuales, que ven más como “una representación”, pero no como algo que vaya a tener verdadero resultado. Sin embargo, Vardi sí confía en la importancia del boicot comercial a Israel que se va extendiendo, y en su influencia a futuro para la solución del conflicto. “Lo dijo (el secretario de Estado de los Estados Unidos) John Kerry, si estas negociaciones fallan, el boicot a Israel va a crecer”, explica.

“Si las negociaciones fallan, el boicot seguirá creciendo. La gente en el mundo está harta de esto, y está harta de financiar algo con lo que están en contra”, finaliza la joven activista.

Fuente: Miguel Ángel Moreno Ramos para eldiario.es