Archivo de la categoría: resistencia

Día Internacional de Solidaridad con el Pueblo Palestino, hoy 29 de noviembre

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29 noviembre Veamos un poco de la actualidad en la Palestina ocupada.

ONU declara a 2014 Año Internacional de Solidaridad con Palestina

La mayoría de los palestinos consideran que las conversaciones de paz son un error

ONU suspende proyectos constructivos en Gaza por bloqueo israelí

Jornada de luto en Hebrón por tres palestinos asesinados en operación de Israel

La hipocresía sigue: Presidente de Israel aseguró que la paz con Palestina es ‘urgente’ y también ‘posible’

ONU denuncia que 1.7 millones de habitantes en Gaza sufren falta de energía Fortaleciendo la sostenibilidad del olivar en los Territorios Ocupados Palestinos

Imponen textos escolares israelíes a niños palestinos cambiando mapas e historia palestina

 

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A inevitabilidade da terceira Intifada

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3ªIntifada1

Por Dmitri Minin.

A diplomacia norte-americana, que vem sofrendo fracasso após fracasso no Oriente Médio, enfrenta agora a possibilidade de mais um fracasso gigante, que ameaça fazer ruir de uma vez toda a estratégia da Casa Branca para aquela região.

Veem-se a cada dia sinais cada vez mais claros, de que o indolente processo da reconciliação palestinos-israelenses, que por hora permanece nas sombras, pode ser rompido a qualquer momento, e converter-se na fase mais quente de uma 3ª Intifada.

Tendo arrogantemente posto de lado o “quarteto” de mediadores, Washington nada obteve em termos de reconciliação, e isso pode levar a mais dores e dificuldades no novo Oriente Médio. Para vários especialistas, ao fazer do processo de paz no Oriente Médio sua absoluta prioridade, o secretário de Estado Kerry elevou de tal modo a aposta que:

(…) se seus esforços derem em nada, demorará muito tempo para que outro volte a tentar.

Elliott Abrams, por exemplo, que foi alto funcionário do Conselho de Segurança Nacional do governo do presidente George W. Bush, disse que não vê possibilidade realistas de que, agora, se possa alcançar qualquer tipo de acordo.

Só espero que haja duas equipes do Departamento de Estado: uma para manter as conversações; e a outra para planejar o que fazer quando as conversações derem em nada – disse ele.

As ações do “único mediador” deliberadamente condenaram as negociações ao fracasso. Os EUA usaram um truque simples: prometeram aos dois lados que atenderiam todas as respectivas “demandas legítimas”, e ofereceram cartas de garantia a israelenses e palestinos. Os EUA prometeram aos palestinos que negociariam usando, como base, as fronteiras de 1967; e prometeram a Israel que as fronteiras finais não seriam as de 1967. Os palestinos reclamam que o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, lhes garantiu a inviolabilidade das fronteiras de 1967; e que só por isso aceitaram retomar o processo de paz. Agora, os norte-americanos refutam essa informação. Netanyahu também nega a existência de tais cartas de garantias.

Washington concordou, essencialmente, com o que o primeiro-ministro israelense exigiu (que não se discutissem, nas negociações, as questões das fronteiras de 1967 nem a divisão de Jerusalém. Como Noam Sheizaf escreveu no jornal israelense Maariv, os esforços de John Kerry para mostrar algum tipo de resultado de suas atividades no Oriente Médio levaram-no a trair os acordos fundamentais firmados durante o doloroso processo de negociação (que começou com o programa de Clinton e terminou com o “mapa do caminho”).

Segundo especialistas,

(…) Netanyahu também enganou os americanos (quem pagará o preço dessa vitória de Pirro é outra história). Depois de três anos de obstinação, o governo Obama cedeu e aceitou que se anulassem todos os acordos já firmados antes entre as partes, durante as negociações em Taba e Annapolis.

No momento, Netanyahu não está tão preocupado com a posição de Washington, mas com as ações independentes da negociadora israelense oficial, a ministra da Justiça Tzipi Livni, indicada por insistência dos norte-americanos e que tende a tomar posições mais suaves que as do primeiro-ministro. Tzipi Livni apóia a ideia de dividir Jerusalém; Netanyahu opõe-se totalmente. Livni pode vir a aceitar a demolição parcial das construções israelenses em territórios palestinos ocupados; Netanyahu insiste em que as construções nas colônias são intocáveis. Livni está disposta a aceitar o uso de forças internacionais no vale do Jordão; Netanyahu insiste na presença de forças israelenses.

Mas os medos do primeiro-ministro de Israel são muito exagerados. Livni tem de conseguir aprovação do chefe de governo, para as posições que defenda, o que implica que o governo tem a palavra final. Além disso, Yitzhak Molcho, representante pessoal de Netanyahu, participa de todas as negociações e monitora as ações de Livni.

No campo palestino, ninguém, tampouco, conta com alguma possibilidade de sucesso.

Decidimos reagir positivamente aos pedidos infindáveis dos EUA para que se reiniciasse o tal “processo de paz”, para satisfazê-los e evitar possíveis acusações de que estaríamos fazendo alguma política de recusa eterna – admitiu um dos negociadores da OLP.

Os palestinos sabem que, na atual situação,

(…) Israel jamais concordará em devolver a terra que roubou na guerra de 1967, nem, e muito menos, em admitir o retorno dos refugiados palestinos.

Os palestinos, sobretudo, entendem que, se se levam em conta os sentimentos que hoje predominam em Israel,

(…) qualquer governo israelense que aceite devolver a Cisjordânia e retirar-se de volta para as fronteiras de 4/6/1967 estará cometendo suicídio político.

É verdade que, resultado de muitos anos de propaganda, a grande maioria dos israelenses não estão inclinados a apoiar qualquer concessão aos palestinos. Resultados de pesquisa feita no país, com 4.774 respondentes, são desanimadores. 70% dos pesquisados, por exemplo, sentem que não faz sentido algum assinar qualquer tratado de paz com o governo de Mahmud Abbas. Apenas 17,5% dos respondentes entendem o contrário disso. Mais de 87% creem que não será possível chegar à assinatura de um tratado de paz entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina, como resultado das atuais negociações. Só 2% creem que tal resultado seja possível. 73% entendem que o conflito Israel-Palestino jamais terá solução. 14,5% entendem que, sim, chegará ao fim; mas só depois de 2030.

Uma das perguntas dessa pesquisa foi:

Que concessões você considera aceitáveis, em nome de alcançar-se um acordo de paz com o governo da Autoridade Palestina?

Cerca de 48% responderam “Nenhuma”. 1,5% consideram aceitável a volta dos refugiados palestinos ; 2,4% consideram aceitável a completa evacuação de toda a população de judeus da Cisjordânia; 3,1% consideram aceitável o retorno às fronteiras de 1967; e menos de 7% dos entrevistados consideram aceitável dividir Jerusalém.

Essas reações e pensamentos são alimentados por argumentos doutrinários dos estrategistas israelenses. Merece destaque um relatório preparado pelo Centro Begin-Sadat (BESA) para Pesquisa Estratégica, que leva o característico título de “O Tempo corre a favor de Israel”. O relatório argumenta que a vantagem de Israel sobre os adversários regionais, em termos de medidas agregadas de poder nacional, jamais foi tão ampla quanto hoje, e que essa tendência continuará no longo prazo. Em vasta medida, essa situação foi consequência da desestabilização de países vizinhos, depois da “Primavera Árabe”. Os argumentos do campo da esquerda em Israel, para um rápido acordo da questão palestina, podem ser considerados sem substância. Não há qualquer real ameaça contra Israel e, assim, não se vê qualquer necessidade, para Israel, de fazer concessões.

O desacordo entre os países árabes e o Irã cresceu ao ponto de que a preocupação deles com a questão palestina foi deslocada para o fundo da cena, e eles vão-se tornando potenciais aliados de Israel. Essa é a razão pela qual Telavive insiste tanto sobre “a ameaça iraniana”. Depois de 65 anos de existência, Israel já pode confiar que superará os desafios que apareçam pela frente.

Por mais que a paz seja desejável, não é condição necessária para a sobrevivência – conclui Efraim Inbar, autor do relatório do BESA Center.

Não surpreende que algumas das sugestões de Israel, nesse ponto das negociações, sejam deliberada e acintosamente inaceitáveis, para não dizer que são acintosamente zombeteiras. Por exemplo, segundo informação do jornal Maariv, nas negociações com os palestinos, os israelenses têm planos de oferecer um acordo parcial, sob o princípio da “anexação em troca de anexação”. Na essência, Israel oferecerá anexar parte da Cisjordânia ao sul (Gush Etzion), em troca de Israel transferir parte do território da Cisjordânia ao norte (na área de Shechem), hoje sob controle dos israelenses e da Autoridade Palestina. Em outras palavras,Israel oferece aos palestinos não território israelense, como definido nos acordos de Camp David em 2000 e de Annapolis em 2008, mas… território palestino! O próprio Ariel Kachane, autor do artigo, admite que há poucas chances de os palestinos aceitarem essa oferta.

O jornal pan-árabe Al-Hayat noticia que Israel insiste em manter o controle e a presença de soldados israelenses no vale do rio Jordão; quer criar estações de alerta ao longo do rio; monitorar a movimentação de pessoas entre a Cisjordânia e a Jordânia; e preservar as bases militares nos pontos mais altos da Cisjordânia. O vale do Jordão seria parte do futuro estado palestino, mas será transferido a Israel, em “empréstimo” de longo prazo. Os israelenses continuam a insistir que toda a fronteira com a Jordânia permaneça sob controle do exército de Israel.

Naturalmente, todas essas sugestões são absolutamente inaceitáveis para os palestinos. Na Assembleia Geral da ONU, o presidente palestino [Abbas] disse claramente que só há acordo possível, nas fronteiras de 1967. Os palestinos recusam-se a:

(…) entrar no sorvedouro de um novo acordo provisório que vai eternizando – disse Abbas. Nosso objetivo é obter acordo amplo e permanente, e um acordo de paz entre os estados da Palestina e de Israel que decida todas as grandes questões e responda todas as perguntas; que nos permita declarar oficialmente o fim do conflito e das exigências.

E alertou que essa, provavelmente, é a última oportunidade para que Israel e Palestina decidam o conflito pela via pacífica.

Nos dois campos vai-se instalando a conclusão de que é cada dia mais inevitável o início de uma terceira Intifada. O jornal israelense Haaretz escreveu que:

Se o processo de negociação desandar completamente, por causa da inabilidade de Netanyahu, incapaz de enfrentar a pressão dentro de seu partido, começarão os tumultos nos territórios, que podem converter-se numa nova Intifada.

O atual governo de Israel está convicto de que se se mantiver irredutível, acabará por conseguir impor-se. De fato, não há dados de realidade que justifiquem toda essa autoconfiança; afinal, os desafios que aguardam Israel podem ser mais assimétricos. Um novo levante palestino é perfeitamente capaz de complicar muito a situação em toda a região e de gerar graves perdas econômicas e diplomáticas para Telavive.

Como alerta o Haaretz, Netanyahu está pondo seu país em risco. Tradicionalmente, o fracasso de negociações sempre foi o gatilho para o início de mais uma onda de violência no Oriente Médio. O fracasso dessa específica rodada de negociações, escreve o jornal,

(…) comprometerá ainda mais o status de Israel. O mundo está farto de ocupações, e nenhuma explicação, nunca mais, conseguirá eximir Israel de sua responsabilidade.

Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

10 años sin Edward Said

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La solidaridad con Palestina (2 de julio de 2003)

Por Edward W. Said.

A principios de mayo estuve unos días en Seattle para dar unas conferencias. Durante mi estancia, cené una noche con los padres y la hermana de Rachel Corrie, que todavía no habían superado la conmoción del asesinato de su hija el 16 de marzo, en Gaza, por parte de un bulldozer israelí. El señor Corrie me dijo que él había manejado bulldozers, pero que el que mató de forma deliberada a su hija -por intentar proteger valientemente de la destrucción un hogar palestino en Rafah- era un monstruo de 60 toneladas diseñado especialmente por Caterpillar para demoler casas, una máquina mucho más grande que cualquiera de las que él había visto o manejado. En mi breve visita a los Corrie me impresionaron dos cosas. Una, el relato de su regreso a Estados Unidos con el cuerpo de su hija. Se apresuraron a llamar a sus dos senadoras, Patty Murray y Mary Cantwell, ambas demócratas, les contaron su historia y recibieron las expresiones de horror e indignación que eran de esperar, así como promesas de que habría una investigación. Cuando las dos senadoras volvieron a Washington, los Corrie no volvieron a saber nada de ellas, y la investigación prometida no se hizo realidad. Como era previsible, el lobby israelí les había explicado la realidad, y decidieron desentenderse. Una ciudadana estadounidense asesinada deliberadamente por los soldados de un Estado cliente de Estados Unidos no mereció ningún comentario oficial, ni siquiera la investigación de rigor que le habían prometido a su familia.

Pero el segundo y principal aspecto que me llamó la atención de la historia de Rachel Corrie fue la acción de la joven en sí, heroica y digna. Nacida y educada en Olympia, una pequeña ciudad a 90 kilómetros al sur de Seattle, Rachel se incorporó al Movimiento Internacional de Solidaridad y fue a Gaza para apoyar a unos seres humanos que sufrían y con los que no había tenido ningún contacto hasta entonces. Las cartas que escribió a su familia son unos documentos extraordinarios que muestran su humanidad cotidiana y constituyen una lectura difícil y conmovedora, sobre todo cuando describe la amabilidad y el interés demostrados por todos los palestinos con los que habla, que la reciben claramente como a una más de los suyos porque vive igual que ellos, comparte sus vidas, sus preocupaciones y los horrores de la ocupación israelí, con sus terribles repercusiones incluso para los niños más pequeños. Comprende el destino de los refugiados y lo que considera el intento insidioso del Gobierno israelí de llevar a cabo una especie de genocidio al hacer la supervivencia prácticamente imposible para este grupo concreto de personas. Su solidaridad es tan emocionante que inspira a un reservista israelí llamado Danny, que se ha negado a servir en el Ejército, a escribirle para decir: “Está haciendo algo bueno. Le doy las gracias por ello”.

Lo que se desprende de todas las cartas que escribió a su familia, y que posteriormente publicó The Guardian, es la asombrosa resistencia del pueblo palestino, seres humanos corrientes que se encuentran en una situación horrible, llena de sufrimientos y desesperación, pero que, aun así, siguen sobreviviendo. Hemos oído hablar tanto, en los últimos tiempos, de la Hoja de Ruta y las perspectivas de paz, que nos hemos olvidado del hecho fundamental, que es que los palestinos se han negado a capitular o rendirse, ni siquiera ante el castigo colectivo que les impone el poder conjunto de Estados Unidos e Israel. Ésa es la razón de que exista una Hoja de Ruta y de todos los llamados planes de paz anteriores; no que Estados Unidos, Israel y la comunidad internacional se hayan convencido, por motivos humanitarios, de que es preciso acabar con las muertes y la violencia. Si no somos conscientes de la fuerza que tiene la resistencia palestina (y no me refiero, en absoluto, a los atentados suicidas, que causan mucho más daño que beneficio), a pesar de sus fallos y sus errores, no entenderemos nada. Los palestinos siempre han constituido un problema para el proyecto sionista, y las supuestas soluciones que se han ofrecido, en vez de resolver el problema, le quitan importancia. La política oficial israelí, independientemente de que Ariel Sharon utilice la palabra “ocupación” o no, de que desmantele una o dos torres herrumbrosas o no, ha consistido siempre en no aceptar la realidad del pueblo palestino en pie de igualdad ni admitir que Israel ha violado constantemente sus derechos de forma escandalosa. Aunque, a lo largo de los años, ha habido valerosos israelíes que han intentado hacer frente a esa historia oculta, la mayoría de ellos y, según parece, la mayoría de los judíos estadounidenses, han hecho todos los esfuerzos posibles para negar, evitar o rechazar la realidad palestina. Por eso no se ha alcanzado la paz.

Además, la Hoja de Ruta no habla de justicia ni del castigo histórico impuesto al pueblo palestino desde hace demasiadas décadas. Sin embargo, lo que la labor de Rachel Corrie en Gaza reconocía era, precisamente, la gravedad y la densidad de la historia viva del pueblo palestino como comunidad nacional, no sólo como un grupo de refugiados que sufren privaciones. Con eso era con lo que mostraba su solidaridad. Y debemos recordar que ese tipo de solidaridad ya no la ofrecen sólo unas cuantas almas intrépidas repartidas aquí y allá, sino que se reconoce en todo el mundo. En los últimos seis meses he dado conferencias en cuatro continentes, ante miles de personas. Lo que les une a todas esas personas es Palestina, la lucha del pueblo palestino, que se ha convertido ya en sinónimo de emancipación y tolerancia, a pesar de todas las injurias cometidas contra ellos por sus enemigos.

Siempre que se informa de la realidad, se produce un reconocimiento inmediato, la expresión de la máxima solidaridad con la justicia de la causa palestina y la valiente lucha del pueblo palestino. Es extraordinario que, este año, Palestina fuera un tema central tanto en los encuentros antiglobalización de Porto Alegre como durante las conferencias de Davos y Ammán, es decir, en ambos extremos del espectro político mundial. Dado que los medios de comunicación estadounidenses administran a los ciudadanos una dieta espantosamente tendenciosa de ignorancia y distorsiones -en la que nunca se habla de la ocupación con las escabrosas descripciones que se utilizan para los atentados suicidas, el muro del apartheid que está construyendo Israel, de 8 metros de altura, 1,50 metros de espesor y 350 kilómetros de longitud, no aparece jamás en CNN y las grandes cadenas (ni se menciona, ni siquiera de pasada, en la prosa anodina de la Hoja de Ruta), ni se muestra el tormento diario que representan los crímenes de guerra, las destrucciones y humillaciones gratuitas, las mutilaciones, los derribos de casas, la destrucción del campo y las muertes que sufre la población civil palestina-, no es de extrañar que los estadounidenses, en general, tengan pésima opinión de los árabes y los palestinos. Al fin y al cabo, hay que recordar que los principales medios de comunicación, desde la izquierda progresista hasta la derechaalternativa, tienen una actitud unánimemente antiárabe, antimusulmana y antipalestina. No hay más que ver la pusilanimidad de la que hicieron gala durante los preparativos de una guerra ilegal e injusta contra Irak, la poca cobertura que recibieron los grandes perjuicios provocados en la sociedad iraquí por las sanciones y las noticias, relativamente escasas, sobre la inmensa corriente mundial de opinión contra la guerra. Prácticamente ningún periodista, salvo Helen Thomas, ha llamado la atención al Gobierno por las escandalosas mentiras y “verdades” fabricadas que se vertieron sobre Irak justo antes de la guerra, las afirmaciones de que constituía una amenaza militar inminente; igual que, ahora, los grandes medios eximen de responsabilidad a esos mismos propagandistas del Gobierno, cuyos “datos” cínicamente inventados y manipulados sobre las armas de destrucción masiva son ya una cosa olvidada o que se considera irrelevante, cuando se habla de la horrible situación, literalmente inexcusable, que ha creado con gran irresponsabilidad Estados Unidos para el pueblo de Irak. Por mucho que se acuse a Sadam Husein de ser un tirano cruel, cosa que era, es cierto que había proporcionado al pueblo de Irak la mejor infraestructura de servicios como agua, electricidad, sanidad y educación de todos los países árabes. No queda nada en pie.

No es extraño, pues -dado el extraordinario miedo a ser acusados de antisemitas por criticar a Israel en virtud de sus crímenes de guerra cotidianos contra civiles palestinos inocentes y desarmados, o de antiamericanos por criticar al Gobierno estadounidense por su guerra ilegal y la pésima gestión de su ocupación militar-, que la perniciosa campaña de los medios y el Gobierno contra la sociedad, la cultura, la historia y la mentalidad árabes, dirigida por propagandistas y orientalistas del Neandertal como Bernard Lewis y Daniel Pipes, nos haya llevado a demasiados de nosotros a creer que los árabes son verdaderamente un pueblo subdesarrollado, incompetente y maldito, y que, con todos los fallos en materia de democracia y desarrollo, los árabes son los únicos del mundo tan atrasados, retrógrados, anticuados y profundamente reaccionarios. Ha llegado el momento de recurrir a la dignidad y el pensamiento histórico crítico para examinar qué es cada cosa y separar la realidad de la propaganda.

Nadie puede negar que la mayoría de los países árabes están gobernados en la actualidad por regímenes impopulares, y que numerosos jóvenes pobres y desfavorecidos están expuestos a las tácticas implacables de la religión fundamentalista. Pero decir, como hace habitualmente The New York Times, que las sociedades árabes están totalmente controladas, y que no hay libertad de opinión, ni instituciones civiles, ni movimientos sociales de y para el pueblo, es mentir. Sean cuales sean las leyes de prensa, uno puede ir hoy al centro de Ammán y comprar un periódico del partido comunista a la vez que otro islamista; Egipto y Líbano están llenos de publicaciones que indican que en esas sociedades hay mucho más debate y discusión de lo que se cree; los canales de televisión por satélite rebosan de opiniones de una variedad vertiginosa; en todo el mundo árabe, las instituciones civiles están muy vivas, muchas veces relacionadas con los servicios sociales, los derechos humanos, los sindicatos y los organismos de investigación. Es preciso trabajar mucho más para alcanzar un nivel de democracia suficiente, pero estamos en el buen camino.

Sólo en Palestina existen más de mil ONG, y son esa vitalidad y esas actividades lo que ha permitido que la sociedad siguiera funcionando a pesar de los esfuerzos diarios de Estados Unidos e Israel para herirla, detenerla o mutilarla. En las peores circunstancias posibles, la sociedad palestina no está derrotada ni se ha derrumbado por completo. Los niños siguen yendo al colegio, los médicos y enfermeros siguen cuidando de sus pacientes, los hombres y mujeres van a trabajar, las organizaciones celebran sus reuniones y la gente sigue viviendo, y eso parece ser una ofensa para Sharon y los demás extremistas que no quieren más que ver a los palestinos en la cárcel u obligados a marcharse. La solución militar no ha servido de nada, ni nunca servirá. ¿Por qué no lo entienden los israelíes? Tenemos que ayudarles a que lo entiendan, no mediante atentados suicidas, sino con argumentos racionales, actos masivos de desobediencia civil y protestas organizadas en todas partes.

Lo que intento decir es que tenemos que pensar en el mundo árabe, en general, y Palestina, en particular, con más sentido crítico y un punto de vista más comparativo que los que sugieren libros tan superficiales y despreciativos como What Went Wrong, de Lewis, y las ignorantes afirmaciones de Paul Wolfowitz sobre la democratización del mundo árabe e islámico. Se piense lo que se piense de los árabes, hay que saber que poseen una dinámica activa producida por el hecho de ser personas reales que viven en una sociedad real, con todo tipo de corrientes y contracorrientes, que no pueden caricaturizarse simplemente como un hervidero de fanatismo violento. La lucha palestina por la justicia, especialmente, es una cosa que suscita la solidaridad, no críticas sin fin, un desaliento frustrado y exasperado o divisiones agobiantes. Recordemos la solidaridad mostrada en Estados Unidos y en todos los rincones de Latinoamérica, África, Europa, Asia y Australia, y recordemos que es una causa con la que se ha comprometido mucha gente, a pesar de las dificultades y los terribles obstáculos. ¿Por qué? Porque es una causa justa, un ideal noble, una búsqueda moral de la igualdad y los derechos humanos.

Edward W. Said es ensayista palestino, profesor de Literatura Comparada en la Universidad de Columbia. Traducción de María Luisa Rodríguez Tapia.

http://www.mundoarabe.org/solidaridad_con_palestina.htm

Infografía: Veinte años de los Acuerdos de Oslo

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Los acuerdos han acelerado la colonización israelí y han cimentado un régimen de apartheid de control y de discriminación.

Este viernes marcará los 20 años del día en que el primer ministro israelí, Yitzhak Rabin y el presidente OLP Yasser Arafat, se dieron la mano en el césped de la Casa Blanca, al firmar un acuerdo que estableció la Autoridad Nacional Palestina (ANP) y un marco de negociación que ha durado hasta nuestros días.

En el 20 º aniversario de los Acuerdos de Oslo, la infografía a continuación muestra lo que estos años del proceso de paz liderado por Estados Unidos han producido para los palestinos en Cisjordania, Jerusalén Este y la Franja de Gaza: una aceleración de la colonización israelí y la consolidación de un régimen de apartheid del control y de discriminación. La infografía está lejos de ser completa: Las últimas dos décadas han visto el asedio y la brutalidad en la Franja de Gaza, la consolidación de los checkpoints  y de un sistema de permisos, la confiscación de tierras, la expansión de los asentamientos para los colonos, y la detención y tortura de miles de personas.

Es importante entender que este tipo de políticas no se han implementado por el proceso de paz, pero a menudo gracias al proceso de paz. Oslo ha servido para dar a Israel la cobertura que necesita para continuar sus violaciones sistemáticas del derecho internacional, que actúa como un escudo para proteger a Israel de la rendición de cuentas y la democratización. Además, el establecimiento de la Autoridad Palestina ha dado a Israel un socio valioso en la administración (y amortiguación) de los millones de palestinos que viven bajo la ocupación militar, así como proporcionar una periódica “dirección” de disciplina a los colonizados.

Cuando se firmó en Oslo hace años, Rabin autorizó planes de construcción para la expansión de asentamientos ilegales israelíes en los territorios ocupados. Dos años después, en 1995, poco antes de su asesinato, Rabin dejó claro que Oslo fue sobre la creación de una “entidad que es menos que un Estado Palestino” y que “administrativa  de forma independiente la vida de los palestinos bajo su autoridad”, mientras que Israel mantendría una “Jerusalén unida” y los principales barrios de asentamientos.

Un avance rápido hasta 2013, hay  un gobierno israelí que participa en las conversaciones de paz cuyosministros se oponen a los derechos palestinos y se burlan abiertamente del derecho internacional. No obstante el impacto de Oslo sobre la lucha de los palestinos con ciudadanía israelí y de los refugiados en la diáspora, los 20 años de Oslo ha significado lo que Edward Said reconocía que sería, antes que muchos otros lo hicieron:

“Los israelíes, Rabin y Peres, hablan abiertamente sobre separación, no como los palestinos que hablaban sobre el derecho a la libre determinación, sino como una forma de marginación y de disminución, esencialmente dejando la tierra a los israelíes más poderosos. Separación, en esta perspectiva se convierte en sinónimo de apartheid, no de liberación. “La autonomía” es un eufemismo de  Netanyahu para ello.

20 años de Oslo

 

Ben White es un periodista independiente, escritor y activista, que se especializa en Palestina / Israel.  Es graduado de la Universidad de Cambridge.

Fuente: Infographic: Twenty years of Oslo
Ben White, Aljazeera (Traducción: Palestinalibre.org)

Video: Resumen de la sesión del Tribunal Ético a Israel

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Se realizó en Argentina el Tribunal Ético a la Ocupación y Colonización por Israel en Palestina el 21 de mayo de 2013. Testigos_as, peritas_os, dieron sus testimonios acusadores. El jurado dictaminó culpabilidad, la fiscalía pidió la condena y por último se leyó el veredicto que condenó a Israel y pidió el boicot a Israel, entre otras cosas.

Sentencia completa aquí.

Excelente resumen del Tribunal Ético hecho por “Resumen Latinoamericano”.

Mensaje de la victoria del prisionero palestino Samer al-Issawi

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Esta victoria prueba a la ocupación que la razón vence siempre y eternamente y que el injusto y la injusticia van a desaparecer

 Samer Issawi / 27-abril-2013

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Dios es grandioso, alabanzas a Dios
Dios es grandioso, alabanzas a Dios
Dios es grandioso, alabanzas a Dios

Doy gracias a Dios del principio al fin, por esta victoria y por su generosidad en concedérmela.

Para comenzar mi carta, ofrezco mis disculpas a todos los que me apoyaron en esta batalla, batalla la de dignidad, batalla de la lealtad a los mártires de Gaza, los heridos y los que sufrieron la catástrofe como resultado de la hostilidad a la que fueron expuestos cuando los sionistas emprendieron el intento fallido de liberar al soldado israelí  “desde el interior de la caja”, como ellos lo llaman. Sin embargo, encontraron que es un amplio espacio abierto, a pesar de la avanzada tecnología que poseen, a pesar del apoyo de todo el mundo y a pesar principalmente de tener los servicios de inteligencia de todo el mundo a su disposición, no han podido liberarlo.

Yo estaba deseando que mi liberación fuera inmediata, este era mi punto de vista, pero después que una cantidad de prisioneros políticos comenzaran una huelga de hambre abierta en solidaridad conmigo, temí por su bienestar, me preocupé por el movimiento de los prisioneros y no quise que sufrieran por mí las mismas cosas que yo sufrí durante mi huelga de hambre, por lo que me vi obligado a aceptar la propuesta final que me ofrecieron: una sentencia de prisión efectiva por 8 meses a partir de la fecha de firma del acuerdo, y el retorno a mi amada Jerusalén.

Y gracias a Dios, las demandas por las que emprendí mi huelga de hambre abierta, por lealtad a los mártires, se cumplieron; desde el comienzo mis demandas fueron: defender la dignidad de nuestra nación, poner de relieve las violaciones de la ocupación a los términos del acuerdo ‘lealtad de los libres’, prohibir que se vuelva a arrestar a los prisioneros políticos liberados por este acuerdo, rechazar el restablecimiento de sentencias previas, poner límite a las políticas de deportación y respetar nuestro derecho a retornar a nuestra tierra.

En segundo lugar, las negociaciones que llevaron a cabo conmigo enviando comisiones supervisadas por especialistas en procesos de negociación y agentes del Shabak, fueron muy extenuantes y continuadas por varias horas al día, sin embargo, ni comí ni me aburrí. La primera oferta que me hicieron fue la de deportarme a Gaza por 10 años, que yo ya había rechazado completamente antes. Luego ofrecieron deportarme a un país de mi elección, entonces les dije que la idea de la deportación no la aceptaría, que mantengo todas mis capacidades mentales que no sufren de ninguna alteración de la voluntad, que totalmente rechazo la idea de deportación por completo, incluso la de ser deportado a la gloriosa Gaza. Aunque es una parte de mi patria, insistí en que deseo retornar a la tierra santa, a mi casa, a los brazos de mis padres y mi familia y a mi pueblo. Dije y repetí: Jerusalén o el martirio, no hay tercera opción. Me negué a someterme a la ocupación y sus chantajes, me negué a ser un puente por el que se pasa encima y me negué a abandonar la sangre de los mártires que cayeron por la liberación de los prisioneros, y los gritos de dolor de los heridos.

Mi simple rechazo a aceptar la deportación fue mi primera victoria sobre la ocupación, incluyendo el rechazo a la deportación a Gaza, porque esto trae a la mente las operaciones de expulsión forzada que sufrieron los palestinos en 1948 y 1967. Estamos actualmente librando una lucha por la liberación de la tierra y el retorno de los refugiados, y no para aumentar el número de desplazados. Los métodos sistemáticos que Israel está aplicando, para expulsar a los palestinos de su tierra y poner mercenarios en el lugar de los auténticos dueños de la tierra, es un crimen en sí mismo y por lo tanto rechazo el concepto de la deportación a cualquier otro lugar.

Les dije: “Prefiero morir en mi cama de hospital a ser expulsado de Jerusalén. Jerusalén es mi alma y mi vida y si me arrancaran de ella, sería como arrancar mi alma de mi cuerpo. No hay vida que valga sin Jerusalén y Al-Aqsa, sin Jerusalén toda la tierra es para mi insuficiente, así que mi retorno será a Jerusalén y a ningún otro lugar”.

Yo no estaba mirando esto como un asunto personal relacionado sólo con Samer al-Issawi, sino que la cuestión es un asunto nacional, con la convicción y el principio al que se aferra cada palestino que ama la tierra de su patria. La comisión de negociación entendió entonces que la deportación no podía ser incluida entre las posibilidades y que debía ser eliminada de la agenda de negociaciones.

También informé al tribunal militar que boicotearía sus sesiones, que considero que su tribunal es ilegal y que su presencia en tierras palestinas es ilegal. ¿Cómo puedo ser juzgado por un tribunal ilegal, cuyos jueces quieren juzgarme por entrar en territorios palestinos, a pesar de que sus tribunales se ubican ilegalmente en tierra palestina? Les dije que mi comparecencia frente a ese tribunal sería un reconocimiento a su legitimidad y a la legalidad de la presencia de la ocupación en Palestina, lo cual no es así en absoluto. Por lo tanto, el tribunal militar se vio forzado a enviar su jueza al hospital para conocer las razones de mi rechazo a comparecer ante el tribunal. Les transmití mi respuesta, la cual encendió su irritación y su ira, y esto lo considero mi segunda victoria sobre la ocupación.

Después de descartar la acción de deportación, empezaron a hablar de años de prisión efectiva y la primera sugerencia fue de 10 años, y se inició el período de la reducción y la disminución, después de mi insistencia en la libertad, hasta que llegó a 8 meses y esto lo considero la tercera victoria. La voluntad del enemigo se rompió frente a la voluntad del pueblo palestino que rechaza someterse a la injusticia.

Después de aceptar su oferta de 8 meses de prisión efectiva, pedí la presencia de la defensa, para completar el acuerdo, firmarlo, poner en marcha los procedimientos jurídicos, sacar este acuerdo a la luz y lograr la victoria que había estado persiguiendo desde que me encarcelaron, y eso es la libertad para retornar a Jerusalén.

Y desde aquí, en la cama de la victoria, estoy transmitiendo mis saludos a todos los que me respaldaron; no haré menciones específicas por temor a los reclamos. Valoro y aprecio a todos los que me apoyaron para lograr esta victoria, ya sea por hechos, acciones, palabras o plegarias, que Dios los agracie con bendiciones en mi nombre y en nombre del pueblo palestino. También hago llegar mis saludos a todos los soldados que participaron en esta batalla, a pesar de su larga duración. Se mantuvieron firmes en la cara del verdugo. Soportaron todo el sufrimiento y el dolor por estar expuestos a la represión de la ocupación. Insistieron en continuar esta batalla hasta la victoria, a pesar de todo el sufrimiento y las calamidades que les sobrevinieron, continuos arrestos y heridos en sus filas, heridas producidas por balas de goma, lágrimas provocadas por granadas de gases lacrimógenos.

Después de todo ese sufrimiento, aquí estamos hoy, celebrando la victoria alcanzada gracias a su persistencia en esta heroica batalla, ustedes y los libres de este mundo compartieron esta batalla con nosotros, y esta victoria prueba a la ocupación que la razón es la que vence siempre y eternamente y que el injusto y la injusticia van a desaparecer.

Bendigo a las madres de los mártires y saludo a las familias de los heridos que sacrificaron sus almas y partes de sus cuerpos, para concretar la operación ‘lealtad de los libres’, por la que un millón y medio de personas de nuestro pueblo en Gaza pagó un alto precio, pagó con un bloqueo que los hizo pasar hambre para presionarlos y obligarlos a entregar el soldado, sin embargo, nuestro pueblo en la amada Franja de Gaza insistió y retuvo al soldado con el fin de concretar el más grandioso acuerdo de intercambio en la historia de la revolución palestina. Y aquí estamos hoy, manteniendo todos nuestros sacrificios y nuestros logros con nuestra victoria que dedicamos a Gaza. Tal como prometí, mantuve mi promesa: el martirio o la liberación para retornar a Jerusalén, y aquí está. La libertad está en camino, si Dios quiere, pronto llega.

Por Dios, que cuando me acordaba de los mártires, los heridos y los que sufren la catástrofe en Gaza, que se sacrificaron por nuestra liberación, me sentía fortalecido y decidido, y consideraba que dar marcha atrás y renunciar a la victoria sería una traición a los que se sacrificaron para asegurar la libertad en virtud del acuerdo ‘lealtad de los libres’. Mi victoria es su victoria y su sufrimiento es mi sufrimiento.

Y no me olvido aquí de saludar a los soldados desconocidos en esta batalla, en los medios escritos y audiovisuales, que jugaron un rol esencial en esta gran victoria alcanzada. Y saludo también a los poetas, compositores y cantantes que me apoyaron y ayudaron a divulgar esta lucha por todos los rincones del mundo, cumpliendo un rol que no es menos importante que los otros.

Y desde aquí, hago un llamamiento a continuar el movimiento popular y su escalada en todos los frentes, para luchar por nuestros prisioneros políticos. Y llamo también a la continuación de la movilización política y diplomática para internacionalizar el tema de los prisioneros políticos y dirigirse a la Corte Penal Internacional, para acusar a los jueces de la ocupación en virtud del derecho internacional, por los crímenes que han sido perpetrados contra el pueblo palestino.

Los saludo y saludo su resistencia, y si Dios quiere me encontraré con ustedes pronto para celebrar la verdadera victoria de la liberación de Palestina y su capital, la sagrada Jerusalén. Nos encontramos pronto en Jerusalén, la más sagrada, si Dios quiere.

Su hijo y su hermano
Samer al-Issawi
Hospital Kaplan

Fuente: http://www.docjazz.com/index.php/component/content/article/1-latest-news/299-samer-issawi-victory-francais-espanol

Miko Peled, um Outro Judeu: O Filho do General

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Texto de apresentação e legendas: Jair de Souza.

Existe uma tendência muito forte entre a intelectualidade ocidental a negar validade a qualquer narrativa que provenha dos palestinos. Quase nenhuma credibilidade é atribuída a um relato se sua fonte for exclusivamente de origem palestina. É devido a este tipo de preconceitos que este vídeo de Miko Peled adquire maior significância.

Miko Peled é um judeu israelense, nascido e criado em Jerusalém, cujo pai era um jovem oficial do exército em 1948 e um importante general da IDF em 1967. Ou seja, Miko Peled nasceu e cresceu em uma família e em um ambiente de profundas raízes sionistas. Não obstante isso, as contradições da vida e seu sentimento humanista foram abrindo-lhe os olhos para a realidade que o circundava. É esta realidade o que ele trata de transmitir em seu livro O filho do general (The general’s son) e no relato do presente vídeo.

O que Miko Peled conta é de grande importância para todos, especialmente para aqueles que se identificam com o sionismo e com as posturas do Estado de Israel. Os fatos por ele relatados não são novidades para quem acompanha com certa proximidade o que vem sucedendo na Palestina nas últimas décadas. No entanto, em razão de suas origens nacional, cultural e étnica, as palavras expressadas em seu livro e neste documentário talvez sejam capazes de levar à reflexão a algumas pessoas que, até agora, aceitaram e assimilaram a narrativa sionista sobre o conflito na Palestina.

Podemos esperar que, mesmo depois de ler ou ouvir os relatos de Miko Peled sobre as brutalidades inumanas praticadas pelas forças de ocupação sionistas contra a indefesa população civil palestina, vários dos atuais apoiadores de Israel continuem a apoiá-lo. Mas isso só será possível para aqueles que se afastarem completamente de toda e qualquer preocupação humanista para se aferrar a um espírito pura e exclusivamente tribal. Ou seja, um espírito que leve a validar tudo o que possa render benefícios aos membros de minha tribo, sem nenhuma preocupação pelo que isso possa causar aos outros.

Contudo, assim como ocorreu com o próprio Miko Peled, muitos dos atuais defensores das políticas sionistas também poderão ser sensibilizados ao tomar contato com a realidade. A única condição prévia para que isso possa se dar é o predomínio de uma consciência humanista, coisa que, a despeito dos esforços dos ideólogos sionistas para eliminá-la, acreditamos estar presente no íntimo da maioria dessas pessoas.

Os fatos aqui relatados por Miko Peled dificilmente poderão ser rebatidos. As provas são por demais contundentes! Talvez os sionistas mais militantes prefiram não assistir a este vídeo e expressar suas críticas ao mesmo de modo automático. Não podemos condená-los por isto. É muito angustiante defender uma posição sabendo que ela vai contra aquilo que no íntimo consideramos justo. Por isso, a ignorância pode servir como uma prevenção neste caso.